Rider: Qual uma Fênix, fazendo o Metal dos primórdios renascer
Resenha - Streets of Nowhere - Rider
Por Willba Dissidente
Postado em 12 de setembro de 2014
Nota: 8 ![]()
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Você com certeza conhece e curte alguma banda que se chamada "Prefixo" Rider. Entre tantos Night, Thunder, Speed, Easy, Highway, e muitos outros, "Riders", o grupo oriundo de Osasco, região metropolitana de São Paulo, apostou em usar nomenclatura simples e original; tão marcante e de fácil assimilação quanto seu nome: RIDER. "Streets of Nowhere", EP de estréia do RIDER, traz de volta o metal do início da N.W.O.B.H.M., ou seja, marcado, pesado e contagiante.
Ao longo dos quase 21 minutos de música no registro de estréia do RIDER somos transportados no tempo para 1980-1983, aquela época que o Heavy Metal tradicional acabava de nascer, ainda com muita influência de nomes como THIN LIZZY, UFO e outros pioneiros; e grupos como IRON MAIDEN, DEF LEPPARD, MAD MAX e EUROPE ainda eram novidade e tinham sonoridade semelhante. Logo que acabam os poucos segundos de cacofonia que introduzem "Power Of Thunder", a faixa de abertura, podemos perceber algumas características que vão permear todo o trabalho do RIDER: vocais contagiantes e ótimos refrões, bateria pesada e inspirada, baixo costurando o som (cortesia de Victor Oliveira e Klébio Lonewolf, respectivamente) em meio à solos e leads de guitarras com riffs forjados para se bater cabeça.
O trabalho, contudo, não é perfeito. A principal deficiência sendo a gravação, que deixou o som de guitarra pouco ardido, em certos momentos até tímido e calcado em efeitos da pedaleira. Outra crítica é que os vocais ficaram todos "na raça", sem qualquer tratamento posterior, ou efeitos de suavização tão comuns nas partes agudas; o que pode dar impressão de desafinação, o que não se verifica. Ressaltamos que os instrumentistas do grupo fazem muito bem seu trabalho, sendo que tais intempéries em nada cerceiem a diversão que é ao Headbanger curtir o EP do RIDER. César Caçador tem timbre semelhante a Andy Aldrian, da clássica banda alemã STORMWITCH, e assim como esse canta e pronuncia muito bem em inglês, usando um tom alto constante, mas sem abusos. Fernando Steelbones e Luke Couto tem ótimo entrosamento na divisão de riffs, solos e guitarras dobradas na melhor tradição inglesa.
Continuando o trabalho, "Child in the Night" é faixa mais longa do EP e começa com uma promissora e cadenciada introdução. De fato, o RIDER dá preferência à construções grandiosas e bem arranjadas do que à velocidade pura (igualzinho ao começo dos anos 1980). Música título do disco, "Streets Of Nowhere" tem o ponta-pé inicial com o baixo acompanhando as notas dobradas da guitarra, sendo que a bateria vai completando muito bem o desenrolar, que se desenvolve numa parte estilo "Invasion" do MAGNUM, de 1978. Esse compasso retorna ao fim da composição, que tem ótimos background vocals, e vai acelerando ao final, para terminar com uma variação da primeira intro; uma ótima composição com feitura ao estilo "Forever" do Y & T. Fechando muito bem, "Flight Of The Phoenix" é a candidata a ser preferida do público ao vivo. Sabe aquele Heavy Metal que é cadenciado mas não é lento, que o faz bater cabeça e cantar ao ritmo da bateria? É esse, mais uma vez totalmente dentro da proposta da banda; apresentando muitos solos, cantos, leads e pré-refrões. Destaque para o solo de baixo e posterior base deste instrumento quando chega a vez das guitarras mostrarem trabalho nas escalas! Percebe-se, pela cuidadosa finalização, que o RIDER pensou nesse som para encerar o trabalho agradando os Headbangers.
Tal qual bandas que hoje ostentam o status de cult, como o ARIA, SALÁRIO MÍNIMO, ATTACKER, STROOMTROOPER (EUA), ASTAROTH (Brasil) e demais, a estreia do RDIER tem gravação simplista. Ainda que consideramos que essa não faz jus à qualidade do grupo, os fãs mais fanáticos da década de 1980 a julgarão adequada e estranharam a crítica feita acima. Para além de preferências pessoais, o trabalho consistente do RIDER foi gravado, se não de maneira a encher mais o som, de modo que todos instrumentos estão presentes e pesados. Além disso, as composições do jovem grupo, formado em 2011, são de Headbanger para Headbanger, acertando em cheio o gosto de para quem foram feitas. Ouvindo esse disco não é de se estranhar que o RIDER leve ao "Purgatory" do IRON MAIDEN nos shows e tenha abrido show da promissora banda suéca STEELWING, além de estar escalada para se apresentar com - a não menos proeminente da N.W.O.T.H.M. - SKULL FIST...
"Streets of Nowhere", a estreia oficial do RIDER em disco, é adquirido diretamente com o grupo por meio do facebook (links nos sites relacionados). O EP custa R$ 5,00 mais as despesas do frete. O trabalho foi lançado em CD-R impresso, dando aquele clima nostálgico, e vem numa embalagem simples em papelão, com ilustração que lembra as HQ's dos anos oitenta (sem aquele chapado atual nas cores) em tons esverdeados, com uma fênix rosa surgindo ao fundo (assinada pelo guitarrista Luke Couto). A contra-capa é composta com foto do conjunto e demais detalhes técnicos.
RIDER - "Streets Of Nowhere" (2014). Nacional, Independente, 21:48.
01 . Power of Thunder (04:10)
02 . Child In The Night (05:45)
03 . Streets of Nowhere (05:28)
04 . Flight Of The Phoenix (05:03)
Todas as músicas compostas por Steelbones, Lonewolf, Oliveira e Couto, exceto as faixas 01 e 04, que além do quarteto acima tem participação do ex-vocalista Gabriel Highlander.
RIDER:
César Caçador - Vocals
Klébio Lonewolf - Baixo
Luke D. Couto - Guitarra
Fernando Steelbones - Guitarra
Victor Oliveira - Bateria
Sites relacionados (em português / inglês):
https://www.facebook.com/ridermetalband
https://www.facebook.com/rider.metalband.9
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