Fight: O lado mais pesado e agressivo de Rob Halford
Resenha - War of Words - Fight
Por Thiago Pimentel
Fonte: Hangover Music
Postado em 29 de abril de 2012
Nota: 10 ![]()
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Três anos após o lançamento daquele que é um dos álbuns mais idolatrados e pesados do "Judas Priest" - 'Painkiller' (1990) -, o vocalista Rob Halford surpreenderia os fãs e a crítica abandonando a tradicional banda de heavy metal britânica para, pouco depois, anunciar seu mais novo projeto, o "Fight".
A proposta desta nova investida musical agregaria elementos diferentes dos apresentados no 'Priest', desde o ínicio Halford alertou à todos. Contudo, apesar dos anúncios e avisos, sobre as diferenças de sonoridade, a agressividade latente das composições de "War of Words" causou surpresa e críticas, no geral, positivas. Na verdade, até o visual mais 'despojado' de Halford e seus asseclas - sem as motocicletas e o couro - surpreendeu. Musicalmente, a abordagem desta nova banda visava músicas diretas, agressivas, groove e riffs pesados, bem pesados.
Na verdade, Halford não pretendia deixar o 'Priest'; porém, esta possibilidade não foi permitida - tanto pela banda quanto pelos empresários -, e a vontade de investir nesse tipo de som era tanta que, após encerrar as turnês de 'Painkiller', o vocalista não pensou duas vezes: mudou-se para o Arizona e fundou o "Fight".
Além de Halford, a banda também contaria com outra peça responsável pela gravação do álbum "Painkiller", o ótimo baterista Scott Travis - entretanto, Travis permaneceu no 'Judas Priest' -; Brian Tilse (guitarra), Russ Parrish (guitarra) e Jay Jay (baixo e backing vocals) completariam a formação responsável por lançar "War of Words".
A audição do álbum já começa de forma violenta com a direta "Into the Pit". Nesta faixa Halford exibe seus tradicionais vocais agudos, porém de uma forma ainda mais agressiva. Sim, é tão 'alto' como ele cantou em sua banda de origem, porém muito mais agressivo! Aliada a alguns riffs mais arrastados, esta faixa de abertura já denuncia a nova faceta de Rob Halford. Todavia, por possuir uma certa velocidade, 'Into the Pit' é uma das canções do disco que mais se remetem os trabalhos do 'Judas Priest'.
Em seguida, a grudenta "Nailed to the Gun" diminui a velocidade, mas o peso permanece. Esta faixa tornou-se uma das mais conhecidas da banda por conta da boa rotatividade de seu clipe na MTV. Sem perder o ritmo, temos em sequência "Life in Black" - detentora de uma das melhores performances vocais do disco e repleta de riffs bem 'sabáticos' - e "Immortal Sin" - outra boa composição que rendeu um bom clipe, porém peca apenas na repetição.
Nesta altura, o ouvinte que esperaria um som próximo ao "Judas Priest" já deve ter começado a estranhar; os riffs são bem mais arrastados e os solos - possuem menos melodia, soam mais caóticos e próximos ao que bandas mais modernas faziam. A propósito, apesar destes não roubarem a cena, estão longe de serem ruins ou desnecessários.
Voltando ao disco, a sua faixa-título é uma das melhores. Em seus quase cinco minutos, consegue aliar peso em riffs cativantes que são incrivelmente sobrepostos pelos vocais de um Rob Halford inspiradíssimo! Destaco também a (incrível) performance de Scott Travis e da dupla de guitarras. Fica mais uma novidade do "Fight": aqui Halford seria o principal e único compositor, escrevendo desde letras - que estão bem mais politizadas e ácidas em relação ao 'Priest'- , até aos riffs de guitarra - que são os responsáveis por guiarem as canções.
A agressividade diminui na faixas seguintes: 'Laid to Rest" é bem soturna, arrastada; 'For All Eternity', embora tenha bastante peso, é uma balada nos moldes do metal tradicional sendo, no geral, a composição que mais remete o 'Priest'; já 'Little Crazy' apresenta elementos bem diferentes - com uso do slide e uma certa pitada de blues -, mas, no geral, é uma boa música. Novamente atento a excessiva repetição de certas faixas - principalmente durante os refrões -, pois o excesso acaba prejudicando a audição de canções.
Depois da 'pausa' apresentada pelas últimas composições, o álbum segue com faixas bem pesadas: em "Contortion" Halford explora bem os vocais médios/graves numa interpretação raivosa. A próxima faixa ("Kill It") aumenta o nível da pancadaria - tendo base em um riff simples, porém pesadíssimo e cativante -, além de apresentar variações bem sacadas - responsáveis por camuflarem a repetição - marca pelo dos excelentes vocais de apoio. O álbum tem seu encerramento com a mediana 'Vicious' seguida da excelente 'Reality, A New Beginning'.
No geral, o álbum cumpre o papel apresentando em sua proposta, além de oferecer um som autêntico. Todavia, o único defeito é a repetição de certas partes e linhas vocais. Enfim, Halford conseguira compor um ótimo disco e, sem saber, lançou o embrião de sua futura carreira solo. Recomendado tanto para quem aprecia o lado mais pesado dos trabalhos de Halford quanto para quem os fãs de thrash/groove metal. Mesmo sem realizar guturais ou similares, Halford conseguiu mostrar que poderia se adaptar. A coragem do músico inglês é digna de aplausos; largar uma banda bem sucedida por querer experimentar é uma atitude para poucos, convenhamos.
Após "War of Words", o grupo lançou o mediano "A Small Deadly Space" (1995) e não obteve a mesma resposta da crítica e do público. O resultado foi o fim das atividades do "Fight". Curiosamente, o 'Judas Priest' - já com 'Tim Ripper Owens' nos vocais - lançaria, no futuro, um disco bem pesado, arrastado e diferente do material antigo tal como Halford queria... Vai entender.
*Em 2008 "War of Words" e "A Small Deadly Space" foram remixados e remasterizados em um box intitulado 'Into the Pit'.
Músicas-chave:
"War of Words" ; "Into the Pit" "Kill It"
Formação:
Rob Halford - vocais
Brian Tilse - guitarra
Russ Parrish - guitarra
Jay Jay - baixo
Scott Travis - bateria
Tracklist:
1. Into the Pit 04:13
2. Nailed to the Gun 03:38
3. Life in Black 04:34
4. Immortal Sin 04:39
5. War of Words 04:29
6. Laid to Rest 04:40
7. For All Eternity 04:42
8. Little Crazy 03:49
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