Beck: Álbum flui fácil, confortável, e possui belíssimas canções
Resenha - Morning Phase - Beck
Por André Espínola
Postado em 09 de março de 2014
Um dos artistas mais irreverentes, inventivos e originais dos Estados Unidos, Beck, está de volta após longos seis anos de relativa ausência.
A ausência de fato nunca foi completa. Beck manteve-se ocupado no showbizz em diversas atividades, as mais interessantes sem dúvida foram as produções de alguns ótimos álbuns, como Mirror Traffic, de Stephen Malkmus, e Demolished Thoughts, de Thurston Moore, do Sonic Youth. Em 2014, Beck lança o primeiro disco inédito depois de Modern Guilty, de 2008, com o discurso de ser mais focado num único estilo, algo como o sucessor de sua obra prima de 2002, Sea Change, ou seja, um som mais acústico, folk californiano. Na verdade, Morning Phase é um dos álbuns que Beck tem pronto. O segundo tem outro enfoque, outra pegada. Beck sempre foi o tipo de artista que valoriza bastante o formato de álbum, tentando manter uma proposta inicial, algo desde efusões experimentais, como é o caso de alguns dos seus trabalhos mais aclamados, como Mellow Gold, de 1994 e Odelay, de 1996, ou algo mais tradicional, como meu favorito já mencionado Sea Change. E é assim que Morning Phase foi concebido.
No entanto, pode-se perceber algumas diferenças importantes em Morning Phase. De acordo com o próprio Beck, Morning Phase é emocionalmente mais leve que o seu antecessor, bem mais melancólico e pesado. Embora ainda possa ser encontrados aqui vestígios de pensamentos e emoções sombrias, como em "Wave", o tom que guia o trabalho é algo mais reflexivo, até mesmo mais otimista. A faixa de abertura, "Morning", já é uma agradável brisa soprando na face sonolenta, que abre a janela para ver como está o dia lá fora, às vezes com uma esperança no recomeço, outras vezes com um pingo de tristeza nostálgica. "Looked up this morning, saw the roses full of thorns". A esperança e a satisfação de se está vivo pode ser evidenciada por "Heart Is A Drum", mostrando uma atitude amadurecida para lidar com a dor e as frustrações da vida.
Em "Say Goodbye" é cheia de imagens de rompimentos e adeuses. 'Cause these are words we use to say goodbye". No entanto, o narrador parece um pouco distante do personagem. Não soa tão sentido, tão absorvido pela dor como nos grandes momentos de Sea Change, por exemplo. A música, com uns solos de banjo, não soa tão pra baixo assim. Provavelmente foi por causa dessa dissonância que em Morning Phase, apesar de ser um álbum muito bom, não chega a deslumbrar como Sea Change. A sequência continua com a ensolarada "Blue Moon", antes de entrar nos momentos mais sombrios, com os dois números "Unforgiven", sem dúvida uma das mais tocantes, exatamente porque há essa união, e "Wave", um pouco mórbida demais.
Exatamente surgindo depois de pensamentos sombrios, na bela "Don’t Let It Go" a autoconfiança e esperança retornam. É a força que se tem que tirar de si mesmo para continuar, não perder o rumo, o controle. "Backbird Chain" continua o clima confortável, romântico e ensolarado. Em "Turn Away" dá para sentir uma pontinha de Bon Iver no estilo de Beck cantar a melodia, acompanhada no violão, muito bonita. "Country Down" tem um ritmo delicioso e com um solo irresistível de gaita. Morning Phase se despede com a grandiosa "Waking Light", que resume toda essa viagem de emoções diárias. Algo como recepcionar a noite ainda com o dia na cabeça. "When the morning comes to meet you Open your eyes with waking light".
Analisando friamente, Morning Phase é um sucessor que não supera o seu antecessor. No entanto, essa constatação está longe de tirar todo o brilho de Morning Phase, que flui fácil, confortável, e que possui algumas belíssimas canções. Um bom exercício para compreendê-lo melhor é ouvi-lo exatamente após Sea Change. Aí sim visualizamos o teor dos pensamentos da noite, representados por Sea Change, e, em contraponto, o alívio com a chegada da manhã.
Tracklist de Morning Phase:
1. "Cycle"
2. "Morning"
3. "Heart Is a Drum"
4. "Say Goodbye"
5. "Blue Moon"
6. "Unforgiven"
7. "Wave"
8. "Don't Let It Go"
9. "Blackbird Chain"
10. "Phase"
11. "Turn Away"
12. "Country Down"
13. "Waking Light"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
A melhor música de heavy metal de cada ano da década de 1980, segundo a Loudwire
Os 5 álbuns de rock que todo mundo deve ouvir pelo menos uma vez, segundo Lobão
O disco de thrash metal gravado por banda brasileira que mexeu com a cabeça de Regis Tadeu
Para Geezer Butler, "13" não foi um álbum genuíno do Black Sabbath
"Até quando esse cara vai aguentar?" O veterano que até hoje impressiona James Hetfield
A melhor banda ao vivo de todos os tempos, segundo Joe Perry do Aerosmith
O ícone do heavy metal que foi traficante e andava armado no início da carreira
"Suas calças fediam"; Linda Ronstadt diz que The Doors foi destruída por Jim Morrison
Peter Criss não escreveu "Beth" e bateria não é instrumento musical, diz Gene Simmons
A triste balada do Skid Row que fala sobre ex-baterista do Guns N' Roses
A banda "rival" do U2 que Bono admitiu ter inveja; "Eles eram incríveis"
Rob Halford, o Metal God, celebra 40 anos de sobriedade
As 15 maiores bandas de rock brasileiro de todos os tempos
A pior banda que Mick Jagger já ouviu: "Horrível, lixo, estúpido, porcaria nauseante"
King Diamond: o "Rei Satânico"

Edguy - O Retorno de "Rocket Ride" e a "The Singles" questionam - fim da linha ou fim da pausa?
Com muito peso e groove, Malevolence estreia no Brasil com seu novo disco
Coldplay: Eles já não são uma banda de rock há muito tempo



