Iron Maiden: a despedida de Paul Di'Anno em estúdio
Resenha - Killers - Iron Maiden
Por Thomas Engel
Postado em 02 de março de 2019
O disco marca a entrada de Adrian Smith nas guitarras e backing vocals, entrando no lugar de Dennis Stratton. O disco também é o último gravado por Paul Di'Anno, que deixa a banda no final da turnê naquele mesmo ano, devido ao abuso de álcool e drogas. Em seu lugar entra o grande Bruce Dickinson, que canta nas datas que faltavam da turnê.
A capa do álbum nos mostra o ja consagrado mascote Eddie, segurando um machado coberto de sangue e com braços (provavelmente de sua vítima) se agarrando em sua camiseta, em um cenário novamente urbano (como visto no primeiro disco) e repleto de detalhes como uma sex shop, pessoas nas janelas dos prédios, um gato com auréola (que seria comum em outras capas da banda) e o Ruskin Arms, Pub onde a banda fez seus primeiros shows.
THE IDES OF MARCH é uma intro instrumental com pouco mais de um minuto, com um ritmo de marcha e aquela que seria a principal característica de todo o disco e , futuramente, da carreira da banda, que são as guitarras gêmeas estupidamente marcantes de Dave Murray e Adrian Smith.
WRATHCHILD começa com um riff de baixo forte de Steve Harris, seguido de um belo solo e uma base forte para sustenta-lo. A música conta a historia da perspectiva de um garoto cujo nascimento não foi planejado e foi abandonado por seu pai e criado por sua mãe, porém quando cresce decide procurar seu pai biológico e promete não parar até encontra-lo. O baixo marcante de Steve e as viradas de bateria de Clive Burr, somados ao vocal agressivo de Di'Anno são um ponto forte dessa música.
MURDERS IN THE RUE MORGUE chega a soar progressiva em relação ao resto do disco. Com uma intro mostrando um belo arranjo de guitarras dedilhadas e com bastante reverb e um solo de baixo forte, que antecede um riff de guitarra que chega "estourando portas" e seguido pelo heavy metal puro e genuíno que essa cozinha sabe fazer. A música é baseada na obra homônima de Edgar Allan Poe, que, de forma bem resumida aqui, conta a historia de um homem que andava em Paris e acaba sendo visto na cena de um assassinato de duas jovens, porém este não falava francês e, sem conseguir se defender, acaba fugindo e sendo considerado suspeito do crime.
ANOTHER LIFE conta da perspectiva de uma pessoa, aparentemente com depressão e esquizofrenia, que ouve vozes enquanto esta deitado em sua cama. A música inicia com uma introdução de bateria fenomenal e um trabalho de guitarras forte! Também ouvimos uma bela demonstração do quanto a voz de Di'Anno podia ser forte e agressiva naquela época.
GENGHIS KHAN é outra faixa instrumental, também com muitos dotes de progressivo, com momentos onde ouvimos uma bateria com ritmo de marcha (como se fosse a marcha do exército do famoso imperador mongol).
INNOCENT EXILE inicia com outro (perdão pela palavra) puta riff de baixo de Harris e guitarras que, somadas a bateria, soam como chicotadas nos ouvidos mais leigos, com uma transição que transborda melodia das guitarras e uma segunda parte que deixa clara a referencia que Deep Purple é para a banda. A música conta em primeira pessoa a perspectiva de alguém que foi acusado de matar uma mulher injustamente e acaba exilado e com uma vida vazia e sem sentido.
KILLERS é sem dúvidas a mais conhecida desse disco, a introdução de baixo de Steve e a tensão causada pelas guitarras e gritos de Di'Anno dão para a música a melhor atmosfera possível para uma canção que conta em primeira pessoa os pensamentos psicopatas de um assassino urbano, que sai a noite para matar sem piedade.
PRODIGAL SON é provavelmente a música mais deslocada da banda, afinal, uma balada calma com violões (de 6 e 12 cordas) e uma voz suave chega a destoar de todo esse disco pesado de heavy metal, mas não se enganem, é uma música linda e mostra toda a coragem da banda pra inclui-la no meio do disco, ao envés de lança-la como lado B ou algo do tipo. Mas calma, pois de calminha nessa música só o instrumental, pois a letra (super bem escrita, por sinal) conta em primeira pessoa os apelos de ajuda do eu lírico a uma bruxa (Lamia é bruxa em latim) pois este acaba sendo amaldiçoado por um de seus feitiços e acaba com o demônio empossando sua alma. Destaque para o belíssimo solo de Dave Murray e Adrian Smith (pensa numa dupla que deu certo no metal!).
PURGATORY é para acabar com a calmaria da anterior! a letra não traz algo a mais além da tradicional poeticidade, mas o que se destaca na música é o peso! provavelmente uma das mais pesadas da banda nessa época! Destaque para a bateria de Clive que parece uma máquina de tão precisa.
TWILIGHT ZONE mostra a perspectiva de um eu lírico que, após sua morte, quer aparecer para a sua amada, mas seu espírito não consegue tomar forma e fica preso na "zona do crepúsculo". As melodias de guitarra e o desempenho vocal são fatores a serem destacados na música, assim como a riqueza poética da letra.
DRIFTER encerra o disco com honras! um riff de guitarra extremamente sombrio e um agudo dado por Di'Anno iniciam uma pedrada na orelha pra encerrar tamanha obra prima com chave de ouro! A letra super bem escrita não traz nenhuma história, mas provoca no ouvinte aquele sentimento de rebeldia juvenil que caracteriza a música pesada dos anos 80, onde o eu lírico só quer ouvir um som e sair de carro por ai (tipo Running Free, só que não tão explícita).
Destaco as faixas Killers, Purgatory e Drifter, se você quer ouvir heavy metal de qualidade ou apenas conhecer o disco, essas 3 ja vão te dar uma demonstração do que tem nessa obra prima do metal!
banda: Iron Maiden
album: Killers
lançamento: 1981
gênero: Heavy Metal
gravadora: EMI
capa: Derek Riggs
produtor: Martin Birch
line up:
Steve Harris - baixo e backing vocals
Dave Murray - guitarra
Adrian Smith - guitarra e backing vocals
Clive Burr - bateria
Paul Di'Anno - vocal
tracklist:
The Ides of March
Wrathchild
Murders in the Rue Morgue
Another Life
Genghis Khan
Innocent Exile
Killers
Prodigal Son
Purgatory
Twilight Zone
Drifter
Outras resenhas de Killers - Iron Maiden
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