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Carlinhos Brown: vaias e garrafadas no Rock in Rio 2001 foram ato de racismo, diz ele

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Postado em 22 de novembro de 2021

Vinte anos depois da fatídica apresentação no festival Rock in Rio 2001, o cantor Carlinhos Brown compartilhou algumas reflexões sobre o evento em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo". Na ocasião, o artista foi alvo de vaias e garrafadas, entre outras demonstrações de rejeição, ao abrir um dia de shows de Guns N' Roses, Oasis e Papa Roach.

Foto: Reprodução
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Em sua visão, Brown interpreta o episódio como "um dos primeiros cancelamentos" e diz que dentro de uma reação desse tipo, "tem racismo, preconceito contra o gênero, contra a música". Além disso, o músico entende que era um "artista muito frágil" naquele período.

"Precisamos de tempo para observar o que são as coisas. E o cancelamento talvez seja a síntese (daquilo). E dentro do cancelamento tem tudo. Tem racismo, preconceito contra o gênero, contra a música. Eu era um artista muito mais frágil naquele momento, com expectativas gigantes jogadas naquele momento. Eu já estava com música estourada, já tinha criado, com meus amigos, o axé music. Mas eu era frágil com inocências antropofagistas. Me vestia como índio, eu não queria me vestir como o cara do rock n' roll", disse.

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Também conforme apontado por Carlinhos, o criador do Rock in Rio, Roberto Medina, buscou provocar o público ao colocá-lo em um dia destinado ao rock. A edição de 2001 foi marcada por boicote de grandes bandas brasileiras, como Skank, Charlie Brown Jr, Raimundos e Jota Quest, entre outras, contra os baixos cachês e horários pouco privilegiados no line-up.

"Que bom que houve aquele choque porque a gente sabia que, no Rock in Rio, a palavra rock, suas quatro letras, era maior que Rio. Mas a gente também estava dizendo que o Rio é enorme. A música brasileira precisava ser mostrada", disse ele, que se ofereceu para fazer aquele mesmo show em uma edição futura do Rock in Rio.

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Ainda durante a entrevista, Carlinhos Brown disse que gêneros musicais considerados "periféricos" por terem raízes africanas também são alvo de preconceito. "O nosso funk precisou de um neologismo para ser aceito. Porque, na verdade, é a macumba que se eletronizou. Quando olho o funk, eu vejo o candomblé eletrônico", declarou.

A entrevista completa com Carlinhos Brown pode ser lida no site do jornal "Folha de S. Paulo".

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.
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