Avantasia: hard rock dos bons, grandioso e poderoso

Resenha - Mystery of Time - Avantasia

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Por Thiago El Cid Cardim
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Quando o vocalista e compositor Tobias Sammet anunciou que o sexto álbum de estúdio de seu projeto Avantasia seguiria a tradição dos dois primeiros discos, as duas partes da chamada “Metal Opera”, teve muito fã caindo numa espécie de “pegadinha”, achando que este novo disco retomaria a sonoridade power metal de outrora. Vamos esclarecer o que Tobias quis dizer: no que diz respeito à temática, “The Mystery of Time” tem mesmo uma vibração semelhante à das bolachas iniciais – com a participação da German Film Orchestra Babelsberg, as dez faixas têm de fato um sabor mais épico do que aquele que pôde ser sentido na trilogia iniciada em “The Scarecrow”.
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A história conceitual que percorre todas as músicas é grandiosa: ao invés de optar pela trama anterior sutil e quase introspectiva que é praticamente uma versão pessoal de Tobias para “Fausto”, de Goethe, ele retoma o questionamento religioso do jovem Gabriel Laymann. Só que, de uma história ambientada num mundo de fantasia medieval, ele pula para uma pequena cidade inglesa durante a era Vitoriana. Usando um jovem cientista de nome Aaron Blackwell como personagem principal, em sua busca para desafiar o tempo e o espaço, ele coloca em xeque fé x ciência, razão x emoção, mente x coração, enquanto Aaron, em algumas situações à beira da loucura, se torna alvo de um grupo de nobres com interesses escusos. Neste sentido, dá para dizer que “The Mystery of Time” é herdeiro direto da “Metal Opera”.

Mas, vejam só, as semelhanças param por aí. A sonoridade de “The Mystery of Time” conversa diretamente com aquela que se pode ouvir em “The Scarecrow”, o que pode decepcionar alguns fãs old school. É nítida, nos últimos trabalhos tanto do Avantasia quanto do Edguy, a predileção de Tobias pelo hard rock, por mais salpicado que ele esteja do colorido metal melódico da escola Helloween com a qual fez história. Resumidamente e sem floreios, “The Mystery of Time” é sim um disco bem mais hard rock do que heavy metal. É um hard rock um tanto mais encorpado, um hard rock que poderia até ser chamado de sinfônico (pela presença da orquestra) mas, ainda assim, é hard rock. E dos bons. Dos ótimos, aliás. Grande e poderoso, mas também grudento e envolvendo, com aqueles refrãos irresistíveis que Tobias anda costurando como ninguém.

Uma canção como “Where Clock Hands Freeze”, por exemplo, traz o gogó de ouro Michael Kiske no papel do dono do antiquário, um ancião que planta as primeiras sementes de dúvida na cabeça regida pela ciência de Aaron – e o baterista Russell Gilbrook (Uriah Heep) é convidado a entrar no clima do power metal, abusando dos pedais duplos, abrindo as portas para que Kiske faça aquilo que ele faz de melhor, com os agudos no talo. Mas este é um momento, digamos, raro. “The Mystery of Time” brilha justamente quando Biff Byford, o frontman do Saxon, incorporando a razão, explora um lado mais melódico e menos agressivo do que no metal tradicional rasgado que faz em sua banda original. Basta ouvir seus vocais com gosto de interpretação quase teatral na climática “Black Orchid” e na grandiosa “Savior in the Clockwork”, talvez o melhor momento do disco. Por outro lado, também é interessante sentir vocalistas como Ronnie Atkins (Pretty Maids) explorando um lado mais furioso como na porradeira “Invoke the Machine”. E o que dizer de Joe Lynn Turner, que rasga a voz e assume brilhantemente o papel de Jorn Lande em “The Watchmakers' Dream”?

Quem pegou birra da vocação pop de “Lost in Space” e “Carry Me Over”, as power ballads de “The Scarecrow”, muito possivelmente vai se rasgar de ódio aqui também. Já divulgada anteriormente, a quase romântica “Sleepwalking” é um dueto delicado e gostoso de Tobias com Cloudy Yang, uma voz doce e de inspiração espiritual a qual o edguy-supremo nos apresentou nos últimos anos. E embora tenha parecido uma manobra quase óbvia, a de trazer justamente a voz do Mr.Big para uma balada, é impossível dizer que Tobias não acertou ao escalar Eric Martin para a bela “What's Left Of Me”, uma letra poética sobre um homem que é levado a refletir sobre a própria vida depois de um encontro profético com um pedinte nas ruas da cidade. Emocionante.

Diferente do que acontece com “The Wicked Symphony” e “Angel of Babylon”, que funcionam muito melhor juntas do que como obras separadas, “The Mystery of Time” segue a escola de “The Scarecrow”. É um álbum conciso, autocentrado, uma obra que funciona perfeitamente sozinho, do início ao fim, sem pontas soltas. Mas o leitor mais atento do encarte já sabe que, ao final da letra de “The Great Mystery”, música que encerra o disco de maneira brilhante, está a inscrição “fim do capítulo um”. Ou seja: a saga de Aaron Blackwell deve se desdobrar por pelo menos mais um CD. Ou seja: aguardem as cenas do próximo capítulo. O autor conseguiu, mais uma vez, nos deixar babando de ansiedade pelo desdobramento da trama. Corta. Fade out. Sobem os créditos.

Tracklist:
Spectres
The Watchmakers' Dream
Black Orchid
Where Clock Hands Freeze
Sleepwalking
Savior in the Clockwork
Invoke the Machine
What's Left Of Me
Dweller in a Dream
The Great Mystery

Line-up:
Tobias Sammet – Vocal/Baixo
Sascha Paeth – Guitarra
Miro – Teclado
Russell Gilbrook – Bateria

Convidados especiais:
::: Guitarristas :::
Bruce Kulick (faixas 3, 6, 10)
Oliver Hartmann (faixas 4, 7)
Arjen Anthony Lucassen (faixa 2)

::: Vocalistas :::
Joe Lynn Turner (faixas 1, 2, 6, 10)
Michael Kiske (faixas 4, 6, 9)
Biff Byford (faixas 3, 6, 10)
Ronnie Atkins (faixa 7)
Eric Martin (faixa 8)
Bob Catley (faixa 10)
Cloudy Yang (faixa 5)

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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