Circa Survive: Uma grata surpresa, mas poderia ter ido além

Resenha - Descensus - Circa Survive

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O Circa Survive foi uma das bandas que eu acabei descobrindo por acaso este ano e acabou se mostrando uma grande surpresa e uma grata adição musical às bandas mais atuais do Rock moderno que eu escuto. Foi quando eu escutei primeiramente o álbum Violent Waves de 2012 e acabei sendo atraído pelo som da banda. Eu já havia falado sobre ele há pouco tempo na minha resenha do álbum. Também acabei indo atrás do material mais antigo do grupo e me surpreendi muito positivamente com o álbum Blue Sky Noise de 2010, ao qual recomendo a todos, talvez eu ainda venha a falar sobre ele de alguma forma.
5000 acessosMetallica: o video game da banda que nunca foi lançado5000 acessosTotal Guitar: os 20 melhores riffs de guitarra da história

De qualquer forma, Violent Waves por si só foi o bastante para me manter antenado à próxima empreitada do grupo, o álbum Descensus, lançado agora em 24 de Novembro. Então foi a conta de eu me deparar com o trailer do álbum no Youtube:

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

Apenas digo que se eu já estava aguardando com uma certa ansiedade o álbum chegar, este trailer me colocou de joelhos! O que viria após aquela bridge final do trailer de tão sensacional? Porque o trailer por si só já é sensacional! A pegada Rush, a batida e o andamento entrecortado característico das melhores bandas progressivas... e aquela capa doida, viajada, meu Deus, preciso checar isso urgente! Aguardei, chegou o dia, escutei e escutei e eis que declaro que Descensus é uma ótima surpresa do ano. Claro, não é um álbum perfeito, tem um ou outro momento que infelizmente destoa um pouco, mas na grande maioria a banda acertou e acertou bonito!

"Schema", cujo clipe pode ser conferido abaixo, é uma pancada progressiva digna das melhores que o Rush poderia fazer. A influência que o trio canadense exerce no som do grupo americano é clara e transparente, eu diria até na cara! Instrumental impecável e uma qualidade musical difícil de se ver, esta abertura do álbum é uma das minhas favoritas desde o começo, inclusive pela letra e por toda a ideia por trás da mensagem. Quem nunca se sentiu arrastando um fardo que outros deveriam estar arrastando? Quem nunca se sentiu tentando explicar algo para alguém que parece não corresponder com a idade física que tem? Quem nunca quis tentar argumentar, mas acabou tomando para si um fardo e até se fingir de desentendido para evitar complicações? Ou acabou ferido de alguma forma. Quem nunca?

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

"Child of the Desert" vem em seguida, mais um dos grandes destaques deste álbum, uma composição enérgica, também com fortíssimas influências de Rush e com passagens alucinantes e uma letra magnífica, falando, no meu entendimento sobre você ser o único em um ambiente inóspito procurando por algo, como uma sombra, mas nunca chegando a lugar nenhum; outros dizem que vão te ajudar mas é apenas para te dar algum tipo de conforto e você terá de enfrentar o ambiente inóspito por si mesmo e superar as adversidades.

Outro momento que achei bacana destacar é a faixa "Only the Sun", que usa um tema de auto-centro metafísico do próprio eu e onde esse eu pretende chegar, de certa forma combina com o videoclipe abaixo, totalmente centrado em metafísica transcedental (e que para alguns pode parecer apenas uma proteção de tela louca) que foi exibido no Youtube logo depois de lançarem o clipe da faixa de abertura, apesar de eu pessoalmente achar que o clipe ficou meio viajado demais, não que viajar seja ruim, mas além da conta, se acaba perdendo o foco de algumas coisas. Enfim, a música em si é ótima.

