Rush: Os 35 anos de "A Farewell To Kings"
Resenha - A Farewell To Kings - Rush
Por Igor Miranda
Fonte: Van do Halen
Postado em 01 de setembro de 2012
O Rush estava bastante estável na entrada do ano de 1977. Seus quatro discos, bem como o álbum ao vivo All The World’s A Stage foram gradualmente sendo muito bem recebidos pelos fãs do gênero. A mistura entre o Hard Rock dignamente setentista e elementos progressivos estava cada vez mais coesa. Mas havia um problema: o reconhecimento não era lá dos maiores, principalmente fora do Canadá. A banda não engatou grande sucesso comercial.
Em A Farewell To Kings, quinto disco de estúdio do grupo, as coisas começaram a mudar. Talvez seja o divisor de águas, mas na discografia do Rush, prefiro enxergar como a evolução natural do antecessor 2112, álbum que peca pelos excessos musicais que podem ser considerados "laboratoriais" para a produção do material posterior.
A abertura com a faixa-título revela que o trio estava cada vez mais afiado. A composição é muito bem construída e evidencia os talentos individuais de cada integrante. "Xanadu", um clássico progressivo, dá sequência com grandiosidade. Seu início climático prepara a audição para a excelente canção que segue. O Rush era mais ousado por soar um pouco mais pesado do que os progs de seu tempo. Não à toa, para 11 de 10 bandas do Metal progressivo oitentista, foram a influência principal.
A excelente balada "Closer To The Heart" segue o play com sua vibe positiva, boa letra e incrível construção melódica. Alex Lifeson já declarou, em entrevistas, que esta é a música derradeira da carreira do Rush, talvez por seu destaque ao ser lançada como single. "Cinderella Man", composição do também bom letrista Geddy Lee, transita mais pelo Hard Rock empregado nos dois primeiros plays.
Para o fechamento do disco, dois extremos: "Madrigal" e "Cygnus X-1 Book I: The Voyage". A simplória "Madrigal" impressiona mesmo com seus 2 minutos e meio de duração. Majoritariamente acústica, tem a voz de Geddy Lee, carregada de feeling, como destaque. Já a complexa "Cygnus X-1 Book I: The Voyage" narra uma viagem pela ficção científica em sua letra. A música, dividida em quatro partes, tem o instrumental mais bem construído de todo o disco. E ainda tem uma continuação de 18 minutos ("Book II: Hemispheres") no álbum sucessor, Hemispheres.
O sucesso comercial começou a aparecer de fato em A Farewell To Kings. O mercado estadunidense, alvo principal dos artistas em geral, recebeu bem o lançamento e foi o primeiro do trio a receber disco de ouro por lá, sendo seguido por disco de platina um tempo depois. Foi o início do reconhecimento comercial de um dos monstros sagrados do Rock progressivo, que se expandiria pelo mundo futuramente.
Rush – "A Farewell To Kings"
Lançado em 1° de setembro de 1977
Geddy Lee (vocal, baixo, guitarra de 12 cordas)
Alex Lifeson (guitarra, violão)
Neil Peart (bateria, sinos, percussão em geral)
Músico adicional:
Terry Brown (voz inicial em 6)
01. A Farewell to Kings
02. Xanadu
03. Closer to the Heart
04. Cinderella Man
05. Madrigal
06. Cygnus X-1 Book I: The Voyage
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