Black Sabbath: Robótico, pop e decadente em Technical Ecstasy

Resenha - Technical Ecstasy - Black Sabbath

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Por Pedro Zambarda de Araújo
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Entre 1973 e 1976, o Black Sabbath passou por transformações depois de estourar com quatro discos: Black Sabbath (1970), Paranoid (1970), Master of Reality (1971) e Vol. 4 (1972). As primeiras mudanças ocorreram em Sabbath Bloody Sabbath (1973) e Sabotage (1975). Technical Ecstasy, lançado no dia 25 de setembro de 1976, é um álbum que traz um heavy metal robótico, um rock profundamente pop e uma banda em um começo de decadência.

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O disco tem um total de oito composições e abre com Back Street Kids, uma música sobre se tornar um astro do rock, ficar alto e ter dinheiro. Apesar dos flertes constantes do Sabbath com o rock progressivo, inclusive colocando Rick Wakemen do Yes em algumas músicas, esta música soa mais punk e mais parecida com a primeira fase da banda, com Ozzy Osbourne cantando com voz desafinada, acompanhada por riffs bem demarcados de Tony Iommi em sua guitarra canhota. Gerald Woodruffe colabora com entradas estratégicas de seu teclado, enquanto Bill Ward (bateria) e Geezer Butler (contrabaixo) fazem a cozinha consistente de fundo.

You Won't Change Me dá uma diminuída no ritmo frenético da abertura do disco e retoma a atmosfera mais densa do Black Sabbath, com efeitos pesados dos instrumentos, mas sem temas muito fantasiosos nos versões. O refrão desta composição, no entanto, mostra o dom de Ozzy para cantar música pop acompanhada por uma guitarra pesada. Esta segunda faixa seria confundida, facilmente, com alguma da carreira solo do Madman, além de conter um dos solos mais rápidos e jazzísticos de Tony.

Eis que surge uma surpresa muito diferente e agradável neste disco, que vale sua compra. It's Alright é uma música completamente diferente do que o Sabbath tinha composto até aquele fatídico ano de 76. Ao invés de ter Ozzy nos vocais, é o baterista Bill Ward que empresta sua voz, tocando bateria ao mesmo tempo. A letra simboliza as brigas pessoais e empresariais que a banda estava tendo na época, endividada com impostos e abusando de bebida e drogas. Bill tentou transmitir, com aquela letra, uma sensação de que tudo vai dar certo, mesmo com todas as dificuldade entre os quatro fundadores da banda. A bateria consistente é novamente acompanhada por outra guitarra elétrica inspirada, dando um brilho ao álbum. O Guns N'Roses faria um cover da música quase duas décadas depois. A música é muito parecida com o som de Beatles, uma das influências fortes do Sabbath, segundo o próprio Ozzy Osbourne (que não canta nesta ocasião).

Gypsy é outra pérola do disco, com uma letra sobre esoterismo, uma cigana e tentações. All Moving Parts (Stand Still) abre a segunda parte do álbum com uma melodia mais ritmadam sobre sentimentos, e como eles estão decadentes. Em seguida, vem Rock 'n' Roll Doctor, sobre como a música nos ajuda a superar problemas. A letra, em parte, reflete as dificuldades de Ozzy com a cocaína e com o excesso de bebedeiras na época.

Ozzy coloca sua história na música She's Gone, sobre os problemas que ele enfrentava em seu casamento com Thelma Riley, mulher que ele agredia e amedrontava com sua personalidade instável. É o momento mais melancólico do disco. Sua vida mudaria, anos depois, com Sharon Arden, a futura empresária de sucesso Sharon Osbourne.

Dirty Women fecha o disco sobre vida noturna, prostituição e vida urbana. Technical Ecstasy só ganhou um disco de ouro no dia 19 de junho de 1997, 20 anos depois do lançamento do material. Foi um álbum complicado na carreira do Sabbath, com a banda mergulhada em dívidas, em brigas e competindo com o emergente punk rock dos Ramones, que prometia acabar com o rock progressivo e com o metal acompanhado por composições mais simples e cruas.


Ozzy tem uma opinião particular sobre o disco, especificamente sobre a capa dele, feita pelo artista inglês Hipgnosis, de Londres. Ele escreveu em sua autobiografia:

"O pior de tudo, no entanto, é que perdemos nossa direção. Não era a experimentação com a música. Parecíamos nem saber mais quem éramos. Um minuto você tinha uma capa como a de Sabbath Bloody Sabbath, com o cara sendo atacado por demônios, e na seguinte tinha dois robôs transando enquanto subiam uma porra de uma escada rolante, que era a arte de Technical Ecstasy. Não estou dizendo que o disco era todo ruim - não era. Por exemplo, Bill escreveu uma música chama 'It's Alright' que eu adorei. Ele cantava também. Tem uma ótima voz e eu fiquei mais do que feliz por deixá-lo cantar. Mas comecei a perder o interesse e fiquei pensando em como seria ter uma carreira solo. Até fiz uma camiseta com 'Blizzard of Ozz' escrito. Enquanto isso, no estúdio, Tony estava sempre dizendo: 'Devíamos soar como o Foreigner', ou 'Devíamos soar como o Queen'. Mas eu achava estranho que as bandas que antigamente influenciávamos agora estavam nos influenciando".

Depois deste disco, Ozzy tentaria sair do Sabbath pela primeira vez. Voltaria para gravar Never Say Die! (1978) e encerrar a fase clássica da banda criadora do heavy metal.


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Sobre Pedro Zambarda de Araújo

Nascido em 1989. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Pedro foi apresentado ao heavy metal através da banda Blind Guardian, em meados de 2004. Ouve e aprecia outros estilos do rock, como o punk, o indie e vertentes mais variadas. Gosta de assistir e cobrir shows.Toca muito mal guitarra, mas aprecia vários tipos de instrumentos musicais.

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