Almah: Impressiona pela versatilidade e criatividade

Resenha - Unfold - Almah

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Por Felipe Cipriani Ávila
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


“Unfold”, último álbum de estúdio da banda paulistana Almah, impressiona até mesmo os mais entusiasmados fãs do conjunto. No novo álbum podemos encontrar todos os elementos presentes nos anteriores, assim como outros novos e bem vindos. Há muita dinâmica nas composições, de modo que a parte técnica e a virtuose de todos os músicos envolvidos se unem muito bem às melodias mais acessíveis e de uma beleza ímpar!
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Lançado no dia 25 de novembro de 2013, “Unfold” é um álbum versátil e muito variado. O principal compositor da banda, o experiente e aclamado vocalista Edu Falaschi, que já passou por bandas como Mitrium, Symbols, Venus e Angra, compôs grande parte do material no piano, pela primeira vez na carreira, o que reforça esse caráter dinâmico e versátil das canções.

O Almah, que inicialmente era um projeto paralelo do já mencionado Edu Falaschi, que à época ainda estava em plena atividade com o Angra, gravou o seu primeiro álbum de estúdio, autointitulado, no ano de 2006, no dia primeiro de junho, mesmo ano que foi gravado, embora este outro tenha sido lançado apenas meses depois, no final de outubro, o sexto disco de estúdio do Angra, “Aurora Consurgens”. Nesse ínterim, o primeiro álbum do Almah contava com um “Dream Team” do Heavy Metal, com o guitarrista do Nightwish, Emppu Vuorinen, o baixista Lauri Porra, do TunnelVision e que em 2005 passou a integrar o Stratovarius, e o baterista do Kamelot, Casey Grillo. Porém é necessário salientar que essa não era de fato uma banda, e sim um projeto solo do Edu Falaschi, que além de ter composto todas as músicas e letras, também produziu o álbum, gravou o violão e o teclado e criou os arranjos de vozes, guitarra, baixo, bateria, teclado e orquestras. É importante mencionar, antes de focarmos totalmente no último disco de estúdio da banda, “Unfold”, que o “Almah” já mostrava um Edu Falaschi bem mais diversificado, se enveredando por outros gêneros musicais (embora, sempre fiel ao Heavy Metal), o que reforçava o caráter mais experimental de algumas composições contidas no disco.

Foquemos, então, no álbum “Unfold”, e o porquê deste que vos escreve considerá-lo um dos seus melhores e mais criativos trabalhos. A música de abertura, “In My Sleep”, é bem agressiva, pesada e moderna. Pode-se notar, de cara, como o Edu Falaschi está cantando de maneira bem mais solta e livre, o que reforça o seu belo timbre. Ponto para ele.

Em “Beware The Stroke”, que começa de modo acústico e depois fica mais agressiva, temos uma canção bem pesada, não tão rápida, porém com excelentes riffs e solos de guitarra. O trabalho de guitarra de todo o álbum impressiona em vários sentidos, com ambos os guitarristas (Marcelo Barbosa e Gustavo Di Pádua, sendo que o segundo não faz mais parte da banda) esbanjando muito bom gosto nos seus riffs e solos. Outra canção, dentre muitas, que possui um ar de contemporaneidade muito bem vindo.

A próxima música segue mais ou menos a mesma linha da anterior, não tão rápida, porém bem pesada e agressiva, com vocais ora mais rasgados, ora mais melodiosos, principalmente nos refrães. Os refrães, inclusive, são de uma beleza ímpar. Sabe aquela música que logo fica “colada” na mente, devido às belas melodias instrumentais e vocais, e te faz cantarolá-la desde a primeira vez que a ouve? Então, “The Hostage” é, de fato, uma composição muito cativante, tudo isso aliado às passagens bem complexas e intricadas de todos os instrumentos.

Ah, o que pode ser dito sem soar exagerado a respeito da música seguinte do álbum, “Warm Wind”? Edu Falaschi a compôs para a sua filha, de modo que ela é bem emocional e doce. Há de se mencionar a parte lírica, não apenas dessa música, mas de todo o trabalho, que discorrem sobre vários sentimentos e posturas em relação à vida, tudo de modo bem claro.

A próxima música, “Raise The Sun”, que foi o primeiro single do álbum, é mais acessível e cadenciada. Destaque para os belos solos de guitarra e para o trabalho vocal.

Agora é o momento de destacar uma das melhores e mais surpreendentes composições do álbum, e, particularmente, uma das minhas preferidas! “Cannibals In Suits” é uma canção muito pesada, bem agressiva, com elementos e riffs de Thrash Metal. A parte vocal é mais agressiva e rasgada e fica mais melodiosa no refrão, que já vai numa linha mais Heavy/Power Melódico. Um verdadeiro petardo, que mostra toda a criatividade e versatilidade das composições, que “passeiam” por vários gêneros musicais, sem se prender a nenhum rótulo!

A faixa seguinte, “Wings Of Revolution”, é, também, surpreendente em vários sentidos. Pode-se dizer que é uma canção que bebe da fonte do Britpop, de bandas como Coldplay e Kings Of Lion. Sim, sei que essa informação pode soar muito estranha para alguns, mas, aos desconfiados, peço apenas que a ouçam, sem preconceito e radicalismo, e se deliciem com a sua beleza e delicadeza ímpar. Uma canção, realmente, muito bonita e tocante, e de fácil memorização!

