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Sir Lord Baltimore: obrigatório na coleção de qualquer roqueiro

Resenha - Kingdom Come - Sir Lord Baltimore

Por Leonardo M. Brauna
Em 06/06/13

Uma das sementes do heavy metal (que não brotou em território britânico) nasceu em dezembro de 1970, refiro-me ao álbum de estréia de SIR LORD BALTIMORE, "Kingdom Come". As distorções de guitarra, baixo com altíssimo poder nos graves e um som de bateria nada convencional para a época fazem dessa "pedra preciosa" um item obrigatório na coleção de qualquer rockeiro mundo a fora.

O nome da banda formada por JOHN GARNER (vocal, bateria), LOUIS DAMBRA (guitarra) e GARY JUSTIN (baixo) é no mínimo curioso, estranho e até absurdo, pois se refere a um "sir" de Baltimore, mas esse título, assim como "lord" era dado aos nobres da coroa inglesa e Baltmore é uma cidade do estado norte americano de Maryland. Como se não bastasse toda essa contradição a banda ainda é originária do Brooklyn, Nova York.

Outro fato que chama atenção é a disposição dos instrumentos para seus integrantes, pois para uma banda de rock pesado daquele período (ou mesmo desse) ter um vocalista tocando bateria é algo extraordinário. Num momento em que o heavy metal estava começando a criar corpo revelando "deuses" líricos e guitarristas que reinventariam a música, ter um frontman sentado num kit de tambores e pratos era algo desafiador para os padrões. Mas GARNER mostrou que é possível unir ritmo e viradas com melodia vocal, assim tenha talento. Outro grupo americano famoso que utilizava esse mesmo método foi o Rare Earth, chegando até tocar no lendário festival 'Califórnia Jam' que aconteceu no dia 6 de abril de 1974.

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O álbum de dez canções (na sua edição original) abre com "Master Heartache". Um verdadeiro mergulho na criação de um estilo que alguns defendem ter sido eles os verdadeiros precursores, pois o SLB, diferente de outras bandas que ostentam a mesma tese de criadores do heavy metal, possui a confirmação mais antiga que lhes dão essa patente. O registro é confirmado na edição de maio de 1971 da revista musical americana 'Creem' em uma resenha de Mike "Metal" Saunders feita para o "Kingdom Come".

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

"Hard Rain Fallin" só vem exaltar ainda mais esse direito. A faixa que abre com singelos toques de baixo contagia o ouvinte com seus solos ácidos e viradas nervosas de JOHN, sem falar que sua entonação vocal sempre potencia mais a canção. Características como essas fizeram a banda se despedir do palco antes do final de sua apresentação, quando na ocasião, em fevereiro de 1971, tocavam no 'Filmore East' em Nova York. Algumas fontes diziam que o som deles não agradou ao dono da casa, Bill Graham, motivo para este "expulsar" a banda de lá. Naquela noite também tocou o Black Sabbath.

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Tais "desacertos" musicais que fizeram Bill tratar a banda como "adolescentes que gritam", anos depois tiveram reconhecimento de uma legião de fãs que usam a cultura do heavy metal como estilo de vida. Uma das melhores faixas do álbum, "Lady Of Fire" espelha bem a arte dessa cultura.

Mas para provar que o grupo também entendia de música virtuosa, podemos conferir em "Lake Isle Of Innersfree", quatro minutos de voz e guitarra dedilhada que chega a relaxar os ouvidos. As batidas selvagens e "gritos" de GARNER dão lugar a uma desenvoltura afinada de suas cordas vocais com acompanhamento doce de LOUIS.

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Mas a loucura logo retorna em "Pumped Up". Uma canção bem calcada no rock 'n' roll dos anos 50, porém com a característica do SLB. Distorções agressivas, solos estonteantes e ao mesmo tempo inquietantes fazem a banda distanciar-se cada vez mais das influências blues que predominavam nos grupos da época.

A faixa título, "Kingdom Come" é mais sombria, pesada e arrastada, ela tem a maior duração do álbum, pouco mais de seis minutos e talento não falta nos novaiorquinos. Apesar do som da bateria ser um pouco baixo, JOHN ainda faz um show à parte com suas batidas aceleradas e viradas brutais. Seus vocais tenebrosos com o acompanhamento das escalas pentatônicas de LOUIS distorcendo até a última nota poderia revelar esta como sendo um dos "embriões" do que se foi chamado décadas depois de doom metal. Aqui também existem solos que quando começam parecem arrancar as tripas do ouvinte pela garganta. Superação e domínio são nomes dados a essa pedrada.

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Outro fato curioso conta que quando este disco estava sendo mixado no 'Electric Lady Studios' cujo proprietário era ninguém menos que Jimi Hendrix, membros do Pink Floyd estavam por lá e ficaram impressionados com a música. Não era pra menos, pois uma banda que na época estava ligada à psicodelia, como era o caso do Floyd, de repente dá de cara com algo novo e violento, é pra se impressionar mesmo. Tal violência sonora você também encontra na magnífica "I Got A Woman" e consequentemente em "Hell Hound".

Uma das hóspedes mais encantadoras de "Kingdom Come" é "Helium Head (I Got A Love)". Possui pouca letra, mas o aparato instrumental surpreende pela técnica. Destaque estampado para GARY JUSTIN que não perdoa o seu baixo e arranca agressividade por vezes ofuscando o seu companheiro de cozinha. O solo agudo da guitarra penetra na alma e será responsável por você sair correndo pra as lojas de CD ou mesmo baixar esse grande item.

Finalmente a última faixa, "Ain't Got Hung On You" fecha com chave de ouro um dos grandes registros do metal clássico. Com curtíssima duração a ousada canção une bases à meia distorção, fortes passagens de baixo e batidas seculares na bateria como se desafiasse alguém a vir fazer melhor. Melhor ou igual, não dá pra saber, mas com certeza os grandes ícones dos anos 70, Deep Purple, Led Zeppelin e Black Sabbath nunca fizeram música tão pesada quanto à de SIR LORD BALTMORE. Escute "Kingdom Come" e tire a sua conclusão.

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Em 1994 a 'Polygram Records' fez o relançamento desse álbum invertendo a listagem de faixas da edição original de 'Mercury Records'. Em 2003 a 'Red Fox' usou a mesma ordem dessa listagem e o lançou em CD seguido de outro relançamento em 2007 pela 'Anthology Recordings'.

Formação:

John Garner – Vocal, Bateria;
Louis Dambra – Guitarra;
Gary Justin – Baixo.

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Faixas:

01 - "Master Heartache" – 4:37
02 - "Hard Rain Fallin'" – 2:56
03 - "Lady Of Fire" – 2:53
04 - "Lake Isle Of Innersfree" – 4:03
05 - "Pumped Up" – 4:07
06 - "Kingdom Come" – 6:35
07 - "I Got A Woman" – 3:03
08 - "Hell Hound" – 3:20
09 - "Helium Head (I Got A Love)" – 4:02
10 - "Ain't Got Hung On You" – 2:24

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde adolescente vive a cultura do Rock/Metal. Além do Whiplash, o redator escreve para a revista Roadie Crew e é assessor de imprensa da Roadie Metal. A sua dedicação se define na busca constante por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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