Zona Tribal: Vale pela perseverança nos ideais
Resenha - Zona Tribal - Zona Tribal
Por Mário Orestes Silva
Postado em 19 de dezembro de 2014
Mais uma banda, dentre as que surgiram, na virada do século e continuam em atividades na cidade de Manaus. No ano de 2003 a Zona Tribal lança este seu primeiro CD, homônimo à banda e consegue uma razoável aceitação de público e crítica, não só pela produção do disco, mas sim por seu incansável ritmo de apresentações contínuas, na época.
"Crônica – A Noite" é a canção que abre a bolachinha e exprime logo no início o que se encontrará no restante do disco. Um rock básico calcado diretamente nos grupos do rock nacional da década de 80. A segunda faixa "Em Nome Do Pai" tem uma ótima letra, com uma poesia pronta para fazer refletir qualquer cristão fundamentalista.
A terceira "Aldeia Global" é o maior hit da banda. Já havia ficado famosa na coletânea "Além Da Fronteira – Vol. II" (que também consta a primeira música "Crônica – A Noite"), lançada dois anos antes, mas a música realmente tem uma melodia grudenta. Com um riff que lembra muito a música "Aos Fuzilados Da CSN" dos paulistanos Garotos Podres, a quarta faixa "Suicídio" tem uma letra bem bacana e backing vocals totalmente influenciados por Pixies.
Em seguida vem "Nós Temos Tudo A Ver" que tem uma levada legal e expõe a inspiração no Capital Inicial. "É Tudo" no meio do disco talvez seja a com menos destaque, não apresenta nenhum diferencial marcante e parece muito o grupo Catedral. A próxima "Bandeira Nacional" é uma crítica anti nacionalista com base na ausência de soberania devido à submissão econômica e política do Brasil, ao que é imposto pelas nações desenvolvidas.
Na sequência um bom título: "Apocalipse Segundo O Carnaval". Um pique de punk rock e uma letra bem humorada com um refrão que convida ao coro. "Canção Da Semana" segue sendo outro ponto baixo do disco. Agora já remetendo ao Biquíni Cavadão. Volta um ponto alto com a música homônima à banda. "Zona Tribal" é um punk rock básico que poderia muito bem ter sido gravado pelos Inocentes em sua fase mais comercial.
A décima primeira faixa "Pedras No Liquidificador" é uma boa música esquecida ou ignorada por não ter um bom trabalho de produção. É possível perceber um desafinado da voz numa subida de tom, mas nada que comprometa. A última faixa "Ritual" é outra que tem boa letra e deixa a sensação de que poderia ficar melhor trabalhada. Fechando a bolacha vem um curto instrumental com flauta que mais parece um lamento psicodélico.
O acabamento gráfico até que não é ruim. Com capa de papelão, para contenção de custos evidentemente, o material acaba se tornando vulnerável com o passar do tempo, mesmo com todo o cuidado de um bom colecionador, mas a arte frontal é sugestiva e o encarte conta com foto da banda, fotos artísticas, letras das músicas e créditos detalhados. Fica a ausência de uma produção mais refinada que valorizaria mais ainda o trabalho do grupo. De qualquer forma, vale o registro e o incentivo à Zona Tribal pela perseverança nos ideais.
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