Guns N' Roses: Em 1987, o lançamento de Appetite For Destruction
Resenha - Appetite For Destruction - Guns N' Roses
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 21 de julho de 2012
Esta não é exatamente uma resenha. Escrever uma boa resenha sobre o disco "Appetite For Destruction" é, ao mesmo tempo, um trabalho hercúleo, dada a importância do registro, mas também um trabalho que soaria repetido, por já ter sido feito inúmeras vezes por um incontável número de jornalistas, músicos ou, simplesmente, viciados em música (como eu).
Ok, desafio de escrever uma resenha comemorativa dos 25 anos do "Appetite" não aceito, sigamos em frente falando da importância que este álbum teve na vida de um simples indivíduo, este que vos escreve.
O ano era 1987. O heavy metal já tinha sido inventado há quase 20 anos, com o disco de estréia do BLACK SABBATH, em 1970 (se você não concorda, ok, mas não é o foco aqui). Entretanto, lá na minha cidade, no interior do Ceará, bandas como LEGIÃO URBANA ainda eram chamadas de "rock pauleira" (!!!). E eu já tinha ouvido bandas como IRON MAIDEN, SCORPIONS e QUEEN, mas, apenas as baladas "Wasting Love", "Wind of Change", entre outras. E, ajudados pelas trilhas sonoras das novelas, ainda pensávamos que essas músicas, que chamávamos de música lenta, eram românticas.
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Foi então que um amigo de escola gravou duas fitas pra mim. Naquele tempo, ninguém sabia o que era Internet. E computador era apenas uma máquina que sabíamos que existia nos postos da Secretaria da Fazenda. Muitas músicas que conhecíamos, tinham o charme do chiado do LP combinado ao barulho (quase inaudível, é verdade) dos mecanismos dos toca-fitas. Naquela época, se uma fita dava defeito, tentávamos, com extrema paciência, enrolá-la novamente. Se enganchava, cortávamos o mínimo e, também com todo o cuidado, colávamos um durex por baixo, unindo as duas pontas.
A primeira das fitas tinha a banda do cara da cartola. A princípio, nem gostei muito. Queria que o meu amigo tivesse gravado aquelas baladas que eu conhecia, "Patience", "November Rain", "Don't Cry" (os "Use Your Illusion" já tinham sido lançados). Mas, ele gravou apenas um disco, o "Appetite For Destruction".
A princípio, todas as músicas na minha primeira fita pareciam iguais. E quantas vezes não ouvimos isso quando estamos curtindo nossos artistas preferidos. Fora "Sweet Child O'Mine", meu ouvido ainda não iniciado no metal pouco conseguia distinguir. Havia uma faixa em que o AXL Rose gritava "Sha na na na na nis", outra que começava lenta e ficava bem pesada, outra em que a letra era quase declamada, de forma bem rápida. Mas o som era bom. Revoltado(!) como o adolescente que eu era precisava.
Aquele álbum, aquela banda, aquela fita influenciou meus caminhos desde então. Embora jamais tenha tido a oportunidade de aprender a tocar alguma coisa (só agora criei coragem e comecei a ter aulas de teclado), me tornei um consumidor voraz de música. Tive dezenas de fitas (gravadas e originais - e quem não teve?), depois centenas de CDs (a maioria original, mas tive alguns piratas também - e quem não teve?) e lotei HDs com tanta música que não terei oportunidade de ouvir no tempo da minha vida (e talvez nem meu neto tenha).
E o idioma daquelas músicas também me abriu portas. Eu queria saber o que eles diziam. Precisava entender o que o AXL Rose falava. E também traduzia as letras mais românticas para as menininhas do colégio. Assim, ainda no período pré-Internet, vasculhava as bancas de revista em busca de letras traduzidas ou daquelas revistinhas com cifras para violão (que eu deveria ter usado). E foi dessa forma que, anos depois, passei a trabalhar em uma multinacional, falando com uma porção de gringos.
Embora os "Use Your Illusion" sejam muito bons, a banda, nem no tempo do cara de cartola, nem anos depois, jamais lançou algo melhor que "Appetite For Destruction". Quem os conheceu e se tornou fã mais recentemente, a partir do fraco "Chinese Democracy" talvez, chama o pessoal da minha geração de "Viúvas do Slash". Não, não somos viúvos do Slash. Somos viúvos de um tempo, de uma forma de viver, de dias que não mais retornarão. Somos viúvos de quando "Appetite For Destruction" não era um clássico, era apenas o melhor disco lançado naquela época. Somos viúvos da nossa juventude.
By the way, a outra fita tinha LEGIÃO URBANA de um lado e PARALAMAS do outro. Depois vieram IRON MAIDEN, AC/DC e SLAYER.
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