Heart: passado e presente convergem em "Fanatic"
Resenha - Fanatic - Heart
Por Jack Montes
Postado em 14 de novembro de 2012
Nota: 9 ![]()
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36 anos após seu primeiro lançamento, as irmãs Wilson lançam seu 14º álbum de estúdio, esbanjando de toda a carga musical adquirida através das décadas e mostrando que ainda há muito Rock a ser explorado.
Diferente de seu antecessor "Red Velvet Car", de 2010, "Fanatic" recorre ao maior uso do som elétrico e pesado que projetou o Heart nos anos 70, revisita elementos adquiridos durante a carreira e incorpora nuances do cenário musical atual. Com grande participação do produtor Ben Mink, que co-escreve todas as canções do álbum e toca diversos instrumentos, Ann e Nancy Wilson nos entregam um dos melhores álbuns do ano, bem como de toda a sua carreira.
O disco começa com a faixa-título, "Fanatic", que logo de cara mostra a que veio: poderosos e pesados riffs de guitarra, utilizando técnicas não muito convencionais, aliados a efeitos sonoros que dão um ar tecnológico, e somados ao sempre forte e belo vocal de Ann, pouco afetado pelo tempo. A primeira faixa dita a maior parte do ambiente do álbum: um caráter pessoal, agressivo como nunca, o velho e o novo mesclados.
Em seguida temos "Dear Old America", que retrata o sofrimento de um soldado na guerra. Talvez seja a faixa com maior profundidade biográfica, tendo sido escrita pelas irmãs Wilson em homenagem a seu pai, veterano de guerra. A batida é bem marcada e intensa, novamente com guitarras pesadas (embora sem riffs destacados) e vocal muito forte. Destaque para a interferência de um ritmo acelerado que dá um tom de turbulência à música, tornando-a ainda mais agressiva. O belo trabalho de Ben Mink com os arranjos de violino e viola incrementa a faixa, fazendo dela um dos grandes destaques do álbum.
Então vem a primeira "parada" de ritmo do álbum. Nancy assume os vocais em "Walkin' Good", uma bela canção acústica com ilustre participação de Sarah McLachlan. Os acordes soltos, os instrumentos de cordas, a flauta de Ann e o caráter intimista relembram a ambientação folk do Heart de "Dreamboat Annie" e "Little Queen".
A quarta faixa, "Skin and Bones", volta com o Hard Rock e com Ann nos vocais, apresentando uma mescla muito peculiar de ritmos blues-rock marcados e efeitos "high-tech", resultando em uma música cativante até difícil de explicar. A linha de baixo se destaca e a faixa está entre as melhores do álbum.
"A Million Miles" é o expoente da criatividade no álbum. Beirando o progressivo e o psicodélico, a banda une Rock pesado com efeitos futuristas de Techno-Funk, utilizando-se de feedback controlado e muito reverb sobre riffs não-convencionais de guitarra e trechos de bandolim. É uma das músicas mais potentes do disco e o vocal de Ann é mostrado em todo o seu potencial e qualidade atuais, combinando perfeitamente com essa arrojada canção.
Então vem o ponto baixo do álbum, "Pennsylvania". Está longe de ser ruim. Pelo contrário, é boa, de fato. Mas não possui nenhum atrativo que faça com que ela não seja ofuscada pela ótima qualidade das outras faixas. A música é lenta, arrastada e supostamente emotiva, mas não me atingiu como deveria. Talvez seja só eu.
Em seguida temos "Mashalla!", a grande representante do Hard Rock clássico no álbum. Relembrando os tempos em que o Heart era comparado com Led Zeppelin, a faixa utiliza riffs pesados mais convencionais, tendo uma sonoridade levemente influenciada por nuances médio-orientais intensificadas pelo ótimo emprego de instrumentos de corda que se aproximam do oriente. O vocal é poderoso e impactante, e o uso de exclamação no título da música é muito conveniente.
"Rock Deep (Vancouver)" é a balada definitiva do álbum.
Com dedilhados no violão, violinos e vocal íntimo, consegue provocar a emoção que "Pennsylvania" falha em fazer. Acerta nos momentos de intensidade do refrão e não cai na mesmice romântica.
Logo após, vem sua antítese: "59 Crunch". A música mais agressiva do álbum, e quem sabe de toda a carreira do Heart, apresenta Ann e Nancy compartilhando os vocais quase igualitariamente pela primeira vez, e o ritmo quebrado e agressivo se aproxima do Punk. É a única música do disco que possui um solo de guitarra (marcando mais uma singularidade do álbum), muito bem executado em slides. Obs.: Não tente entender a letra. Não é para ter sentido.
O disco encerra com "Corduroy Road", mais uma vez se aproximando do som característico do Heart nos anos 70. Com uma das melhores execuções da vocalista Ann, a canção toma forma em acordes pesados de violão e bandolim, junto a mais um belo arranjo de cordas de Ben Mink, dando novamente características folk e orientais. Intensa, criativa e peculiar, a faixa encerra o álbum sendo uma das maiores surpresas.
"Fanatic" resgata o Heart clássico ao mesmo tempo que explora novos horizontes musicais, evitando que a sonoridade da banda caia no marasmo do passado. O álbum tem capacidade de agradar tanto os ouvintes mais FANÁTICOS quanto os casuais, equilibrando perfeitamente sons criativos e comerciais. "Fanatic" é o exemplo perfeito de que ainda se pode fazer Rock de qualidade que surpreenda, e que a criatividade das irmãs Wilson está longe de esgotar.
Line-up:
Ann Wilson - Vocais, flauta
Nancy Wilson - Guitarra, violão, vocais, bandolim
Ben Mink - Produção, programação, guitarra, violão, bandolim, banjo, teclados, órgão, violino, viola, arranjos
Ben Smith - Bateria, percussão
Ric Markmann - Baixo
Faixas:
01 - Fanatic
02 - Dear Old America
03 - Walkin' Good (feat. Sarah McLachlan)
04 - Skin and Bones
05 - A Million Miles
06 - Pennsylvania
07 - Mashalla!
08 - Rock Deep (Vancouver)
09 - 59 Crunch
10 - Corduroy Road
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