Iron Maiden: uma das mais influentes duplas de guitarristas
Resenha - Killers - Iron Maiden
Por Luis Fernando Ribeiro
Postado em 22 de julho de 2013
Após o lançamento do álbum de estréia, IRON MAIDEN, os britânicos da "Donzela de Ferro" já começavam a despontar como uma das maiores revelações da NWOBHM. Em seu segundo registro de estúdio, "Killers", de 1981, a banda já mostrava maturidade e começava a abandonar as influências punks de seu som apresentando músicas mais complexas e bem gravadas. A entrada do guitarrista Adrian Smith somou muito ao som da banda e deu origem a uma das duplas de guitarristas mais influentes de todos os tempos.
A abertura fica a cargo de "Ides of the March", a instrumental mais marcante da história do IRON MAIDEN. Uma música incrível que demonstra toda a desenvoltura que a banda apresentaria no restante do álbum.
"Wrathchild" dispensa maiores apresentações, trata-se de um dos maiores clássicos da banda. Apesar de ser uma música direta, tem momentos interessantes, especialmente no som inconfundível de baixo do mestre Steve Harris. Hoje, mais de trinta anos após sua gravação, esta uma das poucas faixas do disco que sobreviveu a prova do tempo e continua sendo presença constante nos shows do MAIDEN.
Mas o nível não baixa, "Murders in the Rue Morge", faixa baseada no livro de mesmo nome de Edgar Allan Poe, é agressiva e de um feeling absurdo. A velocidade é a principal característica dessa música e a cozinha formada por Harris e Burr é impecável.
Na sequência aparece "Another Life", outra cheia de feeling e com uma interpretação matadora de Di'Anno. Lá por 1 minuto e 45 segundos de música temos um dos melhores riffs do álbum. Steve Harris não deixa a peteca cair por nenhum segundo, dando um bom plano de fundo para os solos e guitarras dobradas.
"Genghis Khan" é outra instrumental matadora onde o destaque fica para Clive Burr, que apesar de simples mostra desenvoltura. Da metade em diante a música toma uma nova roupagem, tornando-se bastante melódica e com um solo absolutamente bem colocado.
Em "Innocent Exile" temos o melhor momento de Di'Anno no álbum, uma interpretação maliciosa e cheia de carisma. A dupla de guitarristas se mostra entrosada e afiada a cada nova música. A música é mais cadenciada, mas é impossível ficar apático diante de tamanha técnica e feeling.
"Killers" é outro clássico do disco. O baixo de Harris dita o ritmo da música, galopante e intensa. Smith e Murray chegam ao ápice nesta música, o entrosamento imediato dos dois é espantoso. Mas novamente Di'Anno se destaca, tudo bem que Dickinson o superaria com sobras em técnica, carisma e personalidade, porém, Di'Anno criou algo impressionante junto com o MAIDEN, demonstrando ser um excelente vocalista tanto neste quanto no álbum de estréia da donzela. Sua voz é algo inconfundível e deu uma magia especial aos dois primeiros álbuns da banda.
A semi-balada "Prodigial Son" é uma bela canção. O vocal rouco de Di'Anno encaixa-se perfeitamente com um baixo melodioso e muito bem colocado. Com bases simples, a música mostra-se eficiente e com solos muito harmoniosos. Mais um ponto alto do disco.
Com o pé no acelerador, "Purgatory" mantém o disco num nível excelente. Impossível não cantar o refrão junto (Please, take me away, so far away...). Clive Burr é novamente simples, mas preciso e conveniente, dando à música o ritmo necessário para os solos acelerados de Murray.
"Twilight Zone" tem uma veia mais Hard Rock, com riffs interessantes, mas é bem curta, direta e sem muito a se destacar.
O álbum fecha com "Drifter", a melhor música do álbum, na minha opinião. O baixo de Harris é impressionante, de uma técnica e feeling absurdamente louváveis. Os solos são impecáveis e emocionantes, avance até 1 minuto e 25 segundos de música para entender do que falo. Enfim, um encerramento a altura de um disco excelente.
O IRON MAIDEN já começava a ganhar o mundo. A produção mais apurada de Killers eleva a banda à outro patamar. Poucas músicas deste álbum seriam aproveitadas para as apresentações da banda mais adiante, mas sua qualidade é inegável e muitos consideram os dois álbuns com Di'Anno no vocal a melhor fase do MAIDEN. Não sou desta opinião, mas aprecio muito essa fase da banda e considero algumas músicas daqui de extremo bom gosto.
Ah, quase ia me esquecendo: essa capa é clássica. O Eddie assassino ilustrado por Derrik Rights é uma das mais famosas capas do MAIDEN.
Curiosidades:
- Após este álbum, Paul Di'Anno perde seu posto de vocalista do IRON MAIDEN, devido a divergências com os outros integrantes e abuso de álcool e drogas;
- Apesar de possuir poucas músicas que atingiram o status de 'hit', muitas foram as bandas que regravaram as músicas deste disco: "Ides of the March" (ARCH ENEMY, STEEL PROPHET), "Genghis Khan" (ANGEL CORPSE), "Purgatory" (STEEL PROPHET, WARDOG), "Wrathchild" (SIX FEET UNDER, GRASS, ACHERON, GALLOWS), "Killers" (DESTRUCTION, ION VEIN), "Another Life" (SOLACE) e "Innocent Exile" (ETERNAL ELYSIUM).
Iron Maiden – Killers (1981 – EMI)
1 - The Ides of March
2 - Wrathchild
3 - Murders in the Rue Morgue
4 - Another Life
5 - Genghis Khan
6 - Innocent Exile
7 - Killers
8 - Prodigal Son
9 - Purgatory
10 - Twilight Zone
11 - Drifter
Outras resenhas de Killers - Iron Maiden
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