Iron Maiden: já começava a definir seu estilo e personalidade

Resenha - Iron Maiden - Iron Maiden

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Por Luis Fernando Ribeiro
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O ano é 1980, a NWOBHM ainda engatinhava, mas o IRON MAIDEN já começava a chamar a atenção com seu álbum de estreia. Mesmo com muitas mudanças de formação, a banda já possuía uma bagagem de cerca de cinco anos e já começava a definir seu estilo e criar sua personalidade.
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O Heavy Metal praticado pelos músicos ainda possuía certas influências do punk, especialmente no vocal e estilo adotados por Paul Di'Anno. Logo essas influências desapareceriam do som da banda.

Um aspecto bastante marcante do álbum é sua gravação bastante precária, mesmo para a época. O próprio Steve Harris, baixista e fundador da banda, considera esse álbum inferior aos demais da discografia da Donzela. De qualquer forma, essa característica negativa não tira o brilho do álbum, que é o preferido de muitos fãs e moldou todo um estilo de música que seria difundido por bandas como SAXON, ANGEL WITCH, TYGERS OF PAN TANG, além do próprio MAIDEN, é claro.

O álbum inicia com "Prowler", com um riff bastante interessante. Trata-se de uma música mais direta, mas com um baixo marcante e com um toque malicioso no vocal de Di'Anno. Os solos e a acelerada que a música toma do meio em diante a tornam ainda mais potente. Em suma, uma ótima faixa de abertura.

"Remember Tomorrow" é uma música bastante emotiva escrita por Di'Anno para seu avô e lembra bastante o som do THIN LIZZY, influência que a banda levaria para toda sua carreira. Assim como em "Prowler", a música ganha intensidade no seu decorrer, deixando totalmente sua roupagem de balada. Os suecos do OPETH fariam uma versão para esta música anos mais tarde.

Na sequência temos a clássica "Running Free", um dos destaques dos shows até hoje. Uma música simples, mas intensa. A levada de baixo é uma das mais marcantes da história do MAIDEN e a letra reflete as influências punks no som da banda.

"Phantom of the Opera é", na minha opinião, a melhor música do álbum e uma das melhores da história da banda. O entrosamento dos músicos é espantoso, tornando essa a música mais complexa deste disco e, consequentemente, a mais longa. Uma música extravagante, técnica, pesada e cheia de feeling. O próprio Bruce Dickinson, que assumiria o posto de vocalista da banda a partir do terceiro álbum, considera essa uma das músicas mais importantes da carreira do MAIDEN. O destaque fica por conta do baixo de Steve Harris, mas é impossível não comentar as levadas de Clive Burr, as guitarras dobradas de Dave Murray e Dennis Stratton e a malícia e charme na interpretação de Paul Di'Anno. Vá até os 4 minutos e 35 segundos de música e curta um dos riffs mais incríveis já criados no Heavy Metal.

Em "Transylvania" todo o entrosamento da banda já citado anteriormente vêm à tona. Uma instrumental onde o destaque fica para a dupla de guitarras. A música é tão boa que é uma das poucas instrumentais que já vi sendo regravada por outra banda, especialmente por uma grande banda, que é o caso do ICED EARTH, que regravaria essa música em tributo ao IRON MAIDEN, em seu álbum "Tribute to the Gods".

"Strange World" é uma canção bela e melodiosa. Algumas passagens me lembram bastante o RAINBOW, outras o FOCUS. Alguns toques progressivos aqui e acolá. A emoção transmitida pela música em um todo é indescritível, tornando essa faixa uma música diferente de tudo que o MAIDEN faria em toda sua discografia. Essa música possui alguns dos melhores solos do álbum.

"Charlotte the Harlot" é a primeira música sobre a prostituta "Charlotte", personagem que seria utilizada pela banda em muitas outras músicas da banda no futuro. É uma música mais Rock n Roll, mas mantém o nível alto do disco.

Por fim, temos a clássica "Iron Maiden", presença indiscutível em todos os shows da banda desde então. Ela é curta, mas cheia de pequenas variações. O baixo e a bateria tornam a música pulsante e seu refrão é daqueles para ser cantando em uníssono em um show. Um dos riffs mais importantes da carreira da donzela está presente no início e decorrer desta música.

No relançamento do álbum foi incluída a faixa "Sanctuary", outra muita utilizada nos shows, que havia sido deixada como bônus a princípio, mas que é uma das melhores do disco. Cheia de mudanças de tempo e solos incríveis, ela tornou-se outro clássico absoluto.

Pronto. Estava dado o ponta-pé inicial na carreira de uma das mais importantes bandas na história do Heavy Metal e da música em geral. O álbum é considerado um dos melhores 'debuts' da história da música pesada. Daqui saíram clássicos indiscutíveis como "Running Free", "Sanctuary", "Phantom of the Opera" e "Iron Maiden", tornando esse um dos muitos registros indispensáveis para os fãs da banda.
Vale destacar também a arte da capa, onde o mascote Eddie foi apresentado e se tornou um símbolo da banda e presença confirmada em todas as demais capas da banda.

Curiosidades:
- Neste álbum Steve Harris já mostrava sua influência dentro da banda, sendo autor de cinco faixas ("Prowler", "Phantom of the Opera", "Transylvania", "Strange World" e "Iron Maiden") e co-autor de outras três ("Sanctuary", "Remeber Tomorrow" e "Running Free");
- Este é o único registro com a participação do guitarrista Dennis Stratton, que cedeu o posto para Adrian Smith em "Killers";
- Várias faixas deste álbum foram regravadas por outras bandas. As já citadas "Remember Tomorrow" (OPETH, CROWBAR, ANTHRAX, METALLICA) e "Transylvania" (ICED EARTH, ABSU), além de "Prowler" (BLACK TIDE, BURDEN OF GRIEF), "Phantom of the Opera" (NEW EDEN, ANKHARA), "Strange World" (MAGO DE OZ, EVOKEN), "Charlotte the Harlot" (LUJURIA), "Running Free" (TEA, IRON SAVIOR, GRAVE DIGGER, YEAR LONG DSASTER), "Iron Maiden" (TANKARD, TRIVIUM, FROM THE DEPTHS) e "Sanctuary" (MYSTIC PROPHECY, ABATTOIR);

Iron Maiden – Iron Maiden (1980 – EMI)

Track List:
1 - Prowler
2 - Remember Tomorrow
3 - Running Free
4 - Phantom of the Opera
5 - Transylvania
6 - Strange World
7 - Charlotte the Harlot
8 - Iron Maiden

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Sobre Luis Fernando Ribeiro

Estudante de Programação de Computadores e Analista de sistemas. Fui apresentado ao Heavy Metal aos 14 anos, quando através do intermédio de um amigo, gravei algumas fitas do Metallica, Destruction e Blind Guardian.

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