Galwen: Para quem procura algo original e rico em melodias
Resenha - Joaquim e o barril de carvalho - Galwen
Por Angelo Costa Saggio
Postado em 30 de julho de 2015
Vindos da cidade de São João del-Rey no interior mineiro, a banda é formada por Gabriel Carvalho (vocais, violino e violão), Marcos Carvalho (flauta, vocais, bandolim e wistler), Lucas Margotti (bateria e percussão), Victor Cupertino (guitarra, voz e violão) e Otto Domingueti (baixo).
O som praticado é muito agradável e podemos classificá-los como Folk Rock, Rock Rural, Rock Progressivo, com uma grande influência de música Celta. Nos seus shows, usam os cenários e as vestes condizentes com o tema.
Em 2005, lançaram ‘Ouça minha voz’ que teve uma boa repercussão e com ele, a banda ganhou vários prêmios em Minas Gerais. Já se apresentaram no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, além de ter aberto para uma referência mundial em Folk Metal, a banda suíça Eluveitie e também para a lenda do Metal nacional Angra, provando que chamam a atenção pela qualidade musical com letras em português.
Já estão há doze anos na ativa, com letras bem cativantes e um instrumental rico composto por violino, flauta e mandolin.
A produção foi assinada por Gus Monsanto do Symbolica, ex Adagio e Revolution Renaissance e a co-produção por Celo Oliveira, além de Gus ter tocado guitarra, baixo e feito os backing vocals.
Teve as participações especiais de Samuel Mangia nas baquetas, Gabby Vessoni nos vocais, Caio Campana e Cristiano Gavioli no baixo e Thiago Daher na guitarra.
Além da arte ter ficado bem com a cara e atmosfera da proposta da banda, foi assinada por André Sigom e Hugo Faro.
O álbum conta a estória de um jovem que sonha em se tornar músico. No ano de 1807, Portugal é invadido pelas tropas napoleônicas e Dom João VI, rei de Portugal, foge para a colônia com toda a família real, deixando um ambiente inóspito para Joaquim, que enfrentaria uma grande dificuldade de realizar seu sonho e ainda se tornaria um grande líder do povo daquele país.
Vamos ao som que é o que mais interessa. Logo na introdução, uma narrativa sobre o tema, mostrando qualidade e cultura.
Na seqüência, vem o primeiro som "Caravana da Loucura" e o que ouvimos é uma volta aos anos 70, lembrando a lenda Jethro Tull, com a flauta em destaque.
Na cola, vem o som "Joaquim" com belas linhas de guitarra e um solo com muita harmonia e você se sente cantando e pulando ao lado da fogueira na floresta.
O que não temos duvida é da competência de Marcos que detona na flauta e isso fica bem evidente na canção "A Dúvida" que é uma das melhores composições do álbum, mostrando a sincronia perfeita de todos os instrumentos alinhados a flauta.
Uma das mais folk é "Miolos de Pão", com um refrão cativante e aquele toque de Rock Rural, com melodia muito agradável.
Na instrumental "Barril de Carvalho", a flauta já inicia dando seu ar da graça e mostrando que Jethro Tull é a grande influência da banda, com rica melodia e linhas de baixo maravilhosas, revelando uma banda de técnica bem apurada. A próxima música é "Taverna", mais rock n roll, com um refrão forte.
"São Jorge (O Bar Divertido)" começa com destaque para o baixo e um refrão forte em português que gruda mais na mente.
Uma melodia que nos faz sentir nas montanhas é a instrumental "Terra do Nunca", com um lado progressivo bem pronunciado, com belos dedilhados de violão, uma viagem total que faz a ponte para "Sussurro dos Ventos", com vocais femininos de Gabby, enriquecendo o som e dando um ar folk progressivo.
O melhor refrão é em "Cantem Sempre Essa Canção", com uma pegada e andamento mais diretos, bem rock n roll e extremamente empolgante e cativante de ouvir.
A instrumental "Procissão do Enterro" toda dedilhada no violão faz a ponte para "Terras de El Rey" que tem mais de 10 minutos e começa bem progressiva explorando a técnica dos integrantes. No seu andamento, mostra elementos da música celta e na construção da música, vemos todos os elementos do folk progressivo com tudo sincronizado. Sem dúvida, a flauta é o carro-chefe, mas também há belas linhas de baixo com muito balanço que incrementam ainda mais esse som que alterna momentos rápidos e lentos, sem perder o compasso nenhum segundo. É, sem dúvida, o som mais trabalhado do álbum e possui uma estrutura que certamente resume todo o álbum em sua proposta.
Trata-se de um álbum muito bom, perfeito para os fãs que procuram algo bem original e rico em melodias, além de todos os elementos bem evidentes do estilo folk rock progressivo que a banda se propõe a fazer. Se você se enquadra neste perfil, vá em frente e compre o Cd, pois trata-se de um álbum com belos arranjos e harmonia ímpar.
Tomara que possamos ver essa banda na estrada, pois tenho uma curiosidade extrema ver a banda ao vivo executando essa obra.
Boa sorte à banda e que se mantenha firme na proposta e sempre cantando em português, levando para os cantos do Brasil sua música e letras que são cultura na essência da palavra. Quem sabe um dia, possamos englobar melodias como estas na cultura do nosso país.
Formação do álbum
Gabriel Carvalho (vocais, e violino ),
Marcos Carvalho (flauta, vocais, Mandolim e violão)
Gus Monsanto (Guitarra, Baixo e Backing vocals)
Celo Oliveira (Guitarra, Violão e Programação de Bateria)
Sons
1. Introdução
2. Caravana da Loucura
3. Joaquim
4. A Dúvida
5. Miolos de Pão
6. Barril de Carvalho—
7. Taverna
8. São Jorge (O Bar Divertido)
9. Terra do Nunca
10. Sussurro dos Ventos
11. Cantem Sempre Essa Canção
12. Procissão do Enterro
13. Terras de El Rey
Angelo Costa Saggio, jornalista e colaborador da Metal Militia Web Radio e Union Press Assessoria de Imprensa
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