Venom: Os 32 anos de "Black Metal"
Resenha - Black Metal - Venom
Por David Torres
Postado em 08 de novembro de 2014
No dia 01 de novembro de 1982 foi lançado através da Neat Records um dos registros mais importantes da história do Metal: "Black Metal", o segundo álbum de estúdio dos britânicos do Venom. Após um "debut" matador e que também e considerada como um dos grandes pilares do Metal, a banda, que na época consistia em um "power trio" composto por Conrad "Cronos" Lant (vocal e baixo), Jeff "Mantas" Dunn (guitarra) e Tony "Abaddon" Bray (bateria) lança um disco de qualidade superior e que demonstra ainda mais o poderio dos músicos. Contando com uma simples, porém marcante arte de capa, além de músicas importantíssimas para a carreira do Venom, o álbum é também extremamente memorável por usar o termo "Black Metal" pela primeira vez. Até hoje, diversos fãs de Metal discutem o gênero em que a banda e o álbum se encaixam. Ouvindo o conjunto da obra, é possível ver claramente que a banda executa uma sonoridade voltada para o Speed/Thrash Metal. O lado "Black Metal" está presente sim, entretanto não na sonoridade executada pelo grupo e sim no conteúdo anticristão e satânico das letras. Ainda que o Venom não seja uma banda de Black Metal e que o álbum não seja, por consequência, um trabalho dessa vertente musical, é inegável a influência e a extrema relevância que a banda e esse registro têm para o Metal Extremo e, por conseguinte, para o Black Metal, é claro. Há poucos dias atrás, essa grande joia da música pesada completou o seu aniversário de 32 anos e certamente deixar de revisitar esse grande trabalho seria um grande pecado, não é mesmo?!
Antes de qualquer coisa, o álbum é dividido em dois lados, sendo eles "Black" (Lado A) e "Metal" (Lado B). Uma curta introdução sonora inicia o lado "Black" e rapidamente abre espaço para os "riffs" infames e crus do hino "Black Metal", faixa título do álbum e clássico indiscutível do Metal. Logo de cara o ouvinte se depara com um andamento veloz e empolgante, acompanhando por um refrão que é simplesmente um dos maiores mantras já escritos dentro do Metal:
"Black Metal
Black Metal
Black Metal
Black Metal
Black Metal
Lay down your soul to the gods Rock'n'Roll!"
Após uma tremenda abertura, é a vez de "To Hell and Back", faixa mais cadenciada, porém não menos interessante por conta disso, muito bem conduzida pela guitarra afiada de Mantas e pela veloz "cozinha" de bateria e baixo comandada respectivamente pelo baterista Abaddon e pelo "frontmen" Cronos. Uma introdução antecede a terceira música do disco, "Buried Alive", outro grande destaque do álbum, com seu ritmo arrastado e pegajoso. Já "Raise the Dead" é um tremendo "Speed Metal" contagiante, uma grande música que não deixa a qualidade do trabalho decair. Em seguida, temos a igualmente sensacional "Teacher’s Pet", apresentando "riffs" grudentos, levadas empolgantes de bateria, além dos vocais rasgados e inconfundíveis de Cronos. Um grande petardo, para variar!
Eis que é a vez do lado "Metal" da obra e ele se inicia com "Leave Me in Hell", a sexta música do álbum. Essa composição é um Heavy Metal visceral e sujo, beirando algo na linha do Motörhead, contando novamente com um trabalho de primeiro do "power trio". A cadenciada e altamente contagiante "Sacrifice" é incumbida de dar continuidade a obra e não faz feio frente as canções anteriores, entregando ainda mais doses incessantes de "riffs" cortantes. Cronos e Cia. voltam a mostrar o seu lado mais "Speed" com a portentosa "Heaven’s on Fire" que conta com palhetadas afiadas do início ao fim, além de uma "cozinha" sempre veloz e completamente entusiástica.
Quando o ouvinte acredita que o álbum não poderia ficar ainda melhor, se iniciam os acordes do hino "Countess Bathory", clássico eterno da banda e presença mais do que obrigatória nos shows. Com letra inspirada na famosa condessa húngara Isabel Bathory, que entrou para a História devido a uma suposta série de crimes hediondos e sádicos que teria cometido, é uma música espetacular, grudenta e muito bem conduzida, apresentando novamente um trabalho excepcional dos músicos, incluindo belos "riffs", mudanças de andamento bem construídas e inseridas de forma adequada, linhas de bateria bem executadas e vocais perfeitamente rasgados que combinar perfeitamente com o instrumental. "Don't Burn the Witch", por sua vez, também é uma ótima faixa e traz novamente um andamento moderado e repleto de "riffs" ríspidos e crus. Finalizando esse grande registro, temos uma curta "Preview" da épica "At War with Satan", cuja versão completa está no álbum posterior de mesmo nome, que se trata de um trabalho semi-conceitual que conta a história de uma guerra entre o Céu e o Inferno, um conflito na qual o Inferno vence.
"Black Metal" é um daqueles muitos trabalhos que, por mais que os anos se passem, sempre irá brilhar mais e mais com o passar do tempo. Uma grande obra, influente até o âmago de sua essência para centenas de artistas, músicos e bandas mundo afora.
"Lay Down Your Souls to the Gods Rock’n’Roll!"
Lado A ("Black"):
01. Black Metal
02. To Hell and Back
03. Buried Alive
04. Raise the Dead
05. Teachers’ Pet
Lado B ("Metal"):
06. Leave Me in Hell
07. Sacrifice
08. Heaven’s on Fire
09. Countess Bathory
10. Don't Burn the Witch
11. At War with Satan ("Preview")
Conrad "Cronos" Lant (Vocal / Baixo)
Jeff "Mantas" Dunn (Guitarra)
Tony "Abaddon" Bray (Bateria)
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