Nightwish: Sem dúvida, este é o álbum mais alegre da banda

Resenha - Endless Forms Most Beautiful - Nightwish

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Por Matheus Dela Cela
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Há pouco mais de três anos, a banda de symphonic metal finlandesa Nightwish lançava o álbum 'Imaginaerum', que surpreendeu muitos com as suas nuances e com a evolução vocal da então vocalista, Anette Olzon. Dez meses após o lançamento, porém, durante a tour norte-americana, houve problemas entre ela e a banda e foi divulgado que ela estava fora, e que Floor Jansen (ReVamp, ex-After Forever) viria em sua substituição até o final da tour. A recepção da Floor pelos fãs foi incrível, assim como sua desenvoltura ao vivo com a banda. Assim, no outubro seguinte, Floor foi confirmada como vocalista oficial, junto com o multi-instrumentista Troy Donockley, e em novembro lançaram um dvd ao vivo que contém a apresentação do Nightwish no Wacken Open Air 2013. A interpretação que Floor deu a músicas tanto da era Tarja como da era Anette impressionou tanto a todos que a ansiosidade se fez presente em todo o tempo de espera pelo novo álbum de estúdio. Baseado na leitura de livros de Richard Dawkins e inspirado nos trabalhos de Darwin, Sagan e outros grandes cientistas evolucionistas, nasce o 'Endless Forms Most Beautiful', oitavo álbum de estúdio do Nightwish, mas será que ele correspondeu às expectativas?
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Bem, façamos primeiro uma análise faixa a faixa, para só então tirar conclusões sobre o álbum como um conjunto.

Shudder Before The Beautiful:
A parte falada pelo Dawkins dá início a uma ótima música. Uma das melhores do álbum. Instrumental forte, refrão bem marcante, e a letra também, com a orquestra acompanhando o tempo todo. A música realmente dá um salto depois que o refrão é cantado pela segunda vez, com o duelo de teclado e guitarra, logo depois seguidos por ótimos riffs e o verdadeiro auge da música: o coral. Então se encaminha galopando para o final, tão bom quanto todo o resto. Talvez seja o segundo single.

Weak Fantasy:
Começa forte, bons riffs, e depois embala. O coral acompanha a música ao fundo. As linhas vocais são realmente boas, com a Floor um pouco diferente do resto do álbum. O refrão fica na cabeça, com a participação Do coral, sempre ao fundo. O Marco aparece nessa música, um dos raros momentos do álbum em que ele não está em backing vocal. Resumindo, mais uma entre as melhores do álbum, com cos ingredientes que mais prezamos na banda durante todos os anos. Um sentimento que perpassa todo o álbum é que estamos ouvindo um misto dos melhores momentos da Anette com os melhores da Tarja.

Élan:
Ouvida milhares de vezes desde o lançamento em fevereiro, é uma música simples, mas bonita e boa, e que sintetiza o conceito do álbum. Lembra um pouco Last Of The Wilds, mas isso é conversa pra outra hora. Mais uma vez registra bem um vocal mais doce e suave da parte da Floor. Não seria minha escolha para primeiro single, porém. Começa normal e só embala mais quando acaba, e aí você quer mais. Essa contrasta com as duas primeiras, mas não é o ponto baixo do álbum. A sensação de quero mais, no entanto, é saciada com a música que vem a seguir...

Yours Is An Empty Hope:
A orquestra começa pedindo por peso. Então ele vem à la Dark Chest Of Wonders (riffs bem parecidos mesmo, mas isso não prejudica a música, como tem sido dito). Bem pesada, a música nos guia ao headbanging. Começa com a Floor cantando mais forte, com mais agressividade, o que destaca essa de todas as outras. O refrão, porém, é um contraste com os versos que o antecedem, mas o que mais me incomoda nele é os vocais gulturais da Floor terem ficado em backing vocal. A música continua muito boa, apesar disso, a música se conduz de forma incrível, com mais vocais agressivos e a orquestra executando um papel fantástico. Essa não pode ficar fora das setlists.

Our Decades In The Sun:
Bem, uma linda música, daquelas baladas que não podem faltar num álbum do Nightwish. Porém, o coral infantil ficou muito pouco aproveitado, fraquinho, e a música não precisava da duração de 6:39, tudo poderia ser feito em menos tempo, de forma mais bonita e agradável. Mas a música cresce de uma forma ótima. Acredito que, se tocada ao vivo, tirará lágrimas de quem estiver no show. Ganhou seu lugar junto com as outras baladas da banda.

My Walden:
O comecinho dessa já lhe empolga para o que está por vir. Me surpreendeu. Uma música mais para o lado folk dessa nova fase da banda. Troy participa com seus intrumentos e com vocais nessa música. O instrumental bastante empolgante. A Floor canta como em Élan, mas se sebte mais emoção, e o refrão é mais bem marcado e forte que o de Élan. Realmente uma surpresa. Linda. Mais uma dose de instrumental pra nos fazer "voar msis alto". O agudo da Floor no final é mais um ponto positivo para a música (não é como o agudo do final de Ghost Love Score no 'Showtime, Storytime').

