Joe Bonamassa: Mais um grande álbum de sua carreira
Resenha - Driving Towards The Daylight - Joe Bonamassa
Por João Paulo Linhares Gonçalves
Postado em 11 de junho de 2012
Nota: 9 ![]()
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Vamos falar sobre o mais novo lançamento do grande guitarrista de blues Joe Bonamassa. Seu décimo álbum de estúdio (décimo primeiro, se contarmos o disco com Beth Hart) se chama "Driving Towards The Daylight" e acaba de ser lançado - a data exata do lançamento foi 21 de maio de 2012.
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Mais uma vez, para a gravação deste disco, Bonamassa se valeu de seu parceiro de produção Kevin Shirley, que tem acompanhado o guitarrista desde 2006 (já foram sete álbuns solo, além dos dois com o Black Country Communion). Alguns músicos que já acompanham Joe há algum tempo continuaram na equipe - Anton Fig na bateria e Carmine Rojas no baixo, por exemplo - mas novas parcerias foram introduzidas: Michael Rhodes no baixo na maioria das canções; Brad Whitford (Aerosmith) na guitarra base; e Arlan Schierbaum nos teclados. O repertório do disco é composto de algumas poucas composições de Bonamassa (três) mais diversas covers, dos principais nomes do blues, como Willie Dixon, Howlin' Wolf e Robert Johnson, além de artistas mais inusitados, como Tom Waits, Bernie Marsden (ex-guitarrista do Whitesnake, chegou a ser cogitado no UFO antes de Michael Schenker entrar na banda) e Jimmy Barnes (este último faz participação especial no disco cantando na sua própria cover).
O álbum foi quase todo gravado nos estúdios The Palms, em Las Vegas, exceção às canções "I Got All You Need", "A Place In My Heart", "Heavenly Soul" e "Somewhere Trouble Don't Go", que foram gravadas nos estúdios The Village Recorders, em Los Angeles. Para obter o delicioso som de guitarra que escutamos neste disco, Joe Bonamassa usou e abusou de guitarras modelo Gibson Les Paul, de anos variados, mas todas bem antiguinhas (Joe considera a melhor a que ele comprou primeiro, uma de 1959).
O disco começa com uma composição própria de Bonamassa, "Dislocated Boy", uma canção bem moderna que abre o álbum em grande estilo. A seguir, temos "Stones In My Passway", cover de Robert Johnson, e o disco entra de cabeça no "blues de raiz" (se é que existe termo semelhante...). A faixa-título, para mim a melhor do disco, é um tema lento, gostoso e suave, de uma qualidade extrema. Temos "Who's Been Talking" (deverá estar no set list dos shows aqui no Brasil), um clássico do bluesman Howlin' Wolf, um riff que me remete a "Whole Lotta Love", do Led Zeppelin. O blues continua rolando solto e passamos para "I Got All You Need", de outro grande bluesman, Willie Dixon. Todas estas canções com interpretações inspiradas de Bonamassa e sua banda, com produção certa e bem direcionada de Kevin Shirley.
"A Place In My Heart", cover de Bernie Marsden (ex-guitarrista do Whitesnake, da época blues rock da banda), recebe uma interpretação primorosa, com uso suave e moderado de um naipe de metais (me lembrou o saudoso Gary Moore) e um solo inspiradíssimo, ficando entre os grandes destaques do disco. "Lonely Town Lonely Street" é outro estandarte do blues, desta vez de um cantor menos conhecido, Bill Withers. A última composição de Bonamassa a figurar no disco, "Heavenly Soul", é outra bela composição deste prodígio das seis cordas, com melodia cativante e bela performance no órgão Hammond de Arlan Schierbaum. "New Coat Of Paint" é outro belo blues, uma cover de Tom Waits. "Somewhere Trouble Don't Go" traz forte influência de ZZ Top (Joe costuma fechar seus shows com uma música dos barbudos, "Just Got Paid"), e fica o conflito entre o encarte do CD e a Wikipedia: o encarte indica uma composição de Bonamassa, mas a enciclopédia online indica autoria de Buddy Miller (cantor americano de country). Fechando o álbum, temos a canção "Too Much Ain't Enough Love", cover de Jimmy Barnes (cantor australiano de sucesso em sua terra natal), interpretada pelo próprio.
O trabalho de produção de Kevin Shirley, mais uma vez, é impecável, deixando o som do álbum excelente e ressaltando as qualidades de Joe Bonamassa. Kevin deve ser o produtor com os melhores resultados atualmente - veja seus trabalhos com o Dream Theater, Iron Maiden, Black Country Communion. Meu pensamento é que ele é o Martin Birch dos anos 2000 (principalmente se pensarmos que ele tem trabalhado até com as mesmas bandas que Birch trabalhou, como o Maiden e o Deep Purple).
Resumindo, este é mais um grande álbum na carreira deste guitarrista, uma carreira que já se apresenta longa, apesar da pouca idade de Joe (ele tem apenas 35 anos), com dez discos de estúdio já gravados, fora um disco ao lado de Beth Hart, alguns álbuns ao vivo e dois com o supergrupo Black Country Communion. Indicado para seus fãs, para os que conhecem algum trabalho dele e para os que nunca o ouviram - não se arrependerão!
Lista de faixas do álbum:
1 - "Dislocated Boy"
2 - "Stones In My Passway"
3 - "Driving Towards The Daylight"
4 - "Who's Been Talking"
5 - "I Got All You Need"
6 - "A Place In My Heart"
7 - "Lonely Town, Lonely Street"
8 - "Heavenly Soul"
9 - "New Coat Of Paint"
10 - "Somewhere Trouble Don't Go"
11 - "Too Much Ain't Enough Love"
Alguns vídeos com canções deste álbum:
Vídeo oficial da faixa-título:
"Dislocated Boy":
"Who's Been Talking":
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