Sonata Arctica: Volta às raízes, ma non tanto
Resenha - Pariah's Child - Sonata Arctica
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 28 de março de 2014
Seguindo os passos da banda alemã EDGUY, o SONATA ARCTICA resolveu lançar um álbum "de volta às raízes". Voltar às raízes, no caso, era um desafio e tanto, considerando o quão distante o SONATA foi para inovar seu som. Para esta aventura, não contaram com seu antigo baixista MARKO PAASIKOSKI, que decidiu sair da banda em 2013 e logo foi substituído pelo competente PASI KAUPPINEN, que já havia trabalhado na parte técnica de três álbuns e dois DVDs do quinteto.
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Pariah's Child abre com a morna "The Wolves Die Young", primeiro single e vídeo. O segundo single e quarta faixa, "Cloud Factory", segue mais ou menos a mesma linha. Nem muito pesada, nem muito moderna, mas ao menos traz um breve duelo entre o guitarrista ELIAS VILJANEN e o tecladista HENRIK KLINGENBERG - aproveite, pois é um dos poucos momentos de "fritação" que você ouvirá aqui.
A segunda faixa, "Running Lights", dá sinais de que a volta às raízes era papo sério. O belo trabalho de TOMMY PORTIMO na bateria, não por um acaso, foi uma homenagem ao alemão JÖRG MICHAEL, ex-STRATOVARIUS, segundo declaração de TOMMY em uma série de dois vídeos de comentários faixa-a-faixa. A quinta faixa, "Blood", uma das mais agressivas e com leves toques progressivos, reforça a intenção da banda de voltar ao que era antes. Mas a coisa parece ter morrido mais ou menos por aí mesmo.
"Take One Breath", por exemplo, é uma das mais experimentais do disco e talvez até de toda a carreira do grupo. A melancólica "What Did You Do in the War, Dad?" até tem alguns traços do antigo SONATA, mas isto fica ofuscado pela atmosfera e a história de sua letra, escrita pelo vocalista, tecladista e principal compositor TONY KAKKO.
Embora a banda tenha antecipado "Half a Marathon Man" como uma faixa "simples e fácil", esta terminou sendo uma das melhores do disco. Abrindo e fechando de forma relativamente serena, o "recheio" foi muito bem preenchido por ELIAS e HENRIK, que trouxeram aqui uma combinação de riffs de guitarra e de órgão reminiscentes do rock setentista/oitentista, mas com os temperos sonatanos que qualquer um esperaria.
"X Marks the Spot" é uma espécie de "Cinderblox II", embora não tenha os toques de música country que deram tão certo na canção do disco anterior. Mesmo assim, tem um clima bem humorado e alegre que caiu muito bem aqui. "Love" é a balada do álbum e futuro segundo vídeo, e uma resposta de TONY aos que dizem que ele escreve apenas histórias trágicas de amor. Aqui, ele fala de um casal que se conhece na juventude e permanece junto até a morte. Clichê ao extremo, mas é necessário admitir que a música é realmente bela e merece um bom vídeo.
Fechando o disco, "Larger Than Life", a faixa épica de quase dez minutos, marcando a primeira vez que a banda investe em algo tão longo desde "White Pearl, Black Oceans...", do Reckoning Night. Grandiosa, a faixa traz orquestrações e alternância de climas e ritmos, lembrando o trabalho mais recente do NIGHTWISH, Imaginaerum. Só faltou um "pequeno" detalhe: solos. Quem ouve uma música deste tamanho num álbum de power metal espera ao menos um solo que faça jus à ela, como aconteceu em "The Power of One", do Silence. Não houve esta preocupação aqui, tampouco na maior parte do álbum. Não que isso tenha arruinado a faixa, ela é boa, mas fica a sensação de que faltou algo.
O que concluir da audição das dez faixas de Pariah's Child? Ele é uma volta às raízes, ma non tanto. Faltam aspectos que marcaram a primeira metade da carreira do grupo. Cadê os solos frenéticos de guitarra e teclado, por exemplo? Eles estavam presentes nas melhores músicas dos primeiros três discos da banda.
Seria muito difícil cobrar que a banda voltasse realmente às raízes quando ela está sem os maiores responsáveis pelo seu antigo som: o tecladista MIKKO HÄRKIN e o guitarrista JANI LIIMATAINEN. Sem desmerecer os atuais responsáveis por estes instrumentos - cada um é bom naquilo que faz. Mas voltas às raízes fazem mais sentido em bandas como EDGUY, cuja formação pouco mudou ao longo da história.
A grande ironia deste trabalho é que os melhores momentos são justamente os que remetem à fase mais recente da banda - da qual o SONATA não se desprendeu tanto quanto alguns esperavam. Não é que o álbum não seja bom. Mas a banda disse que seria uma volta às raízes, então, ele foi analisado como tal. Se voltar às raízes era apenas fazer músicas um pouco mais rápidas, então o SONATA ARCTICA esqueceu o que realmente fez dele um dos melhores nomes do gênero.
Abaixo, o vídeo de "The Wolves Die Young":
Track-list:
01. "The Wolves Die Young"
02. "Running Lights"
03. "Take One Breath"
04. "Cloud Factory"
05. "Blood"
06. "What Did You Do in the War, Dad?"
07. "Half a Marathon man"
08. "X Marks the Spot"
09. "Love"
10. "Larger Than Life"
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