Skinflint: 'african metal' forja sua forma definitiva
Resenha - Dipoko - Skinflint
Por Willba Dissidente
Postado em 26 de março de 2013
Nota: 9 ![]()
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Formado em 2006 no país de Botsuana (região austral da África), o power trio SKINFLINT faz um metal tradicional que, nadando contra as correntes contemporâneas, acabou por criar um novo estilo dentro das limitações clássicas do heavy oitentista. Ganhando muito reconhecimento internacional nos últimos anos, o grupo acaba de lançar seu terceiro full length, intitulado "Dipoko", mudando de formação e aprimorando seu gênero musical, denominado pelo SKIFLINT de "African Metal".
A melhor maneira de introduzir o som do SKINFLINT é como se fosse um encontro do IRON MAIDEN dos primeiros discos com o BLACK SABBATH até o "Vol 4". A banda faz heavy metal tradicional, como nos primórdios da N.W.O.B.H.M., adicionando sutis passagens e variações de jazz-rock dos anos sententa, com o baixo, evidentemente, alto e preponderante. Esse estilo, denominado pela banda de "African Metal", por vezes é mais arrastado e cavalgado, mas não como no Doom Metal e, não obstante passagens mais rápidas, a música, em momento algum, flerta com mais gêneros mais extremos, como o Thrash Metal.
Indo contra muitas bandas que tendem a massaficar e ocidentalizar suas letras, o SKINFLINT faz questão de ter sua temática lírica exclusivamente formada por mitologias e crenças ancestrais africanas, criando pequenas estórias de terror em cada canção. Levando-se em consideração a riqueza cultural do continente africano, podemos supor que o SKINFLINT tem fonte de inspiração uma longa carreira. Uma diversão adicional que ouvir "Dipoko" proporciona, é, por exemplo, você pesquisar a lenda do 'demônio' da núsica "Olitiau"; o que aumenta o repertório cultural do ouvinte em uma mitologia que, infelizmente, ainda é pouco divulgada em nosso país.
Lançado no final de 2012, "Dipoko" foi gravado, produzido e mixado por Ivo Sbrana. Se o estilo da banda permanece inalterado, nota-se que esse disco está com o som "melhor tirado" que seu anterior, sendo o lançamento do SKINFLINT com melhor produção até o momento. Essa melhoria é diferencial para o som do baixo pulsante de Kebonye Nkoloso, assim como as bases de guitarra e os solos melódicos de Giuseppe Sbrana estão mais agradáveis de ser ouvidas. Guiseppe está apostando num estilo de vocal mais próprio, que é pesado, não gutural ou lírico. O som da bateria também está com mais punch, marcando em grande estilo a estréia de Sandra Sbrana na banda. A nova baterista toca pesado e sabe fazer andamentos criativos. Sandra também é responsável pelas artes de capa e contra-capa de "Dipoko".
O disco abre com a faixa-título, que explora a temática da fraqueza espiritual, e começa num dedilhado que a ótima introdução para o clima sombrio da canção, que se converte num forte tema. "Lord of the night" segue a mesma estrututura e se emenda perfeitamente a "Dipoko". A dupla seguinte, "Blood Ox Ritual" e "Dreams of Eternety", é justamente das duas faixas do disco com maior duração, com muitas passagens arrastadas. Talvez esse seja o único "ponto fraco" no cd, colocar em sequência duas faixas que diminuem, um pouco a velocidade.
Uma amostra de bom gosto por parte do SKINFLINT é mostrada em "Blood Ox Ritual", pois a banda utilizou um instrumento de percussão, como um atabaque, na introdução da cancão. Entretanto, diferente do que, por exemplo, fez o SEPULTURA na época do "Roots", essa percussão desaparece quando a música fica pesada; ou começa para valer. A trinca seguinte, de "The Warrior Dance", "Olitiau" e "Iron Mamba" farão a alegria dos headbangers fissurados no som dos anos 80.
"Mask Of The Dead" e uma das comoposições mais legais do disco, sendo bem justificada a escolha do SKINFLINT para usá-la como seu primeiro clipe oficial. Ela também, apresenta um muito bem colocado teclado, instrumento raramente utilizado pelo SKINFLINT. Chegamos ao final com "Gboyo", mais curta que as demais.
O resultado da audição e altamente positivo e "Dipoko" deve angariar mais fãs ao SKINFLINT, que cada vez mais começa a ser conhecida fora das fronteiras de Botsuana e dos limites do continente africano. Não obstante o estilo, que pode ser taxado de ser relativamente simples por alguns, o SKINFLINT foi capaz de criar e aperfeiçoar um jeito próprio de se fazer Heavy Metal; o que raramente acontece.
O encarte de quatro paginas possui letras de todas as músicas, além de uma ótima foto da banda.
Lembramos que "Dipoko" pode ser comprado diretamente pelo site oficial da banda, que posta encomendas para o mundo todo via correio, no formato físico e em MP3.
SKINFLINT:
Sandra Sbrana - bateria
Guiseppe Sbrana - guitarra e vocais
Kebonye Nkoloso - baixo
Discografia:
Massive Destruction (Cd, 2009)
Ikwla (Cd, 2010)
Gauna (EP, 2011)
Dipoko (Cd, 2012)
Track-list de "Dipoko":
01. Dipoko
02. Lord of the Night
03. Blood Ox ritual
04. Dreams of Eternity
05. The Warrior Dance
06. Olitiau
07. Iron Mamba
08. Mask of the Dead
09. Gboyo
Sites relacionados:
http://www.skinflintmetal.com/
https://www.facebook.com/SKINFLINTMETAL
https://twitter.com/skinflintmetal
https://itunes.apple.com/us/artist/sk
http://www.amazon.co.uk/Dipoko/dp/B00
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