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Judas Priest: Seria "Point of Entry" seu disco mais esquecido?

Resenha - Point of Entry - Judas Priest

Por Diogo Bizotto
Fonte: Consultoria do Rock
Em 20/03/14

Quando se fala de álbuns não muito queridos pelos fãs do JUDAS PRIEST, o primeiro que vem à lembrança geralmente é "Turbo" (1986), tido como um esforço proposital do quinteto a fim de transformar sua sonoridade em algo que pudesse encaixar-se no contexto "hair metal" da época e conquistar sucesso ainda maior que aquele que o grupo inglês já vinha obtendo ao redor do mundo. Outros exemplos de discos não exatamente muito bem aceitos pela maioria dos apreciadores da banda são aqueles lançados com o vocalista Tim "Ripper" Owens, mais especialmente "Demolition" (2001), cuja mistura de estilos, talvez visando agradar diferentes tipos de fãs, não foi bem recebida, resultando no posterior retorno de Rob Halford e em um caminho mais focado com o ótimo "Angel of Retribution" (2005).

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Outro lançamento deixado bastante de lado quando o assunto é relembrar as glórias do JUDAS PRIEST é "Point of Entry". Ensanduichado entre dois álbuns tidos quase unanimamente como clássicos não apenas dos ingleses, mas do heavy metal em geral – "British Steel" (1980) e "Screaming for Vengeance" (1982) -, "Point of Entry" é visto como uma espécie de "patinho feio" da segunda fase do grupo, quando, adotando um estilo mais simples e direto, conquistou grande público, tornou-se atração internacional e atingiu milhares de garotos que deram início a suas próprias bandas, influenciados por músicas como "Breaking the Law", "Living After Midnight", "Metal Gods", "The Hellion/Electric Eye" e "You’ve Got Another Thing Comin’".

JUDAS PRIEST em 1981 - Rob Halford, Dave Holland, Glenn Tipton, K.K. Downing e Ian Hill
JUDAS PRIEST em 1981 - Rob Halford, Dave Holland, Glenn Tipton, K.K. Downing e Ian Hill

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E por que raios não incluir entre as citadas "Heading Out to the Highway", "Hot Rockin’", "Desert Plains" e "Solar Angels"? Comparando-as com as outras logo acima, muito provavelmente as mais famosas de seus álbuns correspondentes, não ficam a dever, e, honestamente, julgo-as até melhores. O leitor pode até argumentar – com razão – que a quantidade de grandes canções presentes em "British Steel" e "Screaming for Vengeance" transcende as citadas, e eu seria um hipócrita em discordar. Senão vejamos: "Rapid Fire", "Steeler", "Riding on the Wind", "Bloodstone", "Screaming for Vengeance"… "Mas Diogo, qual é a moral desse artigo então?", pode perguntar o leitor, e eu afirmo: sei que é difícil, mas aprendam, ao menos de vez em quando, a deixar as comparações de lado, pois cada vez mais fica evidente o quanto "Point of Entry" é esquecido em função da grandeza de seus clássicos predecessor e sucessor. Críticas mesmo, embasadas, pouco as leio ou escuto a respeito do disco.

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Não é difícil entender o porquê. A citada "Heading Out to the Highway" abre o álbum com um dos riffs mais legais que já brotaram das mãos dos guitarristas Glenn Tipton e K.K. Downing, convidando o ouvinte a pisar no acelerador e encarar a estrada, acompanhado da voz de Halford entoando um refrão que lhe confere a cara de evidente primeiro single e videoclipe, fato que foi bem aproveitado e ajudou a popularizar ainda mais o nome do JUDAS PRIEST nos Estados Unidos, onde, assim como no Japão, o disco foi lançado com uma capa diferente. Vale ainda citar seu belo solo, executado em dueto, simples e cativante. "Don’t Go" pode não ser tão boa quanto, mas de maneira alguma compromete, trazendo ainda mais um daqueles refrãos fáceis, também lhe carimbando o status de single e vídeo, dessa vez sem o mesmo sucesso de "Heading Out to the Highway".

