Unearthly: Um marco no cenário extremo nacional (e mundial)
Resenha - Flagellum Dei - Unearthly
Por Christiano K.O.D.A.
Fonte: Som Extremo
Postado em 11 de dezembro de 2011
Nota: 10 ![]()
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Já começando com uma ousada questão: será o Brasil o maior e melhor celeiro de bandas underground atualmente? Para citar apenas alguns exemplos que dão força a esse questionamento, tivemos lançamentos espetaculares da Krisiun, Clawn, Sodamned, Desecrated Sphere, Hutt, Escarnium, Expurgo, Cauterization, Anonymous Hate e agora, juntando-se ao time dos maus, a Unearthly.
Pois coube à Shinigami Records (valeeeeu!!! – www.shinigamirecords.com.br) colocar no mercado esse luxuoso CD, com direito a capinha digipack caprichada. Já que comecei a falar nisso, tenho que me aprofundar na excelência do material gráfico: da elaboração da capa, passando pelo visual clean do encarte, pelas fotos e até mesmo pela fonte das letras das músicas (que a princípio geram uma pequena dificuldade na leitura, mas rapidamente acostuma a vista), tudo foi pensado nos mínimos detalhes.
Tem mais: as letras são acompanhadas de pequenas e interessantíssimas explicações relativas às ideias que o vocalista/guitarrista Felipe Eregion teve ao escrevê-las.
Bem, e se em "Age of Chaos" o grupo já martelava na cabeça de todo o banger brasileiro fã de som extremo, em "Flagellum Dei" a coisa se expande para além dos limites do país. Apesar de ter sido amplamente divulgado, é sempre bom relembrar que o disco foi gravado no lendário Hertz Studios (Vader, Decapitated), na Polônia. E o investimento teve o resultado que na certa superou as expectativas de todos: qualidade de gravação perfeita!
A ótima mistura que o grupo faz entre o death e o black metal está cada vez mais consolidada. As músicas, sempre concisas, são cuidadosamente elaboradas e prevalecem na maior parte do tempo nos absurdos blast beats de Rafael Lobato, um monstro das baquetas que chega mesmo a lembrar o infernal Horgh (Immortal). E já fica o conselho: escutem "Limbus" para ver do que esse demônio é capaz.
E nos momentos mais cadenciados – nas partes acústicas e melódicas –, tudo parece obra de arte e leva o ouvinte a absorver toda a riqueza do disco. Que trabalho de guitarras lindo! Solos? Curtos, mas muito eficazes!
Impossível mencionar qual a melhor faixa. Entretanto, duas despertam curiosidade, cada uma por motivos diferentes: "Black Sun (Part I)" tem uma estrutura fenomenal e inclusive dá espaço a um pequeno e surpreendente trecho que remete muito ao ritmo nordestino (mais ou menos a partir dos 4’20’’ – seria proposital?); e coroando o trabalho, Steve Tucker (ex-Morbid Angel) empresta sua voz para a faixa "Osmotic Haeresis (Part II)", outro petardo fabuloso do CD.
Ah, sim, apenas para não passar batido: o disco termina exatamente como começa: com um dedilhado arrepiante e obscuro. Belo, muito belo!
Perfeição. É nisso que se pode resumir "Flagellum Dei". E não, não é exagero tal afirmação. É certo que todos que adquirirem o álbum irão se orgulhar demais desse marco no cenário extremo nacional (e mundial). Essencial!
Unearthly – Flagellum Dei
Shinigami Records – 2011 – Brasil
http://www.theunearthly.com
Tracklist:
01. Seven Six Two
02. Baptized in Blood
03. Flagellum
04. Black Sun (Part I)
05. Osmotic Haeresis (Part II)
06. My Fault
07. Eye for an Eye
08. Lord of All Battles
09. Limbus
10. Insurgency
11. Exterminata
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