Korzus: Não existem momentos ruins ou medianos no álbum
Resenha - Legion - Korzus
Por Fabio Reis
Postado em 13 de novembro de 2014
Alguns lançamentos são aguardados com muita ansiedade por parte dos fãs, muitos correspondem as expectativas criadas e tantos outros acabam por decepcionar uma grande parte das pessoas que ficaram na espera. Muitas bandas causam um verdadeiro burburinho quando anunciam que um novo álbum virá, outras simplesmente trabalham duro, compõem, gravam e lançam registros de ótima qualidade sem fazer muito alarde. O Korzus sempre fez parte deste time.
A banda foi formada no longínquo ano de 1983 e fez parte da chamada
geração de ouro do Metal nacional, se mantiveram no primeiro escalão do nosso Thrash Metal até os dias atuais e verdade seja dita, passaram por uma longa fase de transição, chegando a lançar trabalhos que não possuíam nem o brilho e muito menos a competência de seus primeiros registros.
Do ótimo "KZS" (1995) até "Ties Of Blood" (2004), houve um hiato de quase 10 anos sem nenhum lançamento com músicas inéditas. Após esse período, se passaram mais 6 anos até que o convincente "Discipline Of Hate" (2010), veio por um fim definitivo a algumas críticas que a banda vinha recebendo por parte da imprensa especializada e fãs mais antigos.
Mesmo com o mais recente álbum tendo sido considerado um grande trabalho pela maior parte dos admiradores do estilo, ainda não era uma obra que pudesse ser aclamada como inquestionável, como clássicos do passado do porte de "Sonho Maníaco" (1987), "Mass Illusion" (1991) e o EP "Pay For Your Lies" (1989) foram. Sendo assim, a confirmação de um novo petardo para 2014, não gerou tanta especulação ou ansiedade e com isso, "Legion" foi lançado sem muitas poupas e acabou pegando todos de "calças curtas".
Faria a audição do trabalho de qualquer maneira, como sempre fiz com os álbuns do Korzus e de tantas outras bandas, esperava um bom disco como sempre, com muita personalidade e peso, mas nunca me passou pela cabeça, que estaria ouvindo um dos melhores registros de Thrash Metal do ano. E com toda certeza é.
"Legion" é surpreendente em vários aspectos. A banda finalmente investiu em um álbum, que apesar da produção moderna, soa totalmente "old school". Abandonaram totalmente o famigerado "pula-pula" e investiram em uma sonoridade direta, pesada e sem frescuras, absolutamente condizente com a bela trajetória que possuem.
Musicalmente, Marcello Pompeu tem aqui, a melhor performance de sua carreira. As composição possuem "riffs" sensacionais e solos
milimetricamente pensados, o trabalho de guitarras executado por Heros Trench e Antonio Araújo, sem sombra de dúvidas, é o maior destaque do registro, que ainda conta com a técnica mais que apurada de Rodrigo Oliveira (Bateria) e do mestre Dick Siebert (Baixo).
Não existem momentos ruins ou medianos na audição, todas as faixas passam o seu recado de maneira sucinta, porém algumas merecem destaque por serem totalmente acima da média. "Six Seconds" é fulminante, com um refrão esmagador e um belo solo, "Broken" é mais cadenciada, com um belo "riff" e uma levada contagiante, "Die Alone" é uma faixa tipicamente Thrash, com um forte refrão e um trabalho impecável de Rodrigo Oliveira, "Purgatory", um convite ao "mosh" enquanto "Bleeding Pride", que ganhou um vídeo clipe recentemente, é uma séria candidata a clássico. Rápida, com um refrão que gruda na cabeça e um solo de arrepiar, só não é a melhor música do álbum por que a última faixa se chama "Legion" e é simplesmente uma das melhores canções de toda a carreira do grupo, simplesmente épica.
Pode-se dizer que neste novo trabalho, o Korzus se superou em todos os aspectos, tanto nas performances individuais dos músicos como na qualidade das composições. A produção é soberba e o álbum exala inspiração. Um disco fadado por muitos a ser apenas mais um e surpreendentemente ganha contornos de super lançamento com total justiça. Pode e deve ser aclamado como um dos melhores álbuns de Thrash Metal do ano sem muitas discordâncias. Recomendadíssimo.
Formação:
Marcello Pompeu (Vocal)
Dick Siebert (Baixo)
Rodrigo Oliveira (Bateria)
Heros Trench (Guitarra)
Antonio Araújo (Guitarra)
Faixas:
1 - Lifeline
2 - Lamb
3 - Six Seconds
4 - Broken
5 - Vampiro
6 - Die Alone
7 - Apparatus Belli
8 - Time Has Come
9 - Purgatory
10 - Self Hate
11 - Bleeding Pride
12 - Devil’s Head
13 - Legion
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