Aerosmith: se for o último registro fecharam com chave de ouro!

Resenha - Music from another dimension - Aerosmith

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Por Nando Perlati
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O Aerosmith retorna após vencer batalhas internas em um disco magicamente bem escrito, surpreendendo pelo óbvio e por motivos bem mais sutis. Se for o último registro fecharam com chave de ouro!

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Nunca imaginei que o atraso dos lançamentos internacionais em terras tupiniquins fosse ajudar na boa primeira impressão. Como me recusei a baixar o disco na internet, passei a ler resenhas de outros ouvintes e fiquei ligeiramente decepcionado pela decepção alheia. Mas eis que quando pessoalmente deixo resoar esse velho rock'n roll não pude deixar de constatar o extremo exagero nas críticas, porque senhores, este álbum é espetacular!

Obviamente uma audição completa revela faixas que talvez pudessem ser deixadas pra trás, uma balada ou outra com certeza, mas vamos ser razoáveis, sabemos que apesar de se tratar de música ainda rola pelos bastidores muita grana e negócios que precisam ser saudados. Coisa grossa que a maioria de nós nem podemos imaginar, então...

Como sempre fui muito mais fã da fase setentista dos caras, mais do que a que se seguiu a partir dos anos oitenta, recebi com entusiasmo o fato de que este novo lançamento remeteria muito mais aquela fase. E é aqui que entram as surpresas que mencionei acima, pelo óbvio porque um disco do Aerosmith dificilmente vai ser ruim, alguma coisa sempre se salva nem que seja a execução apaixonada, mas surpreendeu principalmente por perceber, muitas vezes sutilmente a pegada dos anos setenta em quase todas as faixas mais "rocker" do CD.

Basicamente isso se dá pelos riffs "bêbados e safados" que convidam a chacoalhar como a abertura magnífica de Luv XXX,

Derrapadas sempre existem como o refrão lindo de "Beautiful" no meio de versos não tão inspirados. Baladas são mais do que esperadas em qualquer trabalho do Aerosmith e a única que me incomodou deixando a impressão de que poderia estar fora do disco é o dueto com Carrie Underwood, "Can't sotp lovin'you", mas realmente gostei de " What could have been love" que levou o primeiro clipe de divulgação, "We all fall down" e destaque para " Closer" com provavelmente uma das melhores músicas em termos de melodia vocal, sem pretensão de ser hit radiofônico

Se concentrem no fato de que a proposta era arranjos mais simplistas e diretos, e aposto alto que essa é a estranheza da maioria ao ouvir essas novas canções, pois estavam acostumados as imensas orquestrações de clássicos como "Get a Grip" de músicas como "I don´t wanna miss a thing". Ouvir este novo álbum do Aerosmith visando essa proposta é realmente se deixar levar pra outra dimensão por resgatarem uma certa crueza deixada de lado para atender padrões mais comerciais nos anos noventa que funcionou bem é claro. Prova disso está em faixas como "Tell me" basicamente violão e voz remetendo ao material antigo, coisa como "Seasons of wither" menos inspirada é claro, mas é onde a cabeça desses caras estão. O que dizer da belíssima faixa "Another last goodbye" que fecha o disco? Voz e piano! Simplicidade intensa assim não é ouvida no Aero há décadas, cantada com a dor de uma voz de alguém que assumidamente viveu décadas demais para falar com autoridade sobre os pesares e despedidas.

A verdade é que o Aerosmith sempre se propôs a uma identidade determinada para cada disco e analisando por cada uma dessas propostas acertaram quase que sempre, com raríssimas exceções como "Just push play" de 2001 que não é o melhor dos Bad Boys de Boston, mas também não um fiasco absoluto emplacando três ou quatro canções dignas de qualquer the Best of.

A prova dessa teoria está nas impecáveis "Lover alot", "Street Jesus", "Legendary Child" e mesmo as faixas onde Joe Perry assume os vocais, "Freedom Fighther" e "Somethig" apesar dessa em especial cansar e também deixa a sensação de que poderia ser descartada, são mostras claras da proposta de volta as origens e "Out go the lights" coroa essa intenção com um dos riffs mais hard setenta no melhor estilo Aerosmith e um longo solo inimaginável em bandas novas. Se reparar é praticamente os caras tocando sem grandes overdubs ou talvez sem nenhum.

Talvez "Music from another dimension!" não será um álbum que irá atingir aura de clássico como "Rocks" e "Toys in the acttic", mas é um super discão pra se divertir, curtir e ouvir alto. Mas se o mesmo tivesse sido lançado nos anos setenta será que não seria um clássico???

Dilemas da época em que vivemos.

Set list:

1."LUV XXX" (com Julian Lennon)
2."Oh Yeah" (com Lauren Alaina)
3."Beautiful"
4."Tell Me"
5."Out Go The Lights"
6."Legendary Child"
7."What Could Have Been Love"
8."Street Jesus"
9."Can't Stop Loving You" (com Carrie Underwood)
10."Lover Alot"
11."We All Fall Down"
12."Freedom Fighter" (com Johnny Depp)
13."Closer"
14."Something"
15. Another Last Goodbye"


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