Executer: "Helliday" é pesado, intenso e conciso
Resenha - Helliday - Executer
Por Afonso Ellero
Postado em 09 de maio de 2014
O EXECUTER se prepara para sua primeira tour europeia e vai atravessar o Atlântico com novidades embaixo dos braços. Depois de um hiato de oito anos a lendária banda paulista de thrash metal acaba de lançar seu mais novo trabalho, "Helliday".
Produzido pela própria banda e gravado no Pínola Estúdios (Amparo/SP) o petardo acerta em cheio ao não propor mudanças substanciais aos acordes característicos da banda e mantém a mesma pegada rápida de sempre, o que deve agradar os fãs dessa turma que já tem mais de ¼ de século na cena metálica.

Com a arte assinada por Giovanna Guimarães o álbum já começa com o pé direito ao escolher uma capa criativa e muito bem trabalhada em cima do que o conceito do título propõe.
Com um conteúdo poli temático a banda foge do lugar comum quando o assunto são as letras, que mesclam subjetividade e objetividade ao longo das 8 faixas que compõe o álbum.
Durante os cerca de 30 minutos de duração o que vemos é uma trilha sonora que parece ter sido composta única e exclusivamente para convidar o público para um mosh pit interminável, pois as partes mais lentas podem até ser renomeadas como "menos rápidas", o que não significa dizer que os acordes sejam tocados na velocidade da luz.
Marcelo Béba dita o ritmo utilizando uma pegada rápida e conservadora emendando viradas precisas e atacando os pratos de forma cirúrgica. O mais performático dos músicos ao vivo também mostra a mesma característica no estúdio. Paulo Castro opta pelo pragmatismo na marcação dos momentos mais rápidos para expor seu lado mais técnico nas passagens mais cadenciadas e nas "paradas" da bateria.

Os vocais de Juca Garcia seguem a mesma linha rasgada de sempre, porém se mantém inteligível durante todas as canções sendo possível entender as letras sem precisar do auxílio do encarte.
Riffs simples, solos econômicos (nem por isso menos técnicos) e uma incrível precisão nas mudanças de andamento. Assim são as passagens de guitarra de Elias Siqueira que tem nessa simplicidade o fator que mais chama a atenção, pois ao evitar os devaneios de virtuosidade propõe uma pegada mais enérgica e direta.
O EXECUTER mais uma vez mostra que seu DNA não está nesse ou aquele destaque pessoal. A banda que toca com a mesma formação há 26 anos já percebeu que a somatória dos quatro elementos é que dá a identidade final.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | As canções duram em média quatro minutos e eu destacaria em um primeiro plano a faixa título "Helliday" e "Hangover", primeira música composta para esse álbum e que, em minha modesta opinião, é a melhor do trabalho. Sua letra expressa um pouco do "Way of Life" dos músicos e tem um arranjo menos rápido e mais cadenciado que as demais faixas. Hit pronto, o som lembra um pouco do bom e velho EXODUS.
Já conhecida dos fãs por fazer parte do DVD oficial da banda, "Dawn Speach" funciona tão bem em estúdio quanto ao vivo por conta de sua intensidade e discurso político.
De todas as letras a mais incisiva fica por conta de "Brain Washing Machine". Com uma temática atual a composição faz uma crítica feroz aos pseudo lideres religiosos que fazem uma lavagem cerebral em seus fiéis.
Difícil não acreditar que encontraremos vários elementos desse trabalho na lista dos melhores de 2014, pois basta uma única audição para perceber que se trata de um álbum diferenciado apesar da simplicidade com que foi composto. Talvez seja nessa "descomplicação" e objetividade que esteja escondida a fórmula que tanto agrada os fãs que acompanham a história do EXECUTER.

Pesado, intenso e principalmente rápido. Rápido até demais, já que fica aquela de sensação de "parou por quê?" ao terminar a última faixa.
Comecei essa resenha informando que o EXECUTER atravessará o Atlântico com novidades para os europeus e termino com uma notícia quentíssima: a banda retorna com boa parte do material que será usado na produção de um documentário que contará sua história desde o seu surgimento até o sonho de uma tour internacional. O DVD será produzido por Reginaldo Leme, que não é o que comenta Fórmula 1 na Rede Globo, e deverá estar disponível ainda em 2014.
"Helliday" certamente figurará na história do EXECUTER não como um divisor de águas, mas sim como a consolidação de uma banda do mais puro e autêntico Brazilian Thrash Metal.

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