Zona Tribal: Vale pela perseverança nos ideais

Resenha - Zona Tribal - Zona Tribal

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Mário Orestes Silva
Enviar correções  |  Ver Acessos

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Mais uma banda, dentre as que surgiram, na virada do século e continuam em atividades na cidade de Manaus. No ano de 2003 a Zona Tribal lança este seu primeiro CD, homônimo à banda e consegue uma razoável aceitação de público e crítica, não só pela produção do disco, mas sim por seu incansável ritmo de apresentações contínuas, na época.

Metallica: as extravagâncias da banda para tocar no Rock in RioFotos de Infância: Dave Mustaine, do Megadeth

"Crônica - A Noite" é a canção que abre a bolachinha e exprime logo no início o que se encontrará no restante do disco. Um rock básico calcado diretamente nos grupos do rock nacional da década de 80. A segunda faixa "Em Nome Do Pai" tem uma ótima letra, com uma poesia pronta para fazer refletir qualquer cristão fundamentalista.

A terceira "Aldeia Global" é o maior hit da banda. Já havia ficado famosa na coletânea "Além Da Fronteira - Vol. II" (que também consta a primeira música "Crônica - A Noite"), lançada dois anos antes, mas a música realmente tem uma melodia grudenta. Com um riff que lembra muito a música "Aos Fuzilados Da CSN" dos paulistanos Garotos Podres, a quarta faixa "Suicídio" tem uma letra bem bacana e backing vocals totalmente influenciados por Pixies.

Em seguida vem "Nós Temos Tudo A Ver" que tem uma levada legal e expõe a inspiração no Capital Inicial. "É Tudo" no meio do disco talvez seja a com menos destaque, não apresenta nenhum diferencial marcante e parece muito o grupo Catedral. A próxima "Bandeira Nacional" é uma crítica anti nacionalista com base na ausência de soberania devido à submissão econômica e política do Brasil, ao que é imposto pelas nações desenvolvidas.

Na sequência um bom título: "Apocalipse Segundo O Carnaval". Um pique de punk rock e uma letra bem humorada com um refrão que convida ao coro. "Canção Da Semana" segue sendo outro ponto baixo do disco. Agora já remetendo ao Biquíni Cavadão. Volta um ponto alto com a música homônima à banda. "Zona Tribal" é um punk rock básico que poderia muito bem ter sido gravado pelos Inocentes em sua fase mais comercial.

A décima primeira faixa "Pedras No Liquidificador" é uma boa música esquecida ou ignorada por não ter um bom trabalho de produção. É possível perceber um desafinado da voz numa subida de tom, mas nada que comprometa. A última faixa "Ritual" é outra que tem boa letra e deixa a sensação de que poderia ficar melhor trabalhada. Fechando a bolacha vem um curto instrumental com flauta que mais parece um lamento psicodélico.

O acabamento gráfico até que não é ruim. Com capa de papelão, para contenção de custos evidentemente, o material acaba se tornando vulnerável com o passar do tempo, mesmo com todo o cuidado de um bom colecionador, mas a arte frontal é sugestiva e o encarte conta com foto da banda, fotos artísticas, letras das músicas e créditos detalhados. Fica a ausência de uma produção mais refinada que valorizaria mais ainda o trabalho do grupo. De qualquer forma, vale o registro e o incentivo à Zona Tribal pela perseverança nos ideais.




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Zona Tribal"


Metallica: as extravagâncias da banda para tocar no Rock in RioMetallica
As extravagâncias da banda para tocar no Rock in Rio

Fotos de Infância: Dave Mustaine, do MegadethFotos de Infância
Dave Mustaine, do Megadeth

Bateristas: os dez músicos mais loucos de todos os temposBateristas
Os dez músicos mais loucos de todos os tempos

Iron Maiden: Nicko McBrain fala sobre conversão ao cristianismoJames Hetfield: "Você não iria gostar de mim se soubesse minha história"Dave Grohl: ele queria que o Sepultura abrisse para o NirvanaSupernatural: ouça 10 músicas que marcaram a série

Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: - Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.

Mais matérias de Mário Orestes Silva no Whiplash.Net.

adGoo336|adClio336