Trem do Futuro: Muito mais que Rock Progressivo
Resenha - O Tempo - Trem do Futuro
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 12 de setembro de 2013
Nota: 9 ![]()
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Não há como definir exatamente o que é a música do TREM DO FUTURO. Numa definição apressada podemos dizer que é Rock Progressivo, mas isto é, como tudo que é apressado, falho. O TREM DO FUTURO faz muito mais que Rock Progressivo, Folk Rock, Música Nordestina, Rock Brasileiro dos Anos 80 ou qualquer outro nome que tentemos dar. É uma espécie de conexão entre todos estes estilos, conectando, também, o passado e o futuro. É música que fala do momento presente, sendo que este presente pode, num minuto estar na memória de quem compõe a canção (o passado) e, no outro, na imaginação de quem a escuta (o futuro). No minuto seguinte, inverte-se tudo, é uma estória que eu próprio tenha vivido muito antes de conhecer Paulo Rossglow (vocal), Marcelo Leitão (guitarra) e sua turma que vai se conectar a algo que eles ainda nem perceberam.

"O Tempo", segundo disco do TREM FUTURO, vem em uma embalagem luxuosa que prima pela beleza na arte gráfica produzida pela própria banda. O encarte, também luxuoso e bonito, com arte de inspiração surreal, já desperta a curiosidade, mas tem um grave pecado: não há uma foto sequer dos membros da banda.
Falando de som, a preciosidade dos arranjos mostra fortes influências de bandas como JETHRO TULL e de música popular brasileira. A faixa que abre o play, "Seres Imaginários" já nos convida para uma longa viagem no TREM DO FUTURO. E que viagem. "Astronomy Domine" e tantas outras pérolas do rock progressivo são revisitados aqui, mas com um toque regional que é impossível descrever. Só ouvindo o disco. Em seguida, uma saga, "Saga", com seu belíssimo solo de Marcelo Leitão.

Em "O Som do Silêncio/A Porta", que começa com uma belíssima introdução ao som de flauta e violão, é a vez de Edson Filho dar uma boa contribuição nos teclados. A faixa é a primeira na sequência de participações de George Frizzo (SIEGE OF HATE) no baixo. O baixista ainda faz outras aparições no álbum, além de muitos outros músicos (todos listados abaixo). Um trabalho primoroso.
"Búfalos Audazes", como em qualquer bom rock progressivo, tem incontáveis mudanças de andamento. No entanto, isso não evita que seja uma daquelas músicas cuja melodia preponderante grude na memória, principalmente por causa da letra bem estruturada e interessante.
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A faixa título é a mais agitada e com belo timbre de baixo, também por George Frizzo. Apesar de dar nome à própria banda, não é a melhor composição do grupo (o que, diante de tantas outras pérolas não é algo que possa soar negativo). Carregada de sentimento, "Tempo Nu" rende a enérgica "Onda Brava", após a intervenção de Marcelo Leitão, que lembra Darth Vader, intencionalmente ou não. Na Trilha do Diabo é um blues que vale a audição. A obra fecha com "O Homem Antigo", que lembra muito o rock brasileiro dos anos 80.

Como nem sempre o que aqui se faz, aqui se paga, o reconhecimento da TREM DO FUTURO está aquém do merecido. A discografia está apenas no segundo lançamento, embora um terceiro já tenha sido prometido e esteja sendo aguardando ansiosamente pelos fãs da banda. Leva um tempo para entender o TREM DO FUTURO em todas as suas nuances. O som da banda não é indicado para quem pensa que Rock Progressivo é apenas PINK FLOYD. Pessoas interessadas em uma boa mistura de rock progressivo com folk rock e o que é comumente chamado de rock nacional vão apreciar bastante este segundo trabalho da banda cearense. Pessoas cansadas do mais do mesmo e interessadas em algo realmente novo, mesmo que o novo signifique juntar tudo de bom que já existe, vão se sentir presenteadas e dar pulos de contentamento.

Track List
1. Seres Imaginários
2. Saga
3. O Som do Silêncio / A Porta
4. Búfalos Audazes
5. Lamento das Horas / O Tempo
6. Ainda Que Tarde
7. Trem do Futuro
8. Olho do Tempo / Onda Brava / Tempo Nu
9. Na Trilha do Diabo
10. O Homem Antigo
Line Up
Paulo Rossglow (vocal)
Marcelo Leitão (guitarra)
Ulisses Germano (flauta e bandolim)
Sidarta Guimarães (violino)
Marcos Bye Bye (bateria)
João Victor (teclado)
Alan Kardec Filho (baixo)
Com participações de Gilmar Moura (teclado), Marcos Pessoa (baixo), Diogo Araújo (gaita), Carlos Macedo (backing vocals), George Frizzo (baixo), Julinho Silva (teclado), Edson Filho (teclado), Claudy Guedes (vocais), Edson Filho (guitarra steel).

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