Dr. Sin: Entre os bons álbuns gravados pela banda

Resenha - Bravo - Dr. Sin

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Por Giales Pontes
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Após um intervalo de longos sete anos sem um álbum de músicas autorais inéditas, o Dr. Sin nos brindou com esse ótimo ‘Bravo’(2007). Eles já haviam lançado os magníficos ‘Dez Anos Ao Vivo’(2004) e ‘Listen To The Doctors’(2005), o primeiro um belíssimo pacote em CD/DVD trazendo a histórica apresentação gravada no SESC Ipiranga em São Paulo(Como eu queria estar lá naquele dia!), já o segundo trata-se de um criativo álbum de covers trazendo músicas roqueiras de grandes bandas como Van Halen, Mötorhead, Black Sabbath e Rolling Stones, contendo a palavra ‘doctor’ na letra ou no título da música, em uma alusão direta ao nome da banda. Mas o último de inéditas havia sido mesmo o saudoso ‘Dr. Sin II’(2000).
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Este ‘Bravo’ é, sem sombra de dúvida, o álbum mais diversificado do power-trio paulista! A progressiva ‘Drowning In Sin’ já começa mostrando essa direção eclética do trabalho. Os teclados na introdução lembram muito o timbre do Oberheim usado por Eddie Van Halen nos 80’s, e então a música explode com a banda toda entrando com raça! As linhas vocais de Andria e Ivan já começam soberbas como de costume. O solo de Edu entrecortado por intervenções de um sintetizador no melhor estilo Rush em seus tempos de ‘Permanent Waves’(1980), é algo simplesmente divino! Tem até uma passagem mais cadenciada lá pelo finalzinho lembrando algo de Dream Theater! E a participação do vocalista Gus Monsanto torna ‘Drowning’ ainda mais especial. Fiquei impressionado com a semelhança que o timbre vocal de Gus possui com o de Michael Vescera. Na primeira audição do álbum, cheguei a jurar que era uma participação do próprio Michael nessa música!

‘Nomad’ se vale de um riff maravilhoso, com umas harmônicas charmosas, daquelas que só o mestre Edu consegue fazer com tanta propriedade. Ivan Busic também dá show: ele é uma espécie de ‘coringa’ no Dr. Sin. O cara é técnico, mas sem exageros. É criativo na medida certa. É eficiente e preciso como um relógio. E se adapta as diversas nuances do álbum como um camaleão. Andria carrega consigo a inexplicável pecha da falta de reconhecimento, assim como o próprio Dr. Sin. Incrível que um vocalista deste porte nunca tenha recebido o devido valor por seu talento! Assim como ‘Drowning In Sin’, esta ‘Nomad’ também apresenta uma passagem cheia daquela quebradeira técnica com muitas variações de tempo e de compasso.

‘Empty World’ é um baque! Uma linda balada ao piano, algo totalmente inusitado no som da banda. A música vai em um crescendo, até encontrar os riffs e solos melódicos de Edu, devidamente assistidos pela batera eficiente de Ivan. ‘Freedom’ faz jus ao título, já que trata-se de uma faixa vibrante do início ao fim, até mesmo lembrando de leve a clássica ‘Fire’ do álbum ‘Brutal’(1995). O solo de guitarra é um dos mais perfeitos que já ouvi! Impressionante! Após uma introdução narrada, ‘Behind Enemy Lies’ entra martelando com a bateria e guitarra pesados em perfeita sincronia, vocais sublimes, melodia discreta e cativante, e muita, mas muita quebradeira. O solo de Edu Ardanuy mais uma vez destrói tudo com a classe de sempre. Na boa, se esse cara fosse americano, sueco ou canadense, há muito já estaria entre os maiores guitarristas de todos os tempos!

‘Taj Mahal’ é outra belíssima surpresa. Uma faixa acústica e percussiva, diferente de tudo que a banda já gravou antes, com uma sonoridade meio oriental, trazendo inclusive timbres de cítara discretamente encaixados entre os acordes de violão. ‘Celebration Song’ é, como diz o nome, uma verdadeira celebração! Ao rock, aos seus fãs, mas principalmente, uma celebração particular da banda para um de seus mestres, o Led Zeppelin. Na introdução ‘longínqua’ podemos ouvir o magnífico timbre “slide guitar” de Edu executando o trecho inicial de ‘In My Time Of Dying’ do clássico ‘Physical Graffiti’(1975) do Led Zeppelin. O que se segue é um autêntico tributo ao histórico quarteto londrino. Até a entonação da voz de Andria vai naquela linha chorosa/gemida de Mr. Plant. O refrão é sensacional. A letra é muito criativa, como uma espécie de poema, todo construído em forma de agradecimento ao “Dirigível de Chumbo”, usando trechos e títulos de músicas da banda de Mr. Plant e Mr. Page. Fantástico!

‘Hail Ceasar’, ‘Signs’ e ‘C’est La Vie’ são outros destaques, tanto por suas qualidades técnicas quanto pela sua diversidade e feeling. As três bem diferentes entre sí. ‘Dream Zone’ é cadenciada, traz umas batidas meio sintéticas em vários momentos da música, também é muito técnica e variada, os vocais são soberbos, enfim. Uma grande música, assim como todas desse álbum.

‘Full Throttle’, ‘Wake Up Call’ e ‘Welcome To The Show’ seguem o ecletismo do álbum, cada uma com o seu carisma singular. Daí temos a maravilhosa balada ‘Think It Over’, que é daquelas para ouvir a noite, na penumbra atmosférica do quarto bebendo um bom vinho na companhia de sua gata. Por fim, a esfuziante ‘Life Is Crazy’, um hardão oitentista naquela linha meio Van Halen, dessas que você escuta uma vez e não consegue controlar a vontade de cantar junto! Riffs, baixo, refrão, solos, todos os elementos tornam essa música, pela própria definição da palavra, perfeita! Alem de Gus Monsanto, ainda temos outras participações especiais nesse CD, tais como o tecladista Rodrigo Simão e o guitarrista Demian Tiguez em ‘Hail Ceasar’, e também Hudson Cadorini (Sim, aquele da dupla sertaneja Edson e Hudson!) em ‘Think It Over’.

Como eu já coloquei antes, o Dr. Sin é uma banda excepcional, que gravou bons e ótimos álbuns. Este seguramente está entre os bons, e só não leva uma nota dez porque antes dele vieram pérolas irretocáveis, tais como ‘Dr. Sin’(1993), o clássico e definitivo ‘Brutal’(1995) e os também ótimos ‘Insinity’(1997) e ‘Dr. Sin II’(2000). E aí ficam apenas duas perguntas: 1) Será que algum dia esses caras farão um álbum ruim? e 2) Será que algum dia receberão o devido reconhecimento? Para o bem e para o mal, estas são duas questões que permanecem sem resposta, mesmo decorridos mais de vinte anos de estrada. Mas como diria a letra daquela música do AC/DC: “It’s A Long Way To The Top If You Wanna Rock And Roll”

Line-up:

Andria Busic (Baixo/Vocais)
Ivan Busic (Bateria/Vocais)
Edu Ardanuy (Guitarras)

Track-list:

1 . Drowning In Sin
2. Nomad
3 . Empty World
4 . Freedom
5 . Behind Enemy Lies
6 . Taj Mahal
7 . Celebration Song
8 . Hail Caesar
9 . Signs
10. C´est La Vie
11. Dream Zone
12. Life Is Crazy
13. Full Throttle
14. Wake Up Call
15. Think It Over
16. Welcome To The Show

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