Avantasia: álbum dá impressão de que foi feito às pressas

Resenha - Mystery of Time - Avantasia

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Por Gustavo Dezan
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Nota: 6

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Mente e voz do EDGUY e do AVANTASIA, Tobias Sammet sempre se destacou com seus trabalhos em meio a um subgênero que muitos dizem que está saturado, como o metal melódico, procurando inovar e evoluir a cada disco. Embora o flerte com o Hard Rock e o mainstream ao longo do tempo tenha irritado a muitos e empolgado a vários outros, preferências à parte, cada lançamento surpreendia de alguma maneira. Algo que não acontece com o novo álbum do AVANTASIA, “The Mystery of Time”.
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Vendido como uma “volta às raízes dos primeiros Metal Opera” e um pesado investimento na gravação com uma orquestra sinfônica completa, a nova aventura é mais modesta em relação aos seus convidados. As novidades são Biff Byford (SAXON), o lendário Joe Lynn Turner (ex-RAINBOW, YNGWIE MALMSTEEN e DEEP PURPLE) e Eric Martin (MR. BIG), as figurinhas carimbadas Bob Catley (MAGNUM) e Michael Kiske (ex-HELLOWEEN, UNISONIC) e os quase anônimos Ronnie Atkins (PRETTY MAIDS) e Cloudy Yang. Completam o time com eventuais solos de guitarra Bruce Kullick (ex-KISS), Oliver Hartmann (HARTMANN) e Arjen Lucassen (AYREON). A banda base continua com Sascha Paeth (ex-HEAVEN´S GATE) na guitarra e o próprio Sammet no baixo, com um novo baterista: Russell Gilbrook (Uriah Heep). Se Tobias não inovou tanto com os convidados, musicalmente também não foi muito diferente.

“The Mystery of Time” tem seus bons momentos, especialmente com a abertura. A primeira música, “Spectres” é a que mais chega perto de empolgar, embora remeta a uma atmosfera muito parecida com “The Wicked Symphony”, faixa-título do disco anterior. Este, aliás, é o maior problema do álbum: todas as músicas lembram, em algum momento, um trecho de um trabalho anterior. Além disso, não há nenhuma melodia marcante, a ponto de não se lembrar de nenhum refrão após a primeira audição, fato raríssimo em se tratando de um disco do AVANTASIA ou até mesmo do EDGUY.

A segunda música, “The Watchmaker´s Dream” começa promissora, veloz, introduzindo novos elementos e uma entrada teatral de Joe Lynn Turner, que, entretanto, está irreconhecível, cantando totalmente fora de suas características. Nos primeiros versos, ele soa como Jorn Lande em seus melhores momentos, e logo em seguida, cantando em tons absurdamente altos para ele. Obviamente, não foi uma música composta para suas características clássicas do AOR, mas dá conta do recado, apesar da notável dificuldade. Este fato se repete também nas participações de Biff Byford, que canta músicas cadenciadas, nada a ver com heavy metal do SAXON. Acredito que esse tenha sido o maior erro deste trabalho, já que, nos anteriores, Sammet sempre compôs músicas de acordo com as características de cada convidado, aproveitando o que cada um tem de melhor e fazendo um disco bem variado. Em “The Mystery of Time” isso não acontece, o que passa a impressão de que as músicas são sobras dos trabalhos anteriores. Seria uma referência ao tal “mistério do tempo”?

Intencionalmente ou não, a pesada e cadenciada “Black Orchid”, remete a “Dragonfly” do Edguy. Nessa música, Biff Byford é o grande destaque, esbanjando feeling e agressividade, naquela que é provavelmente a melhor performance do disco. Em seguida, “When the Clock Hands Freeze” é mais uma daquelas velozes e cheias de agudos, como tantas outras que Michael Kiske já cantou no AVANTASIA e, principalmente, no HELLOWEEN.

Sleepwalking, o single, começa com uma batida eletrônica mequetrefe, mas logo se torna uma power-balada radiofônica interessante, na linha de “Lost in Space”, com um bom dueto de Sammet com a vocalista Cloudy Yang. Mas tudo parece aperitivo até chegar “Savior in the Clockwork”, de dez minutos de duração. O ouvinte finalmente acha que vai ouvir uma faixa épica, ao melhor estilo AVANTASIA, que, de fato, começa promissora, com introdução orquestrada, seguida por riffs e bateria velozes. Esta é primeira que traz mais de um convidado, conta com as participações de Turner, Byford e Kiske, além de Sammet, mas, sem muitas mudanças de tempo, se torna arrastada.

“Invoke the Machine” é a música mais agressiva do disco, traz a participação de Ronnie Atkins, mas é muito parecida com “Another Angel Down”, do álbum “The Scarecrow”. Já a participação de Eric Martin é óbvia demais, apenas na balada “What´s Left On Me”, que apesar dos clichês, é uma boa canção. “Dweller in a Dream” traz mais um dueto animado de Sammet com Kiske, antes do álbum fechar com mais uma música de dez minutos, “The Great Mystery”, que conta com Turner, Byford e Catley. Esta sim é bastante interessante, com várias mudanças de tempo, belas melodias, mais uma arrasadora atuação do velho Biff e um ótimo trabalho de coro e orquestra, mas é tarde demais para empolgar.

Em resumo, “The Mystery of Time” é um disco pretensioso demais que ficou aquém das expectativas, mas que não chega a ser ruim. Apesar de todos os defeitos citados e da falta de empolgação inicial, é um álbum indicado para os fãs, que aos poucos vai caindo no gosto do ouvinte. Quem sabe não melhora com o passar do tempo? ;)

Track List:

1- Spectres (com Joe Lynn Turner)
2- The Watchmaker s Dream (com Joe Lynn Turner/ solo Arjen Lucassen)
3- Black Orchid (com Biff Byford/ solo Bruce Kulick)
4- Where Clock Hands Freeze (com Michael Kiske/ solo Oliver Hartmann)
5- Sleepwalking (com Cloudy Yang)
6- Savior in the Clockwork (com Joe Lynn Turner, Biff Byford e Michael Kiske)
7- Invoke the Machine (com Ronnie Atkins)
8- What s Left of Me (com Eric Martin)
9- Dweller in a Dream (com Michael Kiske/ solo Oliver Hartmann)
10- The Great Mystery (com Joe Lynn Turner, Biff Byford, Bob Catley/ solo Bruce Kulick)

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Post de 26 de março de 2013

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