38 Special: debut é, de longe, o melhor disco dos caras
Resenha - 38 Special - 38 Special
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 26 de setembro de 2012
Nos anos 70, o rock n´roll consolidou seu pluralismo estético: o que até então estava confinado em derivações do blues e do R&B tomou, a partir do final da década anterior, uma estrada cheia de intersecções em que heavy metal, glam rock, art rock, punk, progressivo tomaram suas devidas posições no universo da cultura. Se a década de 80 foi, segundo os mais radicais, marcada pelo niilismo e pelo marketing de guerrilha na música, é incontroverso que a década do milagre brasileiro foi fértil em diversidade sonora e ideológica.
Nesse espírito, ouve nos EUA, uma descentralização assistida dos grandes nichos - leia-se Nova York, Los Angeles e São Francisco. Foi nessa que os sulistas norte-americanos – até então relegados à uma posição meio secundária no mainstream e marcados pela alcunha pejorativa de "red necks"- tomaram posição e marcaram território sob o vaguíssimo termo de Southern Rock. Bandas do Alabama, Flórida, Tennesse, Texas foram identificadas dentro de uma sonoridade que misturava o swamp, delta blues, roots country, caminhonetes Ford velhas, republicanos e a bandeira dos Confederados: nessa safra vieram THE OUTLAWS, MOLLY HATCHETT, BLACKFOOT e uma banda de Jacksonville, Flórida com um tal de VAN ZANT nos vocais.
Muita calma: não estou falando do LYNYRD SKYNYRD! Acontece que entre o mais velho RONNIE e o mais novo JOHNNY, ambos vocalistas da banda (com diferença de uma década), havia mais um herdeiro com as veias cheia de óleo diesel: DONNIE VAN ZANT, nascido em 1952, não poderia cair longe da árvore e, inspirado no bom e velho "Três oitão", criou em 1974 seu próprio bando: o .38 SPECIAL.
O debut homônimo saiu três anos depois e é, de longe, o melhor disco dos caras (que tornaram o som mais arena/hard na década seguinte). Ainda que imersos em todos os inevitáveis clichês do gênero, o .38 inovou, trazendo elementos de rock n ´roll primitivo ( "Around and Round" de CHUCK BERRY é recriada em uma versão superior à dos STONES) e uma leve pitada de soft rock ( "Fly Away" possui uma clara influência vocal de bandas como AMERICA), saindo de perto de comparações inevitáveis com as "outra" banda da família (apesar da assustadora semelhança dos momentos iniciais de "Just Hang on" e "Tuesday´s Gone").
"Four Wheels" é uma delícia estradeira com aquele gosto bom dos road movies dos anos 70, recheada de licks de primeira- mesma fórmula de "Gipsy Belle", decorada com o indefectível som de "cowbell", marca do rock sulista. "Long Time Gone" mostra um meio caminho entre WAYLON JENNINGS e GRAND FUNK RAILROAD, country com apelo rock ´n roll que faria fortunas na década de 1990. Enquanto isso, "Play a Simple Song" é para ser tocada na varanda da fazenda, com o pé na coluna da casa, no fim da tarde, tomando uma dose de destilado.
Há uma antiga frase que diz: "Deus fez uns fracos, e outros fortes, mas o Coronel Colt os igualou" Nesse caso, tenho de concordar.
Track List:
1. "Long Time Gone"
2. "Fly Away"
3. "Around and Around"
4. "Play A Simple Song"
5. "Gypsy Belle"
6. "Four Wheels"
7. "Tell Everybody"
8. "Just Hang On"
9. "I Just Wanna Rock & Roll"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Baixista fala sobre luta do System of a Down por ingressos mais baratos
Eloy Casagrande conta como venceu desconfiança do Slipknot inserindo influências brasileiras
O clássico de 1982 do Iron Maiden que virou régua para medir as outras músicas
Iron Maiden está em seu melhor momento ao vivo, garante Adrian Smith
Nas redes sociais, Blind Guardian relembra apresentação em programa de Ronnie Von
Shows da Nervosa são cancelados por conta da saúde de Prika Amaral
As 5 melhores músicas que começam com bateria, segundo Gastão
O cantor que Axl Rose, Roger Daltrey e Chris Cornell colocam acima de todos
Produtor contesta declaração de Tony Iommi sobre último disco do Black Sabbath
Regis Tadeu detona fãs do Iron Maiden após confusão no Equador; "Estupidez"
O clássico do Pink Floyd com letra ingênua e adolescente, de acordo com Roger Waters
A melhor banda de metal progressivo dos EUA e Inglaterra, segundo a Loudwire
"Um babaca que nem sabe tocar direito": Roger Waters fala sobre James Hetfield
A banda que Brian May gostaria de ter integrado se o Queen nunca tivesse existido
Matt Heafy revela que quase deixou o Trivium no ano passado
A banda mais subestimada de todos os tempos, na opinião de Geddy Lee, do Rush
Júnior Bass Groovador: desabafando após internauta dizer que sente nojo de suas caretas
O elemento em comum entre os nomes Metallica e Legião Urbana, segundo Humberto Gessinger


Kiss - há 44 anos, "Creatures of the Night" marcou o retorno da banda ao hard rock pesado
Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
A Tempestade (ou O Livro dos Dias): 30 anos da despedida
"Se o Rádio Não Toca", o raro registro ao vivo de Raul Seixas que ganhou edição definitiva
Carach Angren - Sete histórias para um inferno
Paura mira em velhos problemas humanos e entrega muito metalcore em "Primitive Chaos"
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Pride Of Lions Mantém a Tradição do AOR Clássico em "Unbridled"
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
Alice In Chains: Sete músicas, que podem mudar a vida de uma pessoa



