Woslom: fincou seu nome dentre as melhores bandas de Thrash
Resenha - Evolustruction - Woslom
Por Junior Frascá
Postado em 24 de maio de 2013
Nota: 10 ![]()
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Em 2010 os paulistanos do WOSLOM surpreenderam o cenário metálico nacional ao lançarem o excelente "Time to Rise", que recebeu ótimas críticas, não só no Brasil como no exterior. E agora, mais maduros e trazendo na bagagem inclusive uma bem sucedida tour pelo exterior, o quarteto chega a uma das missões mais difíceis para uma banda iniciante, após lançar um bom debut: conceber seu segundo trabalho.
E isso decorre de um fato muito simples: quando uma banda lança seu primeiro disco, praticamente são poucos que a conhecem, e não há grandes expectativas ou pressões. Mas, após um disco bem aceito, há uma expectativa pelo novo trabalho, pois o público e a mídia já tem algo a esperar da banda. Como todos sabem, diversos foram os conjuntos que, após lançarem um primeiro disco de relativo sucesso, caíram no ostracismo posteriormente, por não conseguirem manter o nível nos trabalhos posteriores.
Contudo, felizmente, esse não é o caso do WOSLOM, que não só conseguiu lançar um trabalho melhor que seu debut, como fincar de vez seu nome dentre as melhores bandas do thrash metal da atualidade (não só do Brasil, que fique claro), surpreendendo mais uma vez.
Mantendo a mesma formação do disco anterior, o que impressiona aqui é a evolução da banda em todos os aspectos, seja no musical, no lírico ou no visual. Como fica claro, os caras não se acomodaram, e, fugindo do lugar comum e sem se importarem com a opinião alheia, conceberam uma obra complexa e diferenciada, sem fugir de suas raízes do thrash metal, o que diferencia muito o material aqui apresentado em relação aos demais lançamentos atuais do gênero.
Mas ai você me pergunta: Os caras mudaram completamente de estilo? Não, não é esse o caso, pois o thrash metal ainda é a alma da banda. O que aconteceu é que os caras optaram por incluir diversos outros elementos, que tornaram suas músicas mais ricas e imprevisíveis, em vários momentos pegando o ouvinte de surpresa com tamanha qualidade apresentada. Muitos fãs mais tradicionalistas, que não aceitam mudanças, certamente irão criticar a banda sem mesmo ouvir o álbum por completo e tentar entender sua proposta, baseado apenas em "pré-conceitos" ou uma "fuga de padrões", padrões estes que na verdade apenas engessam a criatividade dos músicos na maioria dos casos.
Mas o WOSLOM não é a banda mais pesada, nem a mais técnica, ou mesmo a mais melódica do thrash metal. Não! Porém o quarteto consegue se sobressair por utilizar desses elementos de forma bem orgânica e criativa, criando faixas cativantes e de fácil assimilação, que grudam na cabeça do ouvinte logo na primeira audição.
A faixa título, que abre o disco, já mostra bem essas características, com ótimas melodias, um refrão grudento, e alguns riffs típicos do Hard Rock, além de uma letra bem inteligente e instigante.
Na sequência, as faixas "Haunted by the Past" e "Pray to Kill" são mais diretas e agressivas, com destaques para os excelentes riffs de guitarra, remetendo aos áureos tempos do início da cena Bay Area americana, com influências de bandas como EXODUS, METALLICA e TESTAMENT. Inclusive, os vocais de Silvano em vários momentos lembram o do mestre Chuck Billy, mas sem soar como uma mera cópia.
Já "River of Souls" é uma faixa mais moderna, trabalhada e cheia de groove, com destaque para o baixo pesadíssimo "Chicão" Stanich e para o baterista Fernando Oster, que mostra toda sua técnica, enquanto em "No Last Chance" a banda novamente mostra sua face mais agressiva e voltada aos primórdios do estilo, com destaque novamente para os riffs de guitarra, embora tenha um refrão mais melódico.
"New Faith" mostra mais uma vez as influências de TESTAMENT e METALLICA no som do WOSLOM, com várias mudanças de andamento, e coros vocais e riffs melódicos que dão um toque especial à canção. "Breathless (Justice's Fall)" por sua vez, é outra amostra da versatilidade da banda, e do nível técnico a que o quarteto chegou, executando passagens complexas com muita naturalidade, e novamente com ótimos coros de vozes.
E encerrando o disco, "Purgatory" é uma das músicas mais ousadas, arrastada e com arranjos excelentes (inclusive com passagens muito legais de violão), e um clima sombrio e melancólico, típico do Doom Metal, tendo como destaque as ótimas linhas vocais de Silvano, e as guitarras de Rafael Iak, tanto nos riffs, como nos excelente solos, em que deixa de lado os clichês do estilo (leia-se, "fritação"), e investe em melodias cativantes e bem estruturadas.
Há ainda, como bônus, uma ótima versão para a clássica "Breakdown", uma das melhores faixas do MAD DRAGZTER, que ficou matadora.
A bela capa do disco também merece todo o destaque, sendo mais um ótimo trabalho de João Duarte. A produção também está excelente, e surpreende ainda mais por ter sido feita pela própria banda, que deixou tudo bem timbrado e audível, em especial a guitarra e o baixo (bem presente, por sinal), ressaltando o peso natural da banda.
Temos aqui, pois, meu caro amigo leitor, um disco especial, que mostra uma banda muito competente e corajosa, que não teve medo de ousar, conseguindo um resultado surpreendente. Não só o melhor lançamento nacional do ano até o momento, como forte candidato a brigar pelo topo das listas gerais de melhores de 2013. Ouça, compre o disco e comprove a qualidade deste que é mais um verdadeiro "soco na cara" daqueles que ainda duvidam do potencial das bandas nacionais, e que certamente fará o WOSLOM conseguir o merecido reconhecimento, inclusive internacional!
Evolustruction - Woslom
(2013 –Independente - Nacional)
Formação:
Silvano Aguilera - Vocals, Guitar
Rafael Iak - Guitar
Francisco "Chicão" Stanich Jr. - Bass, Vocals
Fernando Oster - Drums
1. Evolustruction
2. Haunted by the Past
3. Pray to Kill
4. River of Souls
5. No Last Chance
6. New Faith
7. Breathless (Justice s Fall)
8. Purgatory
Bonus Track:
9. Breakdown (Mad Dragzter Cover)
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