Chegamos agora à outra pérola, e outra canção, que, sem sombra de dúvidas, figura entre os destaques! “Believer” é pesada, seguindo bem os moldes do Heavy Metal Melódico. A parte instrumental está sensacional e empolgante, do início ao fim, com um destaque especial ao grande trabalho de bateria do excelente Marcelo Moreira. As linhas vocais, mais uma vez, são muito cativantes, bem soltas e sem exageros! Excelente música, daquela para se cantar de modo entusiasmado nos shows, se esgoelando no refrão!

“I Do” é uma semi-balada, composta pelo ex-guitarrista Gustavo Di Pádua, que foge do comum e do previsível. As linhas vocais seguem mais o ritmo de uma balada, porém há momentos mais pesados, nos quais os riffs de guitarra ficam bem “na cara”. Belo refrão!

As três canções seguintes continuam impressionando pela versatilidade e criatividade. “You Gotta Stand” é, provavelmente, a mais experimental do disco, com diferentes gêneros e elementos musicais se interligando de modo perfeito. Já a próxima, “Treasure Of The Gods” é uma das mais longas, e segue uma linha musical mais progressiva. Embora seja longa, é cativante e “prende” o ouvinte, com todas as suas variações. É uma daquelas típicas músicas que “crescem”, audição após audição. E, para finalizar o álbum, temos a belíssima “Farewell”, canção que o Edu Falaschi compôs em homenagem à sua mãe, que faleceu em 2012. Muito bonita e tocante, que finaliza a obra de maneira perfeita, nos deixando estupefatos diante de uma “viagem sonora” tão rica e instigante!

“Unfold”, provavelmente, é um dos trabalhos mais variados e criativos do vocalista Edu Falaschi. No decorrer da audição conseguimos identificar elementos presentes em toda a sua carreira, tudo isso adicionado às novas influências musicais adquiridas na mesma. Eis uma obra de uma banda inquieta, que não se prende a nenhum rótulo pré-determinado, embora seja uma banda de Heavy Metal, em sua essência, claro. Aliás, álbuns como o “Unfold” mostram o quão rico o Heavy Metal é, e como ele pode se jungir de modo perfeito a outros gêneros musicais, alguns que podem até ser considerados díspares para os leigos ou radicais. O Almah gravou um belo disco de Heavy Metal, com tantos elementos e nuances que, como mencionei no início da resenha, pode impressionar até mesmo os fãs mais entusiasmados. Não entrando no mérito de ser ou não o melhor trabalho da banda ou da carreira dele, mas, certamente, é um dos que mais impressiona, tamanha a versatilidade e criatividade.

No final do mês de março, especificamente no dia 24, em uma segunda-feira, o Heavy Metal nacional ficou abalado e estarrecido pela perda de um dos seus guitarristas mais criativos e técnicos, com uma sensibilidade musical muito acima da média. Paulo Schroeber, que gravou dois grandes álbuns com o Almah, “Fragile Equality” e “Motion”, de 2008 e 2011, respectivamente, além seu trabalho solo, “Freak Songs”, de 2011, e de outros trabalhos e passagens por bandas importantes para a cena musical, de um modo geral, faleceu em decorrência de problemas no coração. O vocalista Edu Falaschi postou em sua página oficial do Facebook um vídeo contendo cenas da gravação do último disco de estúdio gravado pelo Paulo com o Almah, o excelente “Motion”, mostrando como ele, além de ser um ótimo músico, muito diferenciado e criativo, tinha também um senso de humor ímpar, mesmo com todos os problemas de saúde que possuía. Nesta mesma postagem, Edu escreveu que vendo tal vídeo ele se sentia ainda mais determinado a prosseguir com o trabalho com o Almah, já que o seu amigo amava a banda. Meu caro, tenha a certeza de que com o “Unfold” você já provou que está prosseguindo a fazer música de ótima qualidade, de modo incontestável! Continue com o excelente trabalho! Independente de onde o Paulo Schroeber estiver, certamente a sua arte e o seu legado são eternos, e ele está acompanhando a carreira do Almah, de algum modo!

Formação da banda à época da gravação:

Edu Falaschi: Vocal, violão e teclado
Marcelo Barbosa: Guitarra
Marcelo Moreira: Bateria
Raphael Dafras: Contrabaixo
Gustavo Di Pádua: Guitarra

Faixas:

1 – In My Sleep
2 – Beware The Stroke
3 – The Hostage
4 – Warm Wind
5 – Raise The Sun
6 – Cannibals In Suits
7 – Wings Of Revolution
8 – Believer
9 – I Do
10 – You Gotta Stand
11 – Treasure Of The Gods
12 – Farewell

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Sobre Felipe Cipriani Ávila

Headbanger convicto e fanático, colecionador compulsivo de discos, não vive, de modo algum, sem música. Estudante de Jornalismo e Letras. Procura, sempre, se aprofundar no melhor gênero de música do mundo, o Heavy Metal, assim como no Rock’n’Roll, de um modo geral, passando pelo clássico, pelo progressivo, pelo Hard setentista e oitentista, e não se esquecendo do Blues. Play It Loud!

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