Endless Forms Most Beautiful:
Começa bem, parecendo que vai ser de cara a melhor, mas não. Faz o seu papel como música que dá o nome ao álbum, mas parece que não está revelando tudo o que pode e, assim como Élan, só se desenvolve mais quando se encaminha para o final. Mas está entre as melhores, sim. Merece seu mérito por ser uma música muito boa e marcar a alegria na qual o álbum se baseou. Tem que ter seu lugar reservado nas setlists.

Edema Ruh:
Essa foi de cara a primeira opção de single do Tuomas, e dá pra entender porque. Mais pesada que Élan, e linda também. Uma canção meio clichê no repertório deste álbum, mas uma digna de ser comparada a Nemo. Com a diferença de ser alegrezinha. Mas é a música baseada no livro 'O Nome do Vento', de Patrick Rothfuss, e uma que esperamos bastante para ver como soaria. Boa música, mas é ultrapassada pela canção que vem logo em seguida.

Alpenglow:
Junto com Élan, Endless Forms Most Beautiful e Edema Ruh, é mais uma seguidora de fórmula. Mas, como toda música do Nightwish, tem algo especial. Eu considero que nessa seja o vocal diferente da Floor em alguns versos, e o refrão foi um ponto alto na música. Essa sim seria a minha escolha para primeiro single, sem dúvidas. Mais uma surpresa que o álbum me forneceu. Bem melhor do que eu esperava. Merece respeito e ser tocada em todos os shows. Quem sabe até pra finalizar os shows, vejo esse potencial para ela na tour que se iniciará em breve.

The Eyes Of Sharbat Gula:
Essa é uma música que eu diria ser excluível. Não traz muito de diferente a acrescentar e ainda é instrumental. Bem, e não é uma instrumental como Moondance, ou Last Of The Wilds, ou Arabesque, ou ImaginImagin. Se usarem essa ao vivo, ou será para a despedida, logo depois da última música, ou será para darem uma descansadinha durante o show. Mas eu acho que seria melhor ter tirado essa e colocado Sagan (que foi lançada na versão física do single Élan) no lugar dela. E se estende por longos seis minutos, que parecem durar mais do que os vinte e quatro minutos que vem logo em seguida. Acho que esse é o ponto baixo do álbum.

The Greatest Show On Earth:
Então chega a mais esperada, que a maioria pula as outras pra ouvir logo essa e só depois todo o resto. A música começa há 4,6 bilhões de anos atrás e vai até o futuro. Uma obra-prima. Começa com um longo piano e depois de alguns minutos vem umas explosões por parte do Kai (que, por sinal, está fazendo um ótimo trabalho). Então vem a Floor no seu único momento lírico do álbum para nos narrar a formação dos primeiros seres vivos, e tudo se encaminha para a evolução até a chegada dos humanos. Dawkins vem nos dar uma cutucada sobre nossa vida na Terra, então a coisa realmente começa. Alternando vocais agressivos, suaves, emocionantes, empolgantes, lindos e contagiantes, a Floor nos guia dentro dessa maravilhosa jornada. O Marco aparece no refrão, e o instrumental está bombástico, e continua assim enquanto há vida humana. Há um momento em que podemos ouvir diversos animais e que leva logo em seguida a toda a bombasticidade novamente e podemos ouvir o Marco e a Floor alternando vocais de forma incrível. Nesse momento você já não sabe mais o que esperar de algo tão bem trabalhado e lindo. Então vai tudo crescendo até que vem uma parada súbita, você olha a duração e não acredita que já se passaram 17 minutos. Então vem um piano e o Dawkins mais uma vez nos faz refletir sobre nossa existência. Depois vem a frase de Darwin que inspirou todo o álbum, e nesde momento você pode ouvir o mar, as ondas, uma baleia, e vai refletindo até que a música acaba e deixa você achando que não pode já ter acabado. "Como vinte e quatro minutos puderam passar tão rápido?" A beleza de toda a obra é realmente grande e tocante. Maravilhosa jornada. Hora do replay.

Conclusões e retratações:
Bem, sem dúvidas esse é o álbum mais alegre do Nightwish, e o que trata da evolução não só nas letras, mas também nas composições. As músicas são cheias de trechos de outras músicas, mais do que uma marca do som da banda, é uma recapitulação dos álbuns anteriores. O 'Endless Forms Most Beautiful' parece reunir os melhores momentos de toda a carreira da banda, e mesclá-los com a nova identidade e a nova fase. Quanto à Floor Jansen, sua voz foi bem utilizada para as músicas, mas ainda há muito potencial a ser explorado, que, ao que me parece, o Tuomas preferiu não revelar tão cedo. Assim, vamos esperar para vê-los reproduzir essa obra-prima ao vivo. O álbum é excelente, mas não é perfeito, visto que há alguns pontos mais baixos que o prejudicam em alguns momentos. Já espero o novo, que com certeza será ainda melhor.

Tracklist:
01. Shudder Before The Beautiful
02. Weak Fantasy
03. Élan
04. Yours Is An Empty Hope
05. Our Decades In The Sun
06. My Walden
07. Endless Forms Most Beautiful
08. Edema Ruh
09. Alpenglow
10. The Eyes Of Sharbat Gula
11. The Greatest Show On Earth

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