Deep Purple: Clássico em edição comemorativa de 35 anos
Resenha - Come Taste The Band (edição comemorativa) - Deep Purple
Por João Paulo Linhares Gonçalves
Postado em 26 de fevereiro de 2011
Um dos (raros) lançamentos do final do ano passado, "Come Taste The Band", único disco do DEEP PURPLE da formação conhecida como Mk4, foi relançado em edição comemorativa de 35 anos. Isso mesmo, há pouco mais de 35 anos atrás (outubro/novembro de 1975), o DEEP PURPLE lançava seu décimo disco de estúdio.
Deep Purple - Mais Novidades
Antes, vamos falar sobre as formações do DEEP PURPLE. A que gravou este disco foi a quarta, conhecida como Mk4. Ela contava com Ian Paice na bateria, Jon Lord nos teclados, Glenn Hughes no baixo, Tommy Bolin na guitarra e David Coverdale nos vocais. Hughes também fazia os vocais. Esta formação gravou somente o disco foco deste post. A formação anterior, Mk3, gravou dois discos, "Burn" e "Stormbringer", e contava com Ritchie Blackmore na guitarra, além dos outros integrantes citados. A formação mais conhecida e mais bem-sucedida da banda foi a Mk2, composta por Ian Paice, Jon Lord, Ritchie Blackmore, Roger Glover no baixo e Ian Gillan nos vocais. Esta formação gravou os discos mais clássicos da banda: "In Rock", "Fireball", "Machine Head", "Made In Japan", "Who Do We Think We Are