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

A belíssima canção "Nesting Dolls" também merece destaque aqui, com Anthony Green e sua banda mostrando o lado mais doce e sentimental, muito influenciado pelo Radiohead de seu som, uma belíssima composição, introspectiva e bastante intimista. Em "Quiet Down", a banda volta a acionar o modo Rush e nos entregar mais uma bela composição com um instrumental impecável, passagens muito interessantes como o refrão e uma letra sobre mudanças e adaptações, transformações e auto-conhecimento.

Em "Phantom" temos uma completa mudança de andamento do álbum, eu diria até brusca demais; interessante, não me levem a mal, mas brusca, até meio deslocada. É uma música bonita, com uma levada bem jazzística, mostrando uma versatilidade bastante incomum e inusitada, gosto muito dela, mas acho que caberia melhor no final do álbum ou em um contexto diferente. Enfim, uma composição que, apesar de estar meio fora de contexto, mostra como o grupo pode navegar com facilidade por estilos diferentes e se reinventar.

"Descensus", a faixa longa de quase 9 minutos que fecha o disco é uma faixa OK, interessante em muitas passagens, mas poderia ser um pouco menor, dos 2:41 aos 5:00 minutos ela começa a ficar muito arrastada, você se pega pensando "caramba cara, passa pra frente, vamos!"; eu cortaria um pouco desse miolo que, na minha opinião ficou desnecessariamente longo; sem falar que ela termina seca, simplesmente pára, algo que também não achei legal. Começa bem, mas se perde do meio para o fim. E já que entramos nos problemas do disco de vez, "Always Begin" e "Sovereign Circle" eu achei faixas OK, que não comprometem, mas têm aquela cara de faixas fillers, pra fazer volume no disco, apesar de terem algumas passagens interessantes. Ficou claro pra mim que a banda tenta aqui recapturar alguns momentos de álbuns passados como o On Letting Go, mas neste álbum de 2007 o trabalho musical é bem mais elaborado. Por fim, a curta "Who Will Lie With Me Now" achei uma bridge completamente deslocada e desnecessária, poderia ser tirada do álbum sem comprometer o resulado final, honestamente, não sei o que essa faixa está fazendo no disco, pois nada acrescenta.

De forma geral, o Circa Survive não entregou aquele disco espetacular que eu estava esperando, portanto eu considero Descensus um disco bom, uma grata surpresa, sem dúvidas, acima da média, mas que poderia ter ido um pouco além. Mas tudo bem, não se pode ser brilhante o tempo todo, pelo histórico da banda que conferi após conhecê-la, considero o grupo um dos meus favoritos da atualidade e continuarei, sem dúvidas a aguardar seu próximo lançamento. Recomendo Descensus principalmente para os fãs da banda, mas para o ouvinte iniciante, vá atrás de Blue Sky Noise e Violent Waves, dois discos do grupo que achei sensacionais do início ao fim.

Descensus (2014)
(Circa Survive)

Tracklist:
01. Schema
02. Child of the Desert
03. Always Begin
04. Who Will Lie with Me Now
05. Only the Sun
06. Nesting Dolls
07. Quiet Down
08. Phantom
09. Sovereign Circle
10. Descensus

Discografia anterior:

- Violent Waves (2012)
- Blue Sky Noise (2010)
- On Letting Go (2007)
- Juturna (2005)

Site oficial:
http://www.circasurvive.com

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Circa Survive"

MetallicaMetallica
O video game da banda que nunca foi lançado

Total GuitarTotal Guitar
Os 20 melhores riffs de guitarra da história

A década perdida?A década perdida?
Rock Brasileiro da Década de 70

5000 acessosFotos de Infância: Cradle Of Filth5000 acessosMetallica: Falha geral no sistema de som durante show no RIR5000 acessosAs tatuagens de Rob Halford5000 acessosRob Halford: o verdadeiro significado do Natal5000 acessosKiss: O que Gene Simmons faria se fosse presidente?5000 acessosDerek Riggs: "Eddie vende mais do que Mickey Mouse"

Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

Mais matérias de Ricardo Pagliaro Thomaz no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online