Woslom: "Evolustruction" fecha a conta e passa a régua
Resenha - Evolustruction - Woslom
Por Durr Campos
Postado em 16 de julho de 2013
Tenho duas frustrações em relação ao WOSLOM. Uma é por não tê-los conhecido ainda nos anos 90, quando iniciaram suas atividades ali por volta de 1997, mesmo sabendo que hoje vivem sua melhor fase. A outra é não ter escrito uma resenha sobre seu debut "Time To Rise" (2010). Porque ali eu já tinha certeza de que estava diante de uma das melhores bandas brasileiras surgidas nos últimos anos. Sendo um apreciador daquele thrash metal típico da Bay Area de São Francisco/EUA da segunda metade da década de 80 e início dos 90, degustar as composições do quarteto paulistano não era nada além de prazeroso e digno de orgulho alheio, algo que por sinal só aumentou com o lançamento de mais recente obra, o excepcional "Evolustruction".
Se "Time To Rise" já apresentava conteúdo praticamente irretocável – a não ser pela arte da capa pouco inspirada, "Evolustruction" fecha a conta e passa a régua, porque tudo nele indica dedicação, cuidado, bom gosto e muito, mas muito talento! Só para não dizer que ficou PERFEITO, um adendo: Por que não colocar "Breathless (Justice’s Fall)" para abrir a bolachinha? Esta canção equivale, neste contexto, a "Battery" (Master of Puppets, do Metallica), "Holy Wars..." (Rust In Peace, do Megadeth) ou "Infinite" (Twisted Into Form, do Forbidden) em se tratando de faixas de abertura. Não que a que batiza o álbum, escolhida para a tarefa, seja ruim, muito pelo contrário, até porque após unir sua audição ao visual, como mostra o vídeo ao fim desta resenha, fica mais fácil de entender o porquê de sua escolha como abre-alas, mas mesmo assim ainda mantenho minha opinião. Aliás, já tive a oportunidade de falar pessoalmente à banda, que recebeu a sugestão da forma que mais sabem: com simpatia e muitas risadas!
Só situando o leitor, duas bandas saltam aos ouvidos quando o assunto é Woslom: Metallica e Testament. A primeira pelo conteúdo no já citado debut e pela ousadia apresentada agora em "Evolustruction"; a segunda pelo timbre vocal caprichado de Silvano Aguilera e a técnica absurda de Rafael Iak nas seis cordas, digna de um Alex Skolnick pela elegância nos riffs, licks e soluções harmônicas, acrescido de uma brutalidade à la Gary Holt (Exodus/Slayer). Experimente "Haunted by the Past" e "Pray to Kill", um tanto mais diretas que o restante, porém repletas de agressividade e acordes memoráveis. Na verdade, há tantos elementos ao longo das oito inéditas que fica meio complicado ilustrá-los em palavras sem desmerecer o trampo dos caras.
Inclusive, "River of Souls" prova o que escrevi acima, pois une modernidade, certo groove e uma cozinha sensacional graças às performances notáveis de Francisco "Chicão" Stanich Jr. e Fernando Oster, baixo e bateria, respectivamente. Ponto à banda pelo cuidado nessa parte. Colar esta com "No Last Chance" foi outra tacada de mestre e prova como a união entre presente e passado funciona se feita com propriedade, até porque esta última nos remete a alguns daqueles concertos dos tempos áureos na Califórnia, quando locais como "The Fillmore", "Kabuki Theatre", "The Keystone", "Ruthie's Inn", "The Stone", "The Warfield" e "The Omni" eram os pontos de encontro dos headbangers sortudos da época. Fico a imaginá-los tocando, por exemplo, "New Faith" ou a já ovacionada por mim, "Breathless (Justice's Fall)", em alguma daquelas casas de shows. Ouça-as e entenda minha empolgação, melhor assim.
A riqueza sonora de "Evolustruction" encerra-se com uma das mais legais, "Purgatory", com seu andamento mais lento, momento excelente para ótimas linhas vocais e partes acústicas. Senti uma certa melancolia aqui, inclusive pela beleza e inquietude dos solos de Rafael. Esta canção me fez repeti-la três vezes, além de "forçar-me" a uma nova audição por completo do álbum, mesmo o dito cujo já figurar em meu iPod desde que chegou em minhas mãos. Até a bônus-track reflete o quão inusitado é ter algo do Woslom "na fita" porque o cover para "Breakdown", faixa que abre o "Strong Mind" (2003) da ótima banda MAD DRAGZTER, não só faz jus à original como em alguns momentos até a supera, com todo respeito aos criadores da música. Pois é caro leitor, para este que vos escreve "Evolustruction" já possui cadeira cativa na lista de melhores do ano. Que tal nos contar aí embaixo quais suas impressões a respeito?
Sites Relacionados:
http://www.woslom.com
http://www.facebook.com/woslom
Independente – Nacional
Ano de lançamento: 2013
Formação:
Silvano Aguilera - Vocals, Guitar
Rafael Iak - Guitar
Francisco "Chicão" Stanich Jr. - Bass, Vocals
Fernando Oster – Drums
Faixas:
1. Evolustruction
2. Haunted by the Past
3. Pray to Kill
4. River of Souls
5. No Last Chance
6. New Faith
7. Breathless (Justice’s Fall)
8. Purgatory
Bonus Track:
9. Breakdown (Mad Dragzter Cover)
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