Wilco: Um som barulhento e construído em novas texturas
Resenha - Star Wars - Wilco
Por André Espínola
Fonte: O Filho do Blues
Postado em 24 de julho de 2015
Em 2014, nós vimos como é o espetáculo midiático para o lançamento de um novo álbum. Em todos os lugares, em todas as mídias, sejam elas tradicionais como outdoors ou digitais, como as redes sociais, estavam estampadas propagandas antecipando o novo lançamento de Arcade Fire, Reflektor. Foi um sucesso. Em 2013, uma das grandes lendas da música, David Bowie, anunciava subitamente o seu retorno com um novo álbum, The Next Day, gravado totalmente em segredo. O mundo da música ficou em polvorosa na espera do conteúdo do disco. Agora vemos o oposto. Isso porque ontem (19), a banda norte-americana Wilco, uma das maiores do novo milênio, foi além, lançou de surpresa e colocou disponível ontem mesmo para download grátis em seu site o nono disco da banda, Star Wars – nenhuma relação com o gato fofinho na capa. Sem um ou dois meses divulgando singles, fazendo programas de TV, nem nada disso. É música e pronto. E o resultado é igualmente renovador.
Uma das bandas mais festejadas das últimas duas décadas, com clássicos como Being There (1996) e Yankee Hotel Foxtrot (2002) na bagagem, Wilco encontrava-se claramente na meia-idade: fazendo discos seguros, mas na zona de conforto. Os três últimos discos (Sky Blue Sky, de 2007, Wilco, de 2009 e The Whole Love, de 2011) são todos bons trabalhos, nos quais a banda, no entanto, não se arrisca tanto, não tenta experimentar novos sons. Com Star Wars, o espírito aventureiro e ambicioso – apesar da estratégia de lançamento indicar o contrário – parecem ter retornado.
No decorrer de 11 músicas e pouco mais de trinta e três minutos, Jeff Tweedy e companhia apresentam um som barulhento e construído em novas texturas, com experimentos sonoros muito interessantes. A sonoridade vai desde o glam rock de David Bowie, o psicodélico dos Beatles até o alternativo dos anos noventa. Uma mixórdia que empolga em todos os momentos.
E os indícios estão presentes já no primeiro minuto, na barulhenta faixa instrumental "EKG" e se consolidam na faixa seguinte, "More...", com guitarras intergalácticas em um mar de distorções para todos os lugares do ouvido. "Random Name Generator" é rock guiado por um riff coeso e bem marcado. A banda está funcionando como um organismo musical vivo e cada pedaço das músicas são, com certeza, resultado de um trabalho detalhado de ensaios e pura criatividade musical. "The Joke Explained" segue uma construção lírica dúbia e que soa improvisada e enigmática – talvez a razão da capa do álbum ter sido um gatinho peludo esteja em algum lugar por aí.
"Your Satellite", de longe a mais longa de Star Wars (passa da casa dos cinco minutos), tem uma guitarra que soa como o motor de uma viagem espacial, num ritmo cada vez mais forte e crescente, com o final parecendo uma turbulência durante o percurso. Depois de tanta guitarra, a acústica "Taste The Ceiling" apresenta uma sonoridade mais próxima ao Wilco adulto dos últimos três discos. "Picked Ginger" tem umas reviravoltas bem interessantes e inesperadas, misturando um riff fixo com solos desconcertados. A primeira balada propriamente dita "Where Do I Begin" mostra, como sempre, a proeza de uma banda acostumada a fazer belíssimas baladas, ao menos até, mais uma vez, a música tomar um caminho inesperado em uma efusão de sons – pena que dura pouco. Mais uma vez Wilco opta pelo caminho da surpresa, do inesperado. "Cold Slope" tem um ritmo sensual e dançante bem cadenciado no glam rock dos anos 70. "King of You" serve praticamente como uma sequência, dando seguimento à cadência da faixa anterior. A banda finaliza com a bela "Magnetized", na qual, por um momento, a guitarra é deixada de lado em favor dos teclados e pianos.
Star Wars é recebido com aquele ar atordoado, confuso, mas ao mesmo tempo extasiado, desvendando os mistérios pouco a pouco de um artefato recém-descoberto, afinal, fomos dormir um dia sem nada e acordamos no seguinte com um dos melhores álbuns do ano à nossa disposição.
Tracklist:
01 EKG
02 More...
03 Random Name Generator
04 The Joke Explained
05 You Satellite
06 Taste the Ceiling
07 Pickled Ginger
08 Where Do I Begin
09 Cold Slope
10 King Of You
11 Magnetized
André Espínola
http://ofilhodoblues.blogspot.com.br/
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do Alice in Chains que Kerry King considera uma música incrível
5 músicas de rock que tocaram tanto que o brasileiro não aguenta mais ouvir
O melhor cantor que surgiu após os anos 1970, segundo Jimmy Page
Rolling Stones compartilham memórias de Amy Winehouse
Masters of Voices estreia turnê sul-americana; veja setlist
Os cinco guitarristas favoritos de Dave Mustaine e o motivo de cada escolha
Accept tem instrumentos e equipamentos roubados em Barcelona
Baixista do Napalm Death ficava triste quando ouvia Alice in Chains
Dave Mustaine afirma que Megadeth fará anúncio "de outro mundo"
A superbanda que Geezer Butler comparou à segunda vinda de Jesus
Os 250 melhores álbuns americanos de todos os tempos, segundo a UCR
Derrick Green abre o jogo sobre motivos para o fim do Sepultura
CHAMA O VAR: Slash sofre tombo cinematográfico em show do Guns N' Roses
A cultuada banda de rock sulista que Eddie Van Halen detestava
O conselho que fez Marty Friedman passar a prestar mais atenção nas letras das músicas
O dia que Rogério Skylab disse que papo com Rafael Bittencourt o fez sentir falta do Monark
A controversa opinião de Andre Matos sobre a cantora Marisa Monte

Brasileiro Puukkojunkkari faz ótimo punk/hardcore extremo cantando em finlandês
A Arquitetura da Fé e da Melodia - Michael Sweet Transmite Paz em "The Master Plan"
Headhunter DC - Death Metal como arma, identidade e resistência
Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos



