Andromeda: Mais frio, técnico e profundo que seu antecessor
Resenha - Andromeda: II = I (Two is one)
Por MATHEUS BERNARDES FERREIRA
Postado em 02 de novembro de 2013
Segundo álbum do grupo sueco de metal progressivo Andromeda, II = I (ou Two is One) apresenta uma grande mudança na musicalidade em comparação ao álbum de estréia Extension of the Wish, inclusive na formação. O contrabaixista Gert Daun e o vocalista Lawrence Mackrory foram dispensados. O guitarrista Johan Reinholdz assumiu as cordas do contrabaixo e David Fremberg o microfone principal, o que ele já havia feito quando a banda regravou todo o álbum de estréia com seus vocais, que inclusive contava com duas faixas inéditas. Se na regravação de Extension of the Wish a presença de sua voz acarretou uma mudança notável no conceito musical da banda, em II = I temos a consolidação deste conceito.
Novamente a composição é basicamente orientada pela guitarra, mas não necessariamente por riffs metálicos. O álbum é cadenciado pela utilização excessiva de riffs técnicos solados e quebrados, tanto das guitarras quanto do teclado. Reinholdz e Hedin nunca estiveram tão exibicionistas. A batida toda errada da bateria só agrava a sensação de falta de fluidez, criando uma música encaroçada e difícil de digerir. Exemplo claro disso é a faixa instrumental Morphing Into Nothing, música sem pegada e de poucas melodias marcantes, que explora
indiscriminadamente o virtuosismo egocêntrico de cada instrumentista da banda, resultando numa faixa um tanto desconexa, sem sentido. Essa falta de sentido pode ser observada em todas as outras faixas, umas mais, outras menos, mas que, de modo geral, compromete o andamento do álbum como um todo.
Cantando o álbum praticamente com o mesmo timbre, David Fremberg pouco adiciona no quesito empolgação. O cara canta simples. Nenhuma nota alta, nada de coros, nenhum efeito destacável, e quando tentou um vocal rasgado, não impressionou. Em contraste com a megalomania instrumental, o vocal parece totalmente deslocado. O contraste canto simples / instrumental complexo falha miseravelmente já que nenhum dos dois empolga.
Pelo menos duas faixas merecem destaque positivo. A primeira é a faixa-título Two is One, que, mesmo sofrendo com a letargia do vocal de Fremberg, abre com dedilhado acústico de extremo bom gosto, traz versos suaves acompanhados da espetacular ambientação feita pelo teclado de Hedin, além das excelentes sessões rítmicas em sua segunda metade. A segunda faixa é a bela e erudita Castaway. Composta totalmente em piano e dedilhados acústicos, combina perfeitamente com a voz suave de Fremberg, mostrando que o garoto se daria muito bem se seguisse carreira na música romântica. A passagem instrumental dessa música é espetacular, um convite a viajar por galáxias afora.
O fato de as duas faixas que mais se destacam positivamente em II = I serem parcialmente ou totalmente acústicas só reforça a evidente falta de convicção metálica deste álbum. Entretanto, por mais que todas as faixas do álbum possuam trechos acústicos ou ritmos cadenciados, ainda é possível ouvir algum metal de qualidade, com belas melodias e ritmos animadores. É o caso da ultima faixa, This Fragile Surface, que apresenta bons versos, uma espetacular virada para o refrão, principalmente no segundo, e um refrão com uma brilhante ambientação em teclado de puro exotismo sideral. Boa composição, mas que peca por se tornar repetitiva e enjoativa pelas excessivas rupturas rítmicas. Outras duas faixas que também possuem seus bons momentos são Mirages e Reaching Deep Within, mas não é nada de espetacular, o que desaponta quando sabemos do que esses caras são capazes.
Para quem esperava um álbum na linha do Extension of the Wish, irá se decepcionar com II = I. Retire boa parte do peso, da excentricidade e da empolgação musical, Two is One é um álbum muito mais frio, técnico e profundo que seu antecessor. Deve agradar aos fãs de prog metal mais sóbrios, reflexivos e que tenham paciência, pois entrar nesse álbum não é uma tarefa fácil.
Andromeda
II=I, 2003
Prog Metal (SUÉCIA)
Lista de músicas:
Encyclopedia (7:35)
Mirages (5:42)
Reaching Deep Within (4:50)
Two Is One (10:09)
Morphing Into Nothing (7:34)
Castaway (6:16)
Parasite (6:54)
One In My Head (8:02)
This Fragile Surface (8:04)
Tempo total: 65:06
Músicos:
David Fremberg / vocals
Johan Reinholdz / guitarra, contrabaixo
Thomas Lejon / bateria
Marin Hedin / teclado
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