California Breed: Disco de estreia já é um dos melhores do ano
Resenha - California Breed - California Breed
Por Igor Miranda
Fonte: IgorMiranda.com.br
Postado em 25 de maio de 2014
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Fiquei muito chateado quando o Black Country Communion encerrou as atividades. Não só pelos dois álbuns que a banda apresentou antes da informação pipocar, mas também porque o terceiro, "Afterglow", que já chegou com um gosto amargo (os fãs já sabiam do fim quando o trabalho foi lançado), é o melhor disco do quarteto sem sombra de dúvidas.
Eis que Glenn Hughes e Jason Bonham, ex-integrantes do Black Country Communion, retornaram com força total no California Breed. A proposta é um pouco diferente e até mais versátil. Acompanhados do jovem guitarrista Andrew Watt, os músicos apresentam algo um pouco mais sujo por aqui - em contraponto à finesse de Joe Bonamassa e Derek Sherinian, que completavam o BCC.
O álbum de estreia do California Breed reforça dois pensamentos que eu já tinha. O primeiro é que Glenn Hughes era, realmente, a força motriz do Black Country Communion. Não é para menos: a experiência de mais de 40 anos do cara mostra que ele dispensa comentários. Além da direção artística, a parte da performance é incrível: toca muito e canta como ninguém nesta idade. O segundo é que Jason Bonham já deixou de ser "filho de John Bonham" há um bom tempo. Mas aqui ele se supera.
Para a nova empreitada, Andrew Watt parece ter dado o seu toque. Tenho a impressão de que a sujeira positiva no som é algo da assinatura dele. Sujeira positiva porque, apesar do estilo mais embrulhado de se tocar, Watt é um excelente músico. É possível entender cada nota que ele reproduz. A ausência de teclados, presentes no Black Country Communion, contribui para o peso.
"The Way" abre o álbum de forma pesada. Densa. Insana. Os riffs viscerais, a boa performance de Jason Bonham e o feeling na voz de Glenn Hughes são os atrativos. "Sweet Tea" tem uma pegada classic rock. Refrão grudento e progressão típica. O destaque é a guitarra de Andrew Watt. "Chemical Rain", um pouco mais alternativa e levemente psicodélica, volta a mudar a atmosfera do disco. Apesar de não ter a sofisticação de Joe Bonamassa, é o momento do trabalho que mais lembra o Black Country Communion - provavelmente por conta dos teclados, aqui tocados por Mike Webb. Show vocal de Hughes.
"Midnight Oil" tem um pé fincado no rock da década de 1970. O swing da bateria de Bonham é o chamariz inicial da canção, que cresce no refrão, com participação de vozes femininas. A calma "All Falls Down" conta com a boa performance vocal de Glenn Hughes e um solo arrebatador de Andrew Watt. O garoto é uma revelação. "The Grey" resgata a visceralidade da faixa de abertura do disco. Os berros de Hughes durante o refrão fazem o ouvinte ter vontade de gritar também. Simplesmente sensacional.
"Days They Come" é contemporânea pela tonalidade e progressão melódica. No entanto, alguns momentos mostram influências das décadas de 1960 e 1970. Contraditório? Só ouvindo para entender. O riff de "Spit You Out", música cantada por Andrew Watt, é bem alternativo, mas o refrão é totalmente classic rock. Uma espécie de solo apresenta psicodelia, em contraponto à simplicidade do resto da canção. Faixa básica e divertida.
"Strong" seria um pop rock se não fosse a bateria de Jason Bonham e as palhetadas de Andrew Watt ao estilo "pancada" no violão. "Invisible" é um misto de doom e rock progressivo. Arrastada e pesada, tem alguns momentos de estruturas melódicas mais elaboradas - mas nada virtuose. Ponto fraco. "Scars" lembra os momentos mais diretos do Black Country Communion, pelo estilo de riff. A guitarra é o destaque.
"Breathe" é uma digna power ballad com influência setentista. Mesmo com a entrada da bateria, não perde a melodia. A canção fecha o disco de forma soberba e honrosa. A bônus "Solo" dá um complemento final com muito peso na cozinha, na batida ágil e nos riffs. Apesar do resultado do disco ser ótimo, acho que faltaram algumas canções mais uptempo como esta.
O debut do California Breed dificilmente sairá da minha lista dos cinco melhores de 2014. Discos muito bons precisam ser lançados para desbancar o novo projeto de Glenn Hughes, Jason Bonham e Andrew Watt. A banda veio para ficar.
Glenn Hughes (baixo, vocais)
Andrew Watt (guitarra)
Jason Bonham (bateria)
01. The Way
02. Sweet Tea
03. Chemical Rain
04. Midnight Oil
05. All Falls Down
06. The Grey
07. Days They Come
08. Spit You Out
09. Strong
10. Invisible
11. Scars
12. Breathe
Outras resenhas de California Breed - California Breed
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor cantor do rock nacional dos anos 1980, segundo Sylvinho Blau Blau
A música feita na base do "desespero" que se tornou um dos maiores hits do Judas Priest
"Um baita de um babaca"; o guitarrista com quem Eddie Van Halen odiou trabalhar
Os melhores álbuns de hard rock e heavy metal de 1986, segundo o Ultimate Classic Rock
Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
A voz que Freddie Mercury idolatrava; "Eu queria cantar metade daquilo", admitiu o cantor
A banda punk que Billy Corgan disse ser "maior que os Ramones"
Dave Mustaine explica por que não se interessa por bandas atuais de heavy metal
O guitarrista que Ritchie Blackmore acha que vai "durar mais" do que todo mundo
Mick Mars perde processo contra o Mötley Crüe e terá que ressarcir a banda em US$ 750 mil
Agenda mais leve do Iron Maiden permitiu a criação do Smith/Kotzen, diz Adrian Smith
Os guitarristas mais influentes de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
O que Paulo Ricardo do RPM tem a ver com o primeiro disco do Iron Maiden que saiu no Brasil
Dave Mustaine afirma que Marty Friedman é incrivelmente talentoso, mas muito misterioso
Humberto Gessinger dá graças a Deus por Rock ter perdido espaço na mídia
Roger Waters responde que música do Pink Floyd ele gostaria que tocasse em seu velório
A prática do Chacrinha que o Capital Inicial não aceitou e denunciou para a imprensa


O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Em 1977 o Pink Floyd convenceu-se de que poderia voltar a ousar



