Nickelback: O álbum "pop" que ninguém pediu
Resenha - No Fixed Address - Nickelback
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 23 de novembro de 2014
Nota: 4 ![]()
![]()
![]()
![]()
Quando se fala nos canadenses do Nickelback, uma coisa é certa: graças a ótimos hits e pelo menos três álbuns marcantes, os caras já tem seu lugar garantido no futuro "rock clássico dos anos 2000". Vou ainda mais longe e digo que o Chad Kroeger e seus comparsas são os reis do chamado "pós-grunge genérico". Porém, como ocorre com qualquer banda comercial em um momento de baixa - nesse caso, após o desgaste criativo e vendas medianas do álbum "Here and Now" (2011) -, as mudanças sonoras para o álbum seguinte seriam inevitáveis.
Em um 2014 marcado pela contínua queda comercial do rock, o Nickelback lança o seu novo álbum, intitulado "No Fixed Address". Pelo visto, os empresários do quarteto se julgaram espertos na crença de que teriam sucesso com uma fórmula mais pop/rock do que qualquer outra coisa feita pela banda em seus álbuns anteriores. Ledo engano, meus caros! O que temos aqui é um grupo de músicos mais perdidos do que surdo em bombardeio.
As faixas "Million Miles an Hour" e "Edge of a Revolution" abrem o álbum com uma produção "lisa" e inofensiva até demais, além de ainda mostrar o desgaste criativo das músicas mais fracas do trabalho anterior. Já a balada "What Are You Waiting For?", ironicamente lançada como single principal, traz um sentimento semelhante ao de experimentar um delicioso açaí insosso de 2 reais feito em um bar. Minha nossa senhora, o que é essa coisa?
Daí para frente, já temos uma ideia da proposta sonora do disco, sempre focada em baterias que tentam soar tão modernas quanto as programações eletrônicas das músicas pop atuais, e em vocais com as mesmas quebras e cortes irritantes que podemos encontrar em um single da Rihanna, por exemplo. Não acredita? Escute a dançante "She Keeps Me Up" e tire suas conclusões de como uma música poderia ser melhor se soasse mais "old school"...
Tentar encontrar alguma substância nas horrendas baladas "Satellite" e "Miss You" chega a ser uma atividade mais inútil do que montar uma sauna no meio do deserto. Por sinal, ao longo do álbum, você terá memorizado uma progressão de acordes que foi utilizada em pelo menos três músicas anteriores - algo semelhante ao que sentimos após ter escutado duas músicas de sertanejo universitário na sequência.
Agora, vamos aos poucos destaques do disco: o rock cru "Get 'Em Up", a safadeza sônica bem sacada de "Got Me Runnin' Round" e as interessantes levadas diferenciadas de "The Hammer's Coming Down" e "Sister Sin". Tais músicas nos dizem apenas que o Nickelback teria encontrado uma boa fonte de renda em uma vertente mais ousada e alternativa.
Concluindo, em "No Fixed Address", o Nickelback mostra que, após uma boa carreira em cima de um modelo que atingiu seus picos nos ótimos álbuns "Silver Side Up", "The Long Road" e no criminalmente injustiçado "Dark Horse", já estava sim na hora de uma mudança de direção. Porém, se os fãs não suportam mais o antigo formato pós-grunge, e o ouvinte comum atual não quer saber de um grupo de "velhos feios" em seus mp3 players, então fica a pergunta: quem é que teria interesse em escutar um Nickelback mais pop? Bem... quase ninguém!
Confira o single "What Are You Waiting For?":
Músicas:
1. Million Miles an Hour
2. Edge of a Revolution
3. What Are You Waiting For?
4. She Keeps Me Up
5. Make Me Believe Again
6. Satellite
7. Get 'Em Up
8. The Hammer's Coming Down
9. Miss You
10. Got Me Runnin' Round
11. Sister Sin
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Seguidores do Whiplash.Net opinam sobre setlist do Sepultura sem músicas da era Max Cavalera
Bruce Dickinson lista os vocalistas que fazem ele pensar "Jamais serei tão bom quanto eles!"
A música mais difícil de tocar do Metallica segundo James Hetfield, Lars Ulrich e Kirk Hammett
Accept lança "Teutonic Titans 1976-2026", álbum que comemora seus 50 anos
Bangers Open Air 2027 - venda geral de ingressos está aberta
Classic Rock ranqueia discografia dos Rolling Stones do pior ao melhor álbum
As músicas do Sepultura que Andreas Kisser não sabia que sumiram do streaming
Por que Iron Maiden nunca usa camisa de outra banda, segundo Regis Tadeu
Os valiosos conselhos que Eddie Van Halen gostaria que todos os guitarristas ouvissem
Iron Maiden anuncia box-set com os 9 primeiros discos em LPs coloridos
70000Tons of Metal anuncia abertura das vendas ao público e primeiras 30 atrações da edição 202
Angra não tem planos para criar músicas novas no momento, afirma Rafael Bittencourt
A música de 1965 que fundou o som do rock clássico, segundo Jimmy Page
Por que Peter Gabriel ligou para Roger, do Ultraje a Rigor, pedindo desculpas
O curioso álbum que une músico brasileiro com Geezer Butler e Josh Homme
Rede Globo: em 1985, explicando o que são os metaleiros
Nelson Motta lembra composição com Erasmo Carlos: "Está entre as cinco melhores que fiz"
Metallica: James Hetfield comenta sobre egos, Mustaine, Load e homossexualidade

Kinetic Orbital Strike despeja treze bombas punk/crust destruidoras
Ürütaü - Trabalho de estreia, qualidade de veteranos
A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão



