Iron Maiden: diferente do seu homônimo, um Blues Rock psicodélico
Resenha - Maiden Voyage - Iron Maiden
Por Leonardo M. Brauna
Postado em 02 de janeiro de 2013
Nota: 7 ![]()
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"Maiden Voyage" é uma coletânea com gravações de 'Singles' gravados entre 1968 e 1969 pela banda britânica IRON MAIDEN (original). O primeiro álbum seria gravado em 1970, mas as fitas masters foram perdidas na época, porém o líder BARRY SKEELS encontrou as cópias originais e resolveu lançá-las apenas em 1998. O grupo britânico, diferente de seus compatriotas famosos, fazia um 'Blues Rock' com passagens psicodélicas e esbanjava de grande talento a sua arte. Altamente recomendado!
A primeira faixa, "Falling" começa com um pequeno trecho de "Bouree in E Minor" do grande compositor medieval, BACH, a mesma que IAN ANDERSON fez para o álbum "Stand Up" (1969) do JETHRO TULL. A música da "Donzela" é um típico rockão setentista com refrão contagiante e solo bem dosado em sua técnica.
"Ned Kelly" é carregada de solos ao estilo UFO dos tempos áureos, porém a execução é simples e ao mesmo tempo fantástica. O mentor da banda e também "baixista", SKEELS, trabalha muito bem o seu instrumento tirando-nos qualquer dúvida sobre a qualidade da banda.
A grandona "Liar" com seus mais de doze minutos nos leva a uma viagem sonora banhada por harmonia e entre a sua execução, um belo solo de baixo que evidencia a sua imponência. O acompanhamento da batida 'Jazz' no kit de PAUL REYNOLDS contribui para o espetáculo.
O quarto momento fica por conta de "Ritual" que não deixa o "sangue do ouvinte esfriar", pode-se dizer que o guitarrista TREV THOMS, é uns dos mais subestimados do mundo do Rock, por quê? Bom, escute "Ritual" e saiba a resposta.
Em "CC Ryder" a banda toca um 'Country Blues' com direito a solo de gaita e uma bela performance vocal de STEVE DREWETT.
A psicodelia toma maior forma em "Plague" e mais uma vez THOMS dá um show, seus solos sem efeitos e outros com distorção são bem apoiados pelos demais elementos musicais. Mais uma representação da "inteligência" britânica de se fazer música.
A penúltima faixa, "Ballad Of Martha Kent" foi extraída do primeiro compacto e esse foi recebido com muita estranheza na época por conter algumas inovações "absurdas".
As inovações do primeiro compacto seriam mais absurdas ainda com a letra da outra faixa, "God Of Darkness". Ela encerra o "Maiden Voyage" e o que mais chocou aquele público de 1968 foram citações do tipo: "Ministros da morte reunidos, Os sinos da condenação estão a soar, O anjo da morte está a cantar, Convocando o Deus negro da escuridão".
Segundo alguns pesquisadores, esse IRON MAIDEN pode ter sido a primeira banda a contribuir para a construção do estilo "Doom". Concordando ou não, o seu primeiro trabalho é prova de que eles já falavam de ligações profanas muito antes de surgir o BLACK SABBATH.
STEVE HARRIS em sua biografia, conta que recebeu uma ligação em 1976 de alguém dizendo que iria processá-lo por "apropriação" do nome IRON MAIDEN, mas não revela o nome do autor do telefonema, porém, pelo jeito isso já foi esquecido. No encarte de "Voyage" constam fotos de shows da época e um contrato assinado com a antiga gravadora atestando a originalidade da banda.
Lançamento: Gemini Records, Audio Archives.
Line Up:
STEVE DREWETT – vocal, harmonica;
TREV THOMS – guitarra;
BARRY SKEELS – baixo;
PAUL REYNOLDS – bateria;
STEVE CHAPMAN – bateria (faixas: Ned Kelly e Falling).
Track List:
01. Falling - 6.04
02. Ned Kelly - 3.15
03. Liar - 12.21
04. Ritual - 8.47
05. CC Ryder - 6.12
06. Plague - 8.26
07. Ballad Of Martha Kent - 6.50
08. God Of Darkness - 4.18
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