Black Sabbath: Em 1970, além da relação entre blues e rock
Resenha - Paranoid - Black Sabbath
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 19 de julho de 2012
Nota: 10 ![]()
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No dia 18 de setembro de 1970, o hotel Samarkand em Londres dava péssimas notícias para o mundo da música: graças à um coquetel de comprimidos para dormir e garrafas de vinho a rodo, JIMI HENDRIX havia falecido em decorrência de sufocamento no próprio vômito. A controversa história deixou uma série de especulações – suicídio e negligência média foram invocados - mas, fato é que o mundo perdeu sua maior referência – até hoje - da guitarra pré metal.
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Por uma dessas indecifráveis ocorrências do destino, nesse exato dia, no mesmo país, foi lançado um – ou "o" – dos maiores álbuns de metal da história. Produzido por RODGER BAIN, o BLACK SABBATH lançava seu segundo full length, o clássico absoluto "Paranoid". Se o primeiro e homônimo registro trouxera uma nova forma de se fazer música, criando barreiras de distorção aliadas a trítonos e contatos com o além, "Paranoid" criava novas e sombrias perspectivas para a então recém nascida década de 1970.
Assim como seus companheiros da tríade emergente – PURPLE e LED – o quarteto de Birmingham foi além da relação estreita entre blues e rock n´roll da época, captando novas influências e forjando roupagens que decretavam o fim da era Flower Power. A temática anti–bélica de "War Pigs" mostrava que a crítica à guerra podia ser mais ácida e contundente que discursos de "sim ao amor e não a batalha". O riff psicótico de IOMMI mostrava a realidade tal como era: agressiva, incompreensível e farpada. Na mesma temática "Electric Funeral"- na minha opinião o melhor riff do disco- segue arrastada e agonizante, com OZZY marcando "aquela" presença lúgubre nos vocais.
"Iron Man" – que, segundo consta foi batizada por OZZY após ouvir o riff central – mesmo tendo sido tocada ao vivo ou regravada por Deus e o mundo - de NOFX a METALLICA - continua tendo sua essência imortalizada nesse registro. Vale lembrar que essa faixa é uma das pioneiras no gênero em alternâncias de seções sustentadas por riffs diferentes- um marco do metal.
Mas nem só de pancada vive o disco: "Planet Caravan" é o melhor exemplo de como soar profundo e com toques psicodélicos sem ser chato como algumas jams intermináveis de grupos da época. No campo das mudanças de dinâmica, "Hand of Doom" e "Rat Salad" e, claro, "Fairies Wear Boots", mostram um trabalho extraterrestre de WARD e GEEZER na seção rítmica, emoldurando os "muros" da guitarra de IOMMI de forma surreal.
Para quem gosta do folclore do rock n ´roll, a estranha capa do disco já havia sido pensada para o então título do álbum- "War Pigs". Entretanto, segundo WARD, ainda havia necessidade de preenchimento do tempo total do vinil. Foi assim que IOMMI criou um riff de improviso e eles montaram uma música completa em poucos minutos. Essa música inspirou, anos depois, cartazes do punk que mostravam os desenhos dos acordes de E(mi), G(sol) e D(ré)- base da música- e abaixo constava a famosa frase "Agora forme uma banda". É, essa música é "Paranoid".
Track list:
1. "War Pigs"
2. "Paranoid"
3. "Planet Caravan"
4. "Iron Man"
5. "Electric Funeral"
6. "Hand of Doom"
7. "Rat Salad"
8. "Fairies Wear Boots"
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