Stratovarius: Até mesmo os melhores cometem deslizes
Resenha - Stratovarius - Stratovarius
Por Giales Pontes
Postado em 29 de janeiro de 2015
Nota: 6 ![]()
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Muitos apontam esse ‘Stratovarius’ (2005) como o item mais fraco na carreira desses finlandeses. Bem, ao ouvir o álbum torna-se praticamente impossível discordar dessa idéia. Sobretudo para aqueles que tiveram o prazer de conhecer verdadeiras obras primas do power metal melódico tais como ‘Fourth Dimension’ (1995) , ‘Episode’ (1996) , ‘Visions’ (1997) e as duas partes de ‘Elements’ (2003) , que sem dúvida compreendem a fase dourada da carreira do Stratovarius.
Não que este álbum autointitulado seja uma nulidade. Nada disso. Mas a verdade é que aqui faltou aquela inspiração, aquela química perfeita que a banda tinha, especialmente nos trabalhos que produziu da metade da década de 90 até o ano de 2003. Muito provavelmente essa defasagem de inspiração deveu-se aos sérios problemas pessoais de Timmo Tolkki que a época começaram a afetar consideravelmente os outros músicos da banda, e naturalmente isso acabou ficando muito evidente no resultado final do álbum.
‘Maniac Dance’, faixa que abre o play, até que é uma música legalzinha, com um bom riff e um refrão fácil de lembrar. Mas não chega nem aos pés de uma ‘Will The Sunrise’, por exemplo, lembrando muito mais uma daquelas chatices "Kiskenianas" presentes nos terríveis ‘Pink Bubbles Go Ape’ (1991) e ‘Chameleon’ (1993), dois dos piores momentos do Helloween. A segunda, intitulada ‘Fight!!!’, traz uma introdução algo eletrônica, onde os sintetizadores de Jens Johansson se destacam, mas que tem boa parte de seu carisma soterrada por linhas vocais muito pouco inspiradas de Timmo Kotipelto, que insiste irritantemente naquele "EEEEEEE" em palavras inglesas com o som "AI" no final. Aqui ele torra nossa paciência com um "Fight for your LAAE-EEEEF, fight for your RAAE-EEEEE". Tétrico!
‘Just Carry On’ não melhora muito o cenário apesar de um instrumental até interessante, mas com nosso amigo Kotipelto mais uma vez pisando no tomate em um refrão pra lá de chato, chegando até mesmo a soar desafinado! O solo de Tolkki quase salva a lavoura. Quase, pois ele já fez melhores. Ah fez! A bela introdução "pianística" de ‘Back To Madness’ causa grande expectativa. O riff inicial da guitarra é meio "magrinho", mas bom. Kotipelto até inicia bem nas estrofes, mas começa a escorregar rapidamente(A idade deve estar afetando o cara, e talvez fosse hora de ele esquecer um pouco os falsetes, não é não?). Em tempo, lá no meio tem um solo vocal de barítono muito tétrico e interessante, mas que infelizmente não serve para redimir a falta de inspiração predominante na música.
‘Gypsy In Me’ invade os auto-falantes com uma introdução de teclado bem ao estilo da banda, para depois apresentar um bom riff de guitarra também típico. Mais uma vez temos os vocais de Kotipelto deixando a desejar. O solo de Jens Johansson é o ponto alto da faixa, o que é muito pouco para uma banda que já gravou maravilhas como ‘Black Diamond’, ‘Paradise’ ou a estupenda "Speed Of Light". De resto, com exceção das medianas ‘Leave The Tribe’ e ‘United’, é só "ladeira abaixo". Como a sonífera ‘Götterdämmerung’ (Zenith Of Power), outra com instrumental magrinho e linhas vocais pouco inspiradas.
Da chatíssima "The Land Of Ice And Snow" também não há muito o que dizer, exceto que aqui eles tentam recriar o clima de baladas épicas como ‘Forever’ ou ‘Before The Winter’, mas tudo que conseguem é uma musiquinha chata e intragável, embora tenha uma bela letra exaltando a terra natal da banda. Convenhamos, a belíssima e fria Finlândia merecia uma homenagem melhorzinha, não? No final das contas, assim como já aconteceu com Rush, Dream Theater e Angra, esse 11º trabalho do Stratovarius vem para provar mais uma vez que o simples agrupamento de músicos extraordinários e compositores talentosos nem sempre será o suficiente para se produzir grandes álbuns. Também deixa evidente que até mesmo os melhores cometem deslizes, muito embora os fãs mais "die hard" não aceitem essa verdade universal.
Line-up:
Timmo Kotipelto (Vocais)
Timmo Tolkki (Guitarras)
Jari Kainulainen (Baixo)
Jens Johansson (Teclados)
Jörg Michael (Bateria)
Track-list:
1 . Maniac Dance
2 . Fight!!!
3 . Just Carry On
4 . Back To Madness
5 . Gypsy In Me
6 . Götterdämmerung (Zenith of Power)
7 . The Land Of Ice And Snow
8 . Leave The Tribe
9 . United
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