Aerosmith: depois de 11 anos, volta com disco de inéditas

Resenha - Music From Another Dimension - Aerosmith

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Por Andrey Kusanagi
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Nota: 6

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Desde Just Push Play, em 2001, o Aerosmith não lançava um disco só com composições novas (Honkin' on Bobo não conta, afinal foi um álbum de covers): somente umas três ou quatro músicas inéditas aqui ou ali, espalhadas pelo mar de coletâneas que a banda lançava para se manter nas lojas de discos. Mas agora, a espera acabou. Music from Another Dimension é o primeiro disco lançado desde a década passada contendo somente músicas inéditas.

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Nesse meio-tempo, foi turnê atrás de turnê, Joe Perry lançou dois discos solo (e isso depois de Honkin' on Bobo!), a banda ganhou uma versão própria do Guitar Hero, e quase acabou por conta do tombo que Steven Tyler levou em 2009. Mesmo assim, o Aerosmith segue firme e forte, e isso se mostra neste disco.

Antes de mais nada, é preciso dizer: este não é exatamente um disco que vá entrar para a história. O que você vai ouvir nele é Aerosmith, sim, mas um Aerosmith que remete mais aos discos dos anos 90 que os dos anos 70, só que mais inconsistente: praticamente, para cada pedrada, logo depois vem uma balada: "Legendary Child" vem seguida de "What Could Have Been Love", que vem antes de "Street Jesus", à qual se segue "Can't Stop Loving You", depois da qual vem "Lover Alot" e assim por diante. Chega uma hora em que você pensa: "estou escutando o mesmo disco?"

Quando às músicas em si, os destaques são "LUV XXX" (não a melhor abertura de disco que eu já ouvi, mas boa mesmo assim porque dá aquele clima do que vem por aí), "Oh Yeah", "Street Jesus", "Lover Alot" e "Freedom Fighter" (na qual Joe Perry canta!), rockers com a marca registrada Aerosmith, feitas para tocar em estádios e grandes arenas. Tudo bem que "Street Jesus" tem um efeito sonoro horrendo logo antes de a banda descer a lenha, mas passando por cima disso, é um som bem legal.

As baladas, por outro lado, dão no saco legal. E o pior é que elas vão acabar sendo o principal motivo de compra do disco, especialmente entre menininhas de 14-16 anos. "What Could Have Been Love" é a única que dá pra dizer que se salva, porque tem uma pegada que lembra muito "Angel" e "Hole in My Soul" (as únicas baladas depois do retorno à fama nas quais o Aerosmith acertou, na opinião deste humilde escriba), mas as outras... "We All Fall Down" dá pra pular sem remorso, ainda mais quando você for ver quem a escreveu: Diane Warren, a mesma culpada por "I Don't Want to Miss a Thing". E da mesma forma, "We All Fall Down" é uma musiquinha muito sem-vergonha, só com voz, guitarrinha e piano, sem cozinha. Outra totalmente dispensável é a faixa que fecha o disco, "Another Last Goodbye" que, não à toa, é a colaboração para o tracklist de Desmond Child (outro que transformou o Aerosmith numa banda mela-calcinha). Esta aqui termina o disco de uma forma um tanto decepcionante, deixando muito a desejar. E "Can't Stop Loving You" (com participação especial da cantora country Carrie Underwood) não tem sal nem açúcar. O resto das músicas fica no "nem lá, nem cá", com faixas boas, mas que poderiam ser melhores ("Out Go the Lights" e "Legendary Child"), e outras nas quais sinceramente dava pra esperar bem mais ("Something").

Em suma, Music from Another Dimension, para todos os efeitos, não é um disco ruim, mas efeitos "modernetes" de som não podem esconder a impressão de que o produto final poderia ser muito melhor. É claro que nem todo mundo espera um novo Toys in the Attic, ou um Rocks do novo milênio, mas de músicos veteranos como os caras do Aerosmith, você fica esperando bem mais quando sai um disco mediano como este.

Tracklist:

1. LUV XXX
2. Oh Yeah
3. Beautiful
4. Tell Me
5. Out Go the Lights
6. Legendary Child
7. What Could Have Been Love
8. Street Jesus
9. Can't Stop Loving You
10. Lover Alot
11. We All Fall Down
12. Freedom Fighter
13. Closer
14. Something
15. Another Last Goodbye


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