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Capa de Point of Entry nos Estados Unidos e no Japão
Capa de Point of Entry nos Estados Unidos e no Japão

A coisa esquenta bastante com "Hot Rockin’", protagonista de um dos videoclipes mais hilários (e, de certa forma, pioneiros) da história do rock pesado, exibindo cenas da banda em uma academia de ginástica, um vestiário coletivo e sauna, além de rumar para um show em que o quinteto faz jus ao nome da música e toca enquanto as guitarras de Tipton e Downing e as baquetas de Dave Holland estão em chamas, assim como as botas de Halford e até seu microfone! Felizmente toda essa brincadeira não atenuou o impacto da canção, um heavy metal de alta octanagem impulsionado pela ótima produção de Tom Allom, que iniciou sua parceria com o JUDAS PRIEST em "British Steel" e só foi encerrá-la com "Ram It Down" (1988). As guitarras, que no antecessor já soavam excelentes, galgaram mais um degrau de qualidade em "Point of Entry", soando afiadas como nunca, límpidas e com personalidade. Apesar de não ser uma faixa de destaque, "Turning Circles" bate cartão sem prejudicar o conjunto, mas engrossando os argumentos daqueles que enxergaram "Point of Entry" como uma tentativa de ampliar o público do grupo para fora das barreiras do heavy metal.

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É na canção seguinte que reside a maior razão para que este artigo esteja publicado. Falo de "Desert Plains", que julgo ser, não apenas a melhor do álbum, disparado, mas a mais impressionante música do JUDAS PRIEST pós-"Stained Class" (1978), superando inclusive diversos clássicos indiscutíveis que também idolatro, como "Delivering the Goods", "Hell Bent for Leather" ("Killing Machine", 1978), "The Sentinel" ("Defenders of the Faith", 1984) e "Painkiller" ("Painkiller", 1990). Guiada por um riff que se repete hipnoticamente, mas sem se sobrepor aos outros elementos, "Desert Plains" desliza sobre uma linha de baixo pulsante, certamente uma das melhores de Ian Hill, e desemboca em um refrão econômico ("From desert plains I bring you love"). Não há grande pirotecnia, nem mesmo os solos são dos mais faiscantes: "Desert Plains" é bela na inteligente simplicidade de seus arranjos; pouco material, mas muitíssimo bem arquitetado, que ao vivo é ainda mais fantástico. Sua letra também é digna de nota, evocando metáforas de maneira sutil, como poucas bandas de heavy metal são capazes.

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Outro grande destaque de "Point of Entry" é a pouco lembrada "Solar Angels", bem trabalhada nos efeitos das guitarras de Tipton e Downing, soando como nada que o grupo tivesse feito até então e reforçando a tese de que o JUDAS PRIEST não se limitava a oferecer o mesmo disco atrás do outro, sempre buscando explorar caminhos diferentes a cada lançamento, mesmo que as experimentações nem sempre funcionassem, como é o caso da música seguinte, a bobinha "You Say Yes", mais fraca do álbum. Nas palavras de Glenn Tipton: "Existem [em "Point of Entry"] faixas que não são minhas favoritas, como ‘You Say Yes’. São melódicas e boas, mas, na minha opinião, não são verdadeiras canções do JUDAS PRIEST. Foram experimentações, e não há nada errado com isso". "All the Way" também segue uma linha descompromissada, mas é mais interessante, talvez refletindo o clima das gravações ocorridas no Ibiza Sound Studios, na ilha espanhola de Ibiza, localizada em meio ao Mar Mediterrâneo. Segundo as notas referentes ao relançamento remasterizado de "Point of Entry", o local era recheado de "múltiplas distrações, sol glorioso e bebidas alcoólicas baratas", além de "ataques de mosquitos", elementos que muito provavelmente influenciaram a concepção do disco, trabalhado majoritariamente em Ibiza, sem composições previamente construídas.

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Gravando o videoclipe para Hot Rockin
Gravando o videoclipe para Hot Rockin

"Troubleshooter" segue a linha de "Don’t Go", mas sem a mesma qualidade nem um refrão tão bom quanto. Não chega, contudo, a causar rejeição. A última música, "On the Run", eleva os ânimos e traz novamente à tona o JUDAS PRIEST mais metálico de "Hot Rockin’", encerrando "Point of Entry" em um nível não tão alto quanto sua abertura, mas satisfatório, e certificando-me que, apesar de não julgar merecer lugar entre meus favoritos do grupo ("Sad Wings of Destiny", 1976; "Sin After Sin", 1977; e "Stained Class"), também não merece a desatenção a ele dispensada, soando bem mais interessante que muitos outros álbuns da banda inglesa, caso de "Turbo", "Ram It Down", "Jugulator" (1997), "Demolition" e "Nostradamus" (2008). Aproveite agora o espaço de comentários para manifestar sua opinião a respeito de "Point of Entry" e, quem sabe, mudar meu entendimento sobre seu conceito junto aos fãs. Ou então, fazer com que eu continue achando que sou dos poucos que dá valor ao disco, pregando em uma planície desértica para mais ninguém…

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Track list:

1. Heading Out to the Highway
2. Don’t Go
3. Hot Rockin’
4. Turning Circles
5. Desert Plains
6. Solar Angels
7. You Say Yes
8. All the Way
9. Troubleshooter
10. On the Run


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