Dr. Sin: Hard Rock metalizado de primeiríssima linha

Resenha - Bravo - Dr. Sin

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Estamos em uma época extremamente produtiva para os medalhões do heavy metal nacional que fazem história desde a década de 80. Depois de 11 anos, finalmente o Viper lança um disco de inéditas, e à altura de um passado de consideráveis glórias. Na estréia de sua banda solo, André Matos consolida todas as influências de sua carreira e das bandas pelas quais passou num único (e novo) rumo musical. E eis que chegamos a este “Bravo”, do power trio paulistano Dr.Sin. Primeiro álbum de estúdio em sete anos, desde “Dr.Sin II” (2000), trata-se de um lançamento coeso, inteligente, diversificado e que dá gosto de colocar para tocar no CD player. Hard rock metalizado de primeiríssima linha, por vezes mais sujo e visceral, em outros momentos melódico e cheio de sutilezas. Mas sempre tão intenso e provocativo quanto a excelente capa sugere. Nota máxima.

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Tudo bem, os fãs até que seguraram a onda com o duplo ao vivo “Dr.Sin – 10 Anos Ao Vivo” (2003) e o bom disco de covers “Listen To The Doctors” (2005). Mas o que a galera queria era mesmo ouvir novas composições dos irmãos Busic em sua bem-sucedida parceria com o guitarrista Edu Ardanuy. O resultado é certeiro, a começar pela encorpada “Drowing in Sin” e sua levada de metalzão tradicional. E não pára em nenhum momento até chegar em ”Welcome To The Show”, uma música tipicamente Kiss, ideal tanto para abrir quanto para encerrar o disco, cheia daquelas frases de efeito que levantam a galera nos shows.

O interessante é que “Bravo” funciona bem integrado mesmo com a surpreendente variedade de momentos que oferece. Quem curte um hardão grooveado anos 70, na escola do Deep Purple, vai delirar com a trinca ”Nomad”, “Behind The Enemy Lies” e “Hail Cesar”. Os estradeiros vão adorar subir em suas Harley-Davidsons ao som de ”Full Trottle”, devidamente iniciada pela expressão de comando “we’re talking fucking rock ‘n’ roll here”. ”Freedom” é aquele tipo de hard rock festivo, divertido, com uns ligeiros toques de metal melódico – basta ouvir a guitarra acelerada no último ou a bateria do Ivan arregaçando nos pedais duplos. “Dream Zone” carrega fortíssimos ecos do rock progressivo climático do Rush. E diretamente dos anos 80, “Celebration” e “Life is Crazy” servem como uma viagem para a Sunset Strip, reverenciando o Mötley Crüe e seus congêneres. Em dados momentos, aliás, a voz do Andria até lembra a do Vince Neil!

O Dr.Sin prova toda a sua tarimba, contudo, na marcante simplicidade da deliciosa ”C’est La Vie”. É de fato o melhor momento de “Bravo”, com Ardanuy atacando corajosamente com uma levada de guitarra mezzo folk e mezzo Clube da Esquina (pasmem!). E funciona integralmente, sem soar pedante ou menos roqueiro por causa disso. Lá pelo meio da canção, o cara ainda dá uma canja com um riff meio southern rock, num mix country-rock que respira Lynyrd Skynyrd.

Aliás, Ardanuy é mesmo um caso a parte. Dizer que ele é um ótimo guitarrista é chover no molhado. Mas em “Bravo”, é possível dizer que ele é daqueles músicos que se pode chamar de “completos”. Sim, ele consegue ser um virtuoso quando quer. Mas definitivamente não se resume a isso – mostrando que é muito mais do que “veja-mamãe-posso-dedilhar-cento-e-cinqüenta-notas-por-minuto-enquanto-assobio-e-chupo-cana”. Música não é matemática ou malabarismo. E Ardanuy prova ter puro feeling na ponta dos dedos em canções tão diversas quanto a metálica “Signs”, a ensolarada “Wake Up” ou mesmo a açucarada balada “Think It Over”.

Vamos ser sinceros: se toda banda nos fizesse esperar sete anos para colocar no mercado uma reunião de 16 faixas com tamanha qualidade, acho até que valeria a pena. Evitaria tamanhos equívocos de grupos que, sinceramente, deveria ter encerrado as atividades há muito tempo. Bravo, Dr.Sin. Bravo!

Line up:
Andria Busic – Baixo/Vocal
Ivan Busic – Bateria
Eduardo Ardanuy - Guitarra

Tracklist:
1. Drowing in Sin
2. Nomad
3. Empty World
4. Freedom
5. Behind The Enemy Lies
6. Taj Mahal
7. Celebration Song
8. Hail Ceasar
9. Signs
10. C'est La Vie
11. Dream Zone
12. Life is Crazy
13. Full Trottle
14. Wake Up Call
15. Think It Over
16. Welcome To The Show

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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