Black Sabbath: 40 anos atrás, solidão técnica em terrível êxtase
Resenha - Technical Ecstasy - Black Sabbath
Por Don Roberto Muñoz
Fonte: Hipgnosis Covers
Postado em 29 de abril de 2016
Morto o espírito contracultural depois da massificação em torno do evento denominado Woodstock, entra o mundo nos virulentos anos 70 sob o signo de uma nova proposta. Irrompe no horizonte o BLACK SABBATH.
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Alheia a palatáveis rádios enaltecedoras da pasteurização e do quantitativo, encontrou a banda também nas capas de seus discos um modo de expressar a obscuridade e o sombrio reverberados em seu pesado som. O sétimo álbum, "Technical Ecstasy", porém, evidenciou uma nova faceta – a melancolia – talvez anunciando, mesmo que não-conscientemente, o fim de uma era, já que seria o penúltimo com OZZY OSBOURNE. Reverberação crepuscular também ocorrida na capa devido à mudança de rumos.
A imagem apresenta um casal cibernético que literalmente relaciona-se entre subidas e descidas nas funestas escadas rolantes representativas de um mundo não afeito ao âmbito emocional onde o toque faz-se necessário. Sendo um mundo artificial, nada mais coerente que evidenciar esta esdrúxula situação por meio de um êxtase técnico, pragmático e desprovido de comprometimentos. Fato verificável na frustração das personagens envolvidas – inteligente continuação do tema na contracapa – que perpetuam solitariamente seus destinos no escabroso espaço. Triste final num clima de post coitum tecnológico impermeável à triunfante sensibilidade da vitória amorosa.
Grande mérito dos mentores da capa - o desenhista Richard Manning e o designer George Hardie - é a exposição artística – dentro de um estilo construtivista pós Arte pop – da cultura tradicional simbólica na diferenciação dos gêneros humanos. Exemplificada situação no I Ching, onde elucidado está, metafisicamente, os tipos: o princípio ativo, masculino, proveniente do céu e o princípio receptivo, feminino, derivado da terra. No caso da capa, o robô masculino vem do alto, possui linhas retas nitidamente marcadas, enquanto o robô feminino vem da base e mantém curvas e sinuosidades inatas a sua característica formal. É justamente tal articulação estética que permite o frescor do novo porque fundamentado no perene.
Apesar das geniais criações artísticas ainda existentes no mundo oferecerem frutíferas possibilidades, o homem moderno desinteressado está de questões complexas. Daí o seu assombro com o surgimento do Heavy Metal, tendo o BLACK SABBATH, como expoente primevo do estilo, utilizando cruzes em colares nos shows, e, ao mesmo tempo, sendo catalogado pela elite midiática da época como "banda demoníaca", etc. Poderia ser diferente se o foco permanece na satisfação imediata, representada ontem pelo circo romano e substituída hoje pela política, televisão e celulares?
Roberto Muñoz, escritor
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