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California Breed: Mostrando a inquietude de Hughes e Bonham

Resenha - California Breed - California Breed

Por João Paulo Linhares Gonçalves
Postado em 29 de maio de 2014

Nota: 8

Outubro de 2012: com a proximidade do lançamento do terceiro álbum do Black Country Communion, o excelente "Afterglow", Glenn Hughes concedia entrevistas para promover o disco mas acabou "falando demais". Citou a possibilidade daquele álbum ser o último do supergrupo, pela falta de disponibilidade de Joe Bonamassa para excursionar. Cortamos agora para março de 2013: Bonamassa, em entrevista, declarou sua saída da banda. A seguir, Hughes confirmou e disse que o guitarrista não permitiu os remanescentes continuarem com o nome. Era o fim de um supergrupo de duração rápida mas de grande qualidade - três álbuns de estúdio em três anos, um álbum ao vivo, poucos shows e uma polêmica no final.

Este preâmbulo foi apenas para situar o contexto onde surgiu esta nova banda na carreira de Glenn Hughes, ex-baixista e vocalista do Trapeze, Deep Purple e Black Sabbath. Glenn se manteve ao lado do amigo Jason Bonham e recrutou o guitarrista novato (de 23 anos) Andrew Watt, apresentado a Glenn pelo amigo em comum Julian Lennon (filho de John Lennon). Durante o ano passado, Glenn se juntou a Andrew e compôs o repertório deste álbum, gravando o disco em Nashville, EUA. Escolheram como produtor Dave Cobb, que tem em seu currículo produção de álbuns de Chris Cornell e Rival Sons. Em entrevistas e vídeos divulgados na Internet, a banda comentou que o álbum foi gravado como se fosse tocado ao vivo, sem utilizar muitos overdubs.

O álbum, óbvio, traz grandes influências do rock clássico dos anos 70. Não poderia ser diferente, tendo Glenn Hughes como um dos principais compositores. O novato Andrew nos apresenta solos com uma gama variada de influências: de Jimmy Page, do Led Zeppelin, a Mick Ronson, guitarrista da fase mais áurea de David Bowie. Podemos conferir a pegada clássica do California Breed na grande canção de abertura, "The Way", ou em "Midnight Oil", onde o backing vocal feminino dá um toque de Stones à faixa - e um Jason inspirado em seu pai no final. Nesta, e em "Sweet Tea", a banda adicionou um ingrediente a mais, a influência soul de Glenn, dando um tempero especial ao disco. Só que a banda não se prende a estas influências setentistas e trouxe um toque de alternativo e moderno ao álbum, provavelmente pela juventude de seu guitarrista. Como em "Chemical Rain", onde a banda mostra uma pegada meio grunge, anos 90. "Days They Come" e "Spit You Out" também seguem nessa linha moderna. Outro destaque que vale ser citado é "Invisible", um riff pesado de Andrew se contrapondo a uma melodia envolvente cantada por Glenn. Pra fechar o pacote, duas belas baladas, "All Falls Down" e "Breathe", onde Glenn dá um toque especial e todo pessoal ao álbum - em entrevista recente, ele revelou que ambas as canções foram inspiradas em uma cirurgia a que ele foi submetido no ano passado, no coração. Um cara com tamanha experiência no mundo do rock e que passou por mais uma, bem intensa. Não devo esquecer de citar também a faixa bônus, "Solo", um poderoso hard rock que deveria ter entrado no disco como faixa principal, uma bela melodia no refrão novamente se contrapondo à potência da guitarra.

Perdemos o Black Country Communion, mas ganhamos o California Breed, e o melhor de tudo é que esta estreia trouxe um frescor que promete durar por longo tempo. Mostra a inquietude de Glenn Hughes e Jason Bonham, explorando a juventude de Andrew Watt para criar uma nova sonoridade para este novo projeto, calcada no rock clássico, sim, sem negar as origens, mas com um toque de modernidade. Que os bons ventos do rock os tragam para estas bandas sul-americanas, para que possamos conferir ao vivo mais um capítulo na vida destas lendas do rock!

Relação das músicas:
1 - "The Way"
2 - "Sweet Tea"
3 - "Chemical Rain"
4 - "Midnight Oil"
5 - "All Falls Down"
6 - "The Grey"
7 - "Days They Come"
8 - "Spit You Out"
9 - "Strong"
10 - "Invisible"
11 - "Scars"
12 - "Breathe"

Alguns vídeos:

"The Way":

"Sweet Tea":

"Midnight Oil":

Confira esta e outras resenhas no blog Ripando a História do Rock: http://ripandohistoriarock.blogspot.com.br. Grande abraço e até a próxima!

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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.
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