Stryper: Não basta apenas ter boa intenção

Resenha - Covering - Stryper

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 5

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Embora os discos “To Hell with Devil” (1986) e “In God We Trust” (1988) tenham conquistado um imenso prestígio na década de oitenta, os norte-americanos do STRYPER nunca conseguiram dar um contorno verdadeiramente consistente à sua carreira. O grupo, que perdeu o rumo e encerrou as atividades nos anos posteriores, vem retomando pouco a pouco o pioneiro hard rock cristão. O (novo) álbum “The Covering” mostra uma ousadia ainda maior que a temática religiosa. Os fãs poderão comprovar que recriar os maiores clássicos do metal é uma tarefa árdua e permitida apenas para poucos.
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Por mais que a banda tenha retornado aos palcos com a sua formação original, Michael Sweet (vocal e guitarra), Oz Fox (guitarra), Timothy Gaines (baixo) e Robert Sweet (bateria) assumem aqui uma sonoridade muito distante daquela que constituiu o passado do STRYPER. No entanto, “The Covering” – assim como “Murder by Pride” (2009) – retoma muita coisa que permanece ainda viva na memória dos fãs, como os agudos potentes de Sweet e o hard rock muito mais cru e agressivo de outrora. O rock progressivo, que sempre apareceu de modo tímido entre os discos de duas décadas atrás, parece ser a tendência para os próximos trabalhos do conjunto. De qualquer forma, apenas as boas intenções do STRYPER não são capazes de formatar um registro eficiente. A maioria das doze versões de “The Covering” não emplaca por uma série de motivos.

Não há dúvidas de que a vontade de imprimir uma fidelidade às músicas escolhidas para compor o disco foi extremamente equivocada. Por mais que não possa ser considerada uma banda inexperiente ou despreparada, o STRYPER bem que poderia encontrar um meio termo entre as versões originais e as suas características particulares e/ou históricas em “The Covering”. O trabalho da banda em faixas como “Over the Mountain” (OZZY OSBOURNE) e “Shout It Out Loud” (KISS) beiram a mediocridade pela tentativa de reproduzir exatamente cada um dos acordes e cada um dos timbres. Embora possua uma voz incrível para o hard rock proposto por seu grupo, Michael Sweet não consegue sequer se aproximar das vozes que buscou homenagear. Da mesma forma, falta (muito) brilho para que as regravações de “The Trooper” (IRON MAIDEN) e “Immigrant Song” (LED ZEPPELIN) possam ser consideradas aceitáveis dentro do contexto da obra.

Não há dúvidas de que o número de bandas que consegue regravar com maestria os principais clássicos da música pesada é reduzidíssimo. Os suíços do GOTTHARD homenagearam Robert Plant & Cia. de modo espetacular em “Made in Switzerland” (2006). Os norte-americanos do METALLICA remontaram faixas praticamente esquecidas em “Garage Inc.” (1998) com qualidade ímpar. Porém, o STRYPER sofreu muito e parece incapaz de agradar os fãs até com as releituras de “Blackout” (SCORPIONS) e de “Heaven and Hell” (BLACK SABBATH). O trabalho que envolve essas músicas infelizmente não empolga e fica muito abaixo numa inevitável comparação. Embora não possam ser totalmente descartadas, outras faixas – como “Breaking the Law” (JUDAS PRIEST) e “On Fire” (VAN HALEN) – apenas não encantam como deveriam.

Entretanto, “The Covering” não é um desperdício por completo. Por mais que a pegada própria da banda possa ser apontada como a principal ausência durante o disco inteiro, Michael Sweet & Cia. conseguiram remontar interessantes versões para um número pequeno de faixas. A abertura do disco, com “Set Me Free” (SWEET) evidencia um STRYPER coeso e com uma performance vibrante e digna de muitos elogios. Do mesmo modo, “Lights Out” (UFO) e “Highway Star” (DEEP PURPLE) mostram como o hard rock dos norte-americanos se encaixa perfeitamente bem com aquilo que esses dois grupos ingleses escreveram no passado. Não há dúvidas de que o vocalista norte-americano é o maior destaque nas duas músicas interpretadas pelo STRYPER.

Porém, “The Covering” não despenca precipício abaixo porque a versão assinada para “Carry On Wayward Son” (Kansas) mostra muita técnica e competência – é justamente o ápice da obra. Praticamente do mesmo jeito, “God” (a única composição inédita do STRYPER) mostra que o grupo ainda possui muito fôlego para seguir em frente. De certo modo distante do hard rock de outrora, a banda parece investir em um metal extremamente próximo à NWOBHM com influências marcantes do rock progressivo. Em cima do muro, “The Covering” nitidamente se divide entre o bom e o ruim. Enfim, a sensação que fica é de um disco de pouca ambição e de importância nula para o ícone da música cristã. Não deve agradar os fãs – e tampouco os curiosos.

Track-list:

01. Set Me Free (Sweet)
02. Blackout (Scorpions)
03. Heaven and Hell (Black Sabbath)
04. Lights Out (UFO)
05. Carry On Wayward Son (Kansas)
06. Highway Star (Deep Purple)
07. Shout It Out Loud (Kiss)
08. Over the Mountain (Ozzy Osbourne)
09. The Trooper (Iron Maiden)
10. Breaking the Law (Judas Priest)
11. On Fire (Van Halen)
12. Immigrant Song (Led Zeppelin)
13. God

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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