Cradle Of Filth: Essencial para os fãs do metal extremo
Resenha - Darkly, Darkly, Venus Aversa - Cradle Of Filth
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 30 de março de 2011
Nota: 9 ![]()
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Não há dúvidas de que a ótima repercussão conquistada por "Godspeed on the Devil’s Thunder" (2008) criou certa expectativa ao redor do que viria no próximo disco do CRADLE OF FILTH. O álbum sucessor da banda, intitulado "Darkly, Darkly, Venus Aversa" mantém os mesmos conceitos musicais que se tornaram referência para o black metal na década de noventa e ainda evidencia um fôlego criativo de Dani Filth & Cia. O novo repertório do grupo é suficientemente vigoroso para ser apontado – inclusive – como superior ao seu anterior.
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Por mais que a vertente melódica/comercial do black metal tenha se saturado, certas bandas ainda conseguem se destacar em apostas dentro do gênero. O diferencial dos ingleses do CRADLE OF FILTH é justamente não concentrar as suas composições dentro de uma abordagem extremamente sinfônica, mais ou menos como o DIMMU BORGIR vem contornando os seus álbuns mais recentes. A sonoridade da banda liderada por Dani Filth encontra um interessante ponto de intersecção entre o melódico e a agressividade típica dos gêneros mais extremos. "Darkly, Darkly, Venus Aversa" mostra como o Dani Filth (vocal), Paul Allender e James McEllroy (guitarras), Dave Pybus (baixo), Ashley Ellyllon (teclado) e Martin Skaroupka (bateria) uniram satisfatoriamente bem essas duas tendências distintas.
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O nono registro de estúdio da banda abre provavelmente com uma das faixas de maior impacto da sua carreira. "The Cult of Venus Aversa" conta com uma performance assustadoramente incrível de Dani Filth e riffs extremamente pesados, que contornam praticamente todas as composições do disco. Com mais de sete minutos, a abertura do álbum – como a maioria das músicas assinadas pelo CRADLE OF FILTH – possui variações rítmicas claramente válidas para a complexidade artística do black metal contemporâneo. Do mesmo modo, "One Foul Step From the Abyss" e "The Nun with Astral Habit" reproduzem as mesmas características destacadas e que rodeiam o disco do seu início ao seu fim. No entanto, as faixas – assim como "Retreat of the Sacred Heart" – são mais diretas e não possuem o mesmo impacto sonoro de "The Cult of Venus Aversa".
De qualquer forma, é nítida a superioridade das citadas "The Nun with Astral Habit" e "Retreat of the Sacred Heart" em comparação com o que há de mais similar em "Godspeed on the Devil’s Thunder" (2008). O repertório de "Darkly, Darkly, Venus Aversa" é nitidamente mais coeso e instrumentalmente melhor encaixado. Como prova, até mesmo as faixas mais "caóticas" – que representam outra constante dentro da obra do CRADLE OF FILTH – aparecem com um quê de boas estruturas e arranjos bem definidos. De um lado, "The Persecution Song" aparece bem por esse caminho. De outro, "Lilith Immaculate" desponta como outro grato destaque. As melodias e as (poucas) linhas orquestrais se uniram satisfatoriamente bem com a performance de Dani Filth e com a velocidade/agressividade intrínseca ao restante da banda.
Embora não possua um repertório recheado por candidatas a melhor música da carreira do CRADLE OF FILTH, "Darkly, Darkly, Venus Aversa" não comete nenhum pecado capital. Na sequência, "The Spawn of Love and War" possui qualidades para se sobressair entre as principais composições do disco, assim como as incríveis guitarras que aparecem na extrema "Harlot on a Pedestal". A faixa, que pode até aparentar ser uma busca da banda eme soar agressiva e sem nenhum outro comprometimento definido, deixa claro o eficiente processo de criação por qual passou o disco. Por outro lado, "Forgive Me Father (I Have Sinned)" é outra música que possui um suficiente apelo sonoro para, como "The Cult of Venus Aversa", ser apontada como o ponto de desequilíbrio na comparação entre "Darkly, Darkly Venus Aversa" o seu antecessor.
O encerramento com "Beyond Eleventh Hour" comprova a complexidade criativa e técnica de "Darkly, Darkly, Venus Aversa". Não há dúvidas de que o CRADLE OF FILTH pode ser apontado hoje como um dos maiores nomes do black metal mundial. Embora os nomes escandinavos praticamente dominem o gênero, é no Reino Unido que o estilo possui a sua chama ainda acesa e mais brilhante. Não é por acaso que o disco atingiu a 99ª posição da US Billboard na semana em que chegou às lojas norte-americanas. No mercado brasileiro, é um item essencial para os fãs do metal extremo e concomitantemente do melódico.
Track-list:
01. The Cult of Venus Aversa
02. One Foul Step From the Abyss
03. The Nun with Astral Habit
04. Retreat of the Sacred Heart
05. The Persecution Song
06. Deceiving Eyes
07. Lilith Immaculate
08. The Spawn of Love and War
09. Harlot on a Pedestal
10. Forgive Me Father (I Have Sinned)
11. Beyond Eleventh Hour
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