Get Thrashed: Um documento definitivo sobre o Thrash Metal
Por Eduardo Tavares
Postado em 12 de agosto de 2013
Documentário revela a trajetória e a consolidação de um movimento brutal inicialmente temido pelo mainstream e renegado pela sociedade.
Dirigido por Rick Emst, que trabalhou no programa Headbangers Ball da MTV, e produzido por Rat Skates, baterista fundador da banda Overkill, Get Thrashed: The Story of Thrash Metal conta a história da vertente mais pesada e agressiva do Metal, que explodiu precisamente no ano de 1983. Com narrativa frenética, depoimentos reveladores e imagens de arquivo, com trechos de apresentações das bandas em seus primórdios, o filme foi lançado em 2006 e participou de mais de 20 festivais de cinema nos EUA, Grécia, Alemanha e Inglaterra. Extremamente bem sucedido, o documentário foi lançado no formato DVD, em 2008.
Get Thrashed é dividido em capítulos que exploram o nascimento do movimento, curtas biografias das principais bandas, vestuário dos fãs, vida na estrada e cenas locais, situando cronologicamente o espectador, mesmo que ele não seja um profundo conhecedor do assunto.
Depoimentos de Gary Holt (Exodus), Scott Ian (Anthrax), Dave Mustaine (Megadeth), Sean Killian (Violence), Corey Taylor (Slipknot), Mark Osegueda (Death Angel), DJ Will (da lendária rádio KNAC), dentre outros, definem uma geração que cresceu ouvindo o Metal Tradicional destilado pelas bandas que faziam parte da New Wave of British Heavy Metal, como: Judas Priest, Motorhead, Iron Maiden e adicionaram uma carga de exagero e a velocidade oriunda do Hardcore. Segundo os protagonistas, o Thrash não foi uma criação, mas sim uma evolução, "o próximo nível do Metal". Uma música sincera feita por amor ao peso e não pela grana.
Apesar de algumas referências à regiões da Europa, Eddie Trunk (historiador musical e apresentador do That Metal Show) confirma o que muitos headbangers já sabiam, o Thrash surgiu nos EUA, mas precisamente na Bay Area de San Francisco. Mesmo o Metallica, banda mais bem sucedida do estilo, só se tornou famosa após se mudar de Los Angeles para a Bay Area, na época, capital e coração mundial do novo movimento.
O documentário revela como jovens de uma geração virgem de Internet criaram uma rede alternativa de propagação do seu material na base do boca a boca, distribuição de demos gravadas em fitas K7 e pedidos de divulgação em rádios universitárias alimentando o sonho de gravar um vinil. Bandas que literalmente suavam a camisa sem o apoio dos grandes tubarões do mercado fonográfico ou das principais rádios americanas.
Essa persistência levou ao surgimento de duas gravadoras independentes: Metal Blade e Megaforce, fundadas justamente para lançar o novo som. Provavelmente a primeira vez que muitos americanos escutaram Metallica foi na coletânea Metal Massacre, lançada em 1982, pela Metal Blade, com Hit The Lights incluída como última faixa do disco.
A partir daí, o rolo compressor Thrash com sua alta dose de testosterona ganhou tração e girou rápido conquistando território sem deixar pedra sobre pedra.
A maior parte das cenas de shows são registros amadores da época que, apesar da baixa qualidade da imagem, torna a narrativa mais verossímil. Mesmo sem grande produção, o doumentário é honesto e fundamental para compreensão do que significou o Thrash Metal. Uma música letal com letras provocativas.
Ao longo do filme, surgem comentários ácidos afirmando, por exemplo, que Mustaine foi o melhor compositor que o Metallica já teve. E se Cliff Burton (baixista original do Metallica, morto em um acidente de ônibus na Suécia em 1986) ainda estivesse vivo, a banda comandada por James Hetfield e Lars Ulrich manteria o som puro do início sem se afastar gradativamente da sonoridade Thrash. Outra revelação é a falta de retribuição que as bandas Thrash receberam do Grunge após as últimas terem alcançado a fama.
Para ícones do Thrash Metal, ao mesmo tempo em que a turnê Clash of Titans (que reuniu as principais bandas: Slayer, Megadeth e Anthrax tocando em arenas e estádios) foi a consolidação do movimento, também marcou o fim de uma era. Já que no início da década de 90, percorrendo universos paralelos, tanto o Hair Metal quanto o Thrash sucumbiram vertiginosamente diante do surgimento do rock alternativo de Seattle, no início da década de 90.
Reabilitações milagrosas e mortes prematuras de companheiros de estrada fazem a ficha cair após mais de duas décadas de pauleira e excessos. Alguns poucos vitoriosos, outros menos afortunados, como fica evidente na afirmação de Bobby Gustafson ex-guitarrista do Overkill: "Éramos jovens iludidos com o sonho de se tornar estrelas do rock e tocar em palcos enormes como o Madison Square Garden, mas após três anos na estrada você percebia que ainda estava fazendo uma turnê em um trailer".
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