Tomada: Ato de coragem para quem faz Rock no Brasil
Resenha - O Inevitável - Tomada
Por Ricardo Seelig
Postado em 09 de setembro de 2011
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
"O Inevitável" é um disco que faz parte de um nicho que poucas bandas tem coragem de produzir hoje no Brasil. Nosso mercado, tomado por pops balançantes e sensações adolescentes coloridas, não abre espaço para grupos autorais de rock, que precisam dividir espaço para tocar com milhões de bandas cover. Assim, acreditar no próprio trabalho, uma atitude normal para qualquer atividade, acaba sendo um ato, como eu disse, de coragem para quem faz rock no Brasil. E, cá entre nós, ainda bem que Ricardo Alpendre (cantor), Marcião Gonçalves (guitarra), Pepe Bueno (contrabaixo elétrico), Lennon Fernandes (guitarra, violão, Hammond, Fender Rhodes e piano) e Alexandre Marciano (bateria e percussão) têm coragem de sobra.

O terceiro disco do Tomada é também o seu mais maduro registro. Muito disso se deve à entrada do excelente Marcião Gonçalves, um dos melhores guitarristas em atividade no Brasil. Explorando timbres e texturas com a curiosidade de uma criança em uma loja de brinquedos, Marcião colocou o som do Tomada em outro nível, tornando ótimo o que já era muito bom. As cores brilham, fortes e espessas, em arranjos repletos de detalhes. Das levadas de bateria ao groove do baixo, passando pelo tempero especial proporcionado pelo criativo trabalho de Lennon Fernandes, a parte instrumental segue na trilha do rock dos anos 60 e 70, mas inserindo algumas pitadas que fazem toda a diferença.
Ricardo Alpendre, inegavelmente um grande intérprete, mostra a segurança de sempre, mas surpreende de forma positiva nas canções mais calmas, como "Entro em Órbita" e "DC-3", essa última com enorme influência de Guilherme Arantes.
O legal é que a banda não se limita a um estilo específico, navegando com a classe característica por vários caminhos. Cada faixa tem uma cara própria, o que torna o álbum uma surpresa constante. Do peso de "(Quero Ter) Uma Música Forte" à psicodelia sutil de "Ela Não Tem Medo", passando pelo rock puro de "Catarina" e "Blá Blá Blá, Blá Blá Blá", o que salta aos ouvidos é um trabalho redondo, requintado na medida certa, com tudo no lugar.
Mas, sem dúvida, o principal destaque vai para a excelente "O Calor de Abril". Com uma letra que tem um lirismo inteligente, o arranjo leva o ouvinte por uma espécie de Jovem Guarda banhada em certeiras doses de lisergia. Grudenta e empolgante, é daquelas faixas que se tornam companheiras para os dias frios, aconchegando corações e confortando sentimentos. O encerramento com "Hoje Eu Não Tenho Muito a Dizer" é outro momento iluminado, com a banda carregando no soul e sendo acompanhada por um esperto naipe de metais.
Fechando o pacote, destaque para a produção, limpa e sem exageros, e para a parte gráfica, com um simples e belo digipak e capa feita por Tiago Almeida.
"O Inevitável" precisa chegar até você. Talvez você não encontre o disco em sua cidade, mas não tem problema. Basta entrar na loja da gravadora Pisces Records para garantir a sua cópia. Faça isso e tenha em sua coleção um álbum que, sem esforço, vai se tornar um dos seus favoritos em pouco tempo.
Faixas:
1.(Quero Ter) Uma Música Forte
2.Ela Não Tem Medo
3.Catarina
4.Entro em Órbita
5.Blá Blá Blá, Blá Blá Blá
6.À Sombra do Trem
7.Luzes
8.O Calor de Abril
9.99 Centavos
10.DC-3
11.Rock de Aventura
12.Hoje Eu Não Tenho Muito a Dizer
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do Metallica que James Hetfield considera "fraco": "Um enorme sinal de fraqueza"
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Blaze Bayley escolhe o melhor disco do Metallica - mas joga sujo na resposta
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
A banda que poderia ter chegado ao tamanho do Led Zeppelin, segundo Phil Collen
Os álbuns do Rush que são os prediletos de Regis Tadeu
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
Como o Queen se virou nos trinta e ganhou o jogo que o AC/DC sequer tentaria, admite Angus
"Eu acreditei que ia rolar": o dia que Regis Tadeu comprou Jéssica Falchi no Mastodon
O maior disco da história do punk, segundo a Rolling Stone
Como a banda mais odiada do rock nacional literalmente salvou a MTV Brasil da falência
O guitarrista que Hetfield disse ter sido uma bênção conhecer: "nos inspiramos um ao outro"
Max Cavalera cortou o cabelo para ganhar cópia de clássico do Metallica
A característica que faz James Hetfield ser um bom frontman, segundo Jerry Cantrell
O melhor álbum de metal progressivo de cada ano desde 1983, segundo a Loudwire



"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Blasfemador entrega speed/black agressivo e rápido no bom "Malleus Maleficarum"
Tierramystica - Um panegírico a "Trinity"
GaiaBeta - uma grata revelação da cena nacional
Before The Dawn retorna com muito death metal melódico em "Cold Flare Eternal"
CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



