Nightwish: Uma banda totalmente revigorada

Resenha - Endless Forms Most Beautiful - Nightwish

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Estes dois últimos anos foram uma época estranha para o Rock e, em especial, para o Heavy Metal. Tivemos diversos casos em que bandas perdiam seus integrantes e recebiam participações especiais que iriam ficar temporariamente, mas acabavam aderindo à formação da banda. Um exemplo foi o Spock's Beard, que foi uma das primeiras bandas que tive notícia. O vocalista Ted Leonard, do Enchant iria ficar temporariamente na banda de Rock Progressivo, mas no fim, acabou sendo o novo integrante da banda; Outro foi o Angra, com a saída de Edu Falaschi e a entrada do italiano Fabio Lione, que também era um membro temporário, e acabou ficando como o novo vocal do grupo brasileiro; o que nos faz chegar ao Nightwish.

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Eu tenho estado desanimado e de má vontade com o Nightwish desde a saída da espetacular Tarja Turunen. Aquela segunda vocal que os caras escolheram, Anette Olzen, não me convenceu nos dois álbums que gravou com o grupo, por mais que ela se esforçasse, fazendo eu perder a vontade de acompanhar a banda. Para mim, ninguém poderia substituir a Tarja, que sempre considerei uma cantora soprano excepcional, estando portanto sempre animado com cada álbum que a banda lançava. Tenho o duplo ao vivo End of an Era (2006), e acabei perdendo as contas de quantas mil vezes já escutei aquele disco ao vivo maravilhoso e sem igual. A banda, em End of an Era, tem a sua melhor performance ao vivo, especialmente Tarja que brilha a cada nota cantada, fazendo com que esse seja um dos meus discos ao vivo favoritos. Para mim era o fim do Nightwish.

Então alguma coisa acontece e faz com que Anette Olzen seja dispensada da banda após o álbum Imaginaerum (2012), o que, assim como aconteceu com as bandas que citei antes, levantou muitas questões com relação ao futuro. Então, chegamos no ponto culminante que faz com que todas estas três bandas tenham algo em comum, além do já ocorrido: o novo integrante que era um "funcionário temporário", só para preencher buraco, não somente passa a ser membro da banda mas também dá muito certo. Tão certo que faz com que todas as três bandas se re-estabilizem em suas trajetórias e entre a base de fãs e continuem seus caminhos.

No caso do Nightwish, a substituta de Tarja, Anette, era meio destrambelhada, e, verdade seja dita, não chegava nem perto do talento que era necessário para preencher um buraco tão grande deixado por Tarja no grupo, apesar de ter uma voz até que boa, me parecendo uma versão genérica da Candice Night, vocalista do Blackmore's Night. Seus dois discos com o grupo, Dark Passion Play (2007) e o já citado Imaginaerum não são ruins, tem alguma coisa de bom, mas não deixam de serem genéricos, perto do que o grupo conseguiu realizar com Tarja. Eles não tem um tema ou melodia que você realmente irá se lembrar no futuro; quanto mais eu escutava aqueles dois discos, mais eu sentia vontade de ouvir o meu End of an Era novamente, ou então algum mais clássico, como o Century Child (2002) ou o Once (2004). A inspiração do grupo nesta era da Anette me parecia estar em baixa.

É aí que Floor Jansen, ex-After Forever entra em cena. Apesar do fim de seu antigo grupo, a vocalista estava ocupada com um outro projeto chamado ReVamp. Ela então deixa o projeto em hiato após dois discos, para se dedicar inteiramente ao Nightwish. O resultado é bastante satisfatório!

Claro, Jansen não é nenhuma Tarja Turunen, nem tampouco é capaz de fazer aqueles vocais sopranos operísticos sensacionais da mesma forma que Tarja fazia, mas a experiente vocalista dá conta do recado muito bem, além de ter bastante talento e ser muito dedicada. Seu ótimo trabalho com o After Forever fala por si só, e nos dá a certeza de que na falta de Tarja, Floor era a única possibilidade de se dar continuidade à banda. Outro contratempo, é a saída do baterista Jukka Nevalainen que vinha acompanhando a banda desde o começo e teve que se ausentar dela por estar sofrendo de insônia, sendo substituído (temporariamente) pelo baterista Kai Hahto. Claro, vamos torcer para que o líder do Nightwish, Tuomas Holopainen, não resolva despedir outra vocalista! Se tudo correr bem, o Nightwish terá um bom futuro.

E assim nos mostra este primeiro álbum com Floor, com o singelo título Endless Forms Most Beautiful. Aliás, título mais do que adequado por se tratar de um recomeço, porque esta é uma frase que aparece no livro On the Origin of Species, escrito por Charles Darwin, e que serviu de inspiração para as composições do álbum.

O álbum, de forma geral, nos mostra uma banda totalmente revigorada após um período turbulento, e que parece ter finalmente se encontrado após tantas mudanças. A começar pela excelente "Shudder Before The Beautiful", que abre o disco e recupera aquela garra que a banda tinha com a Tarja, e que finalmente nos traz melodias fantásticas após um longo tempo; Floor já mostra do que é capaz, trazendo toda sua experiência com o After Forever para a banda. "Weak Fantasy" também capricha nas instrumentações e na orquestração, se mostrando outro grande destaque com o vocal dramático de Floor, que capricha na interpretação. O single "Élan" também se mostra uma composição bem forte, possuindo, ao mesmo tempo, delicadeza e firmeza com muita classe e categoria, além de um refrão e uma linha melódica que gruda na cabeça. "Our Decades In The Sun" é uma balada de 6 minutos e meio com grandes temas e melodias que encantam e ilustram mais uma vez a habilidade da banda de compôr grandes temas.

"Endless Forms Most Beautiful", a faixa título, também se mostra outro destaque e mais um grande tema do grupo que certamente causará comoção nas apresentações ao vivo. Também gostei demais dos arranjos melódicos de "Edema Ruh", que mais uma vez ilustra o lado soft do grupo de forma satisfatória e com uma instrumentação impecável. Uma coisa que me agrada muito são as linhas instrumentais de gaita de fole no meio da instrumentação, que me dão a sensação de estar ouvindo um tema folk belíssimo. A semi-instrumental climática "The Eyes Of Sharbat Gula", que parece um tema xamanista também é de uma beleza sensacional e com um coral fabuloso que faz a gente cantar junto o refrãozinho.

O disco então fecha com a excelente faixa épica de 24 minutos "The Greatest Show On Earth", contendo temas cinematográficos absolutamente fantásticos e passagens que farão o ouvinte viajar nos temas musicais para montanhas e paraísos naturais e uma narrativa que cita o livro do Richard Dawkins de mesmo nome que contém supostas evidências para a teoria da evolução biológica. O pesquisador septuagenário também participa do disco nas partes narrativas. Independente se você acredita ou não em tal teoria, a narrativa é bem feita e prende a atenção para as partes instrumentais. O épico também recupera alguns temas anteriores de outros álbuns do grupo, criando aí uma conexão de todo com a obra do Nightwish.

Eu sinceramente acredito, ou pelo menos quero acreditar, que este período estranho pela qual passou estes grupos, e em especial, o Nightwish, tenha servido para um propósito, o de se re-encontrarem, corrigirem possíveis rotas e restabelecerem seu caminho rumo a um futuro brilhante. Que tenham então crescido com a experiência e sigam em frente com mais música de qualidade. Eu absolutamente recomendo este novo álbum do Nightwish, que se pelo menos não tem a Tarja, também não deixa de nos impressionar com os encantos de Floor, que se mostra aqui a mais nova força na banda finlandesa veterana.

Endless Forms Most Beautiful (2015)
(Nightwish)

Tracklist do CD:
01. Shudder Before the Beautiful
02. Weak Fantasy
03. Élan
04. Yours Is an Empty Hope
05. Our Decades in the Sun
06. My Walden
07. Endless Forms Most Beautiful
08. Edema Ruh
09. Alpenglow
10. The Eyes of Sharbat Gula
11. The Greatest Show on Earth
- I. Four Point Six
- II. Life
- III. The Toolmaker
- IV. The Understanding
- V. Sea-Worn Driftwood

Selo: Nuclear Blast, Roadrunner

Nightwish é:
Floor Jansen: voz
Emppu Vuorinen: guitarra
Marco Hietala: baixo
Tuomas Holopainen: teclados
Troy Donockley: gaita de fole, bodhrán, bouzouki

Participações:
Kai Hahto: bateria
Orchestre de Grandeur: orquestrações
Richard Dawkins: narração

Discografia anterior:
- Imaginaerum (2011)
- Dark Passion Play (2007)
- Once (2004)
- Century Child (2002)
- Wishmaster (2000)
- Oceanborn (1998)
- Angels Fall First (1997)

Website:
http://www.nightwish.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
http://www.acienciadaopiniao.blogspot.com.br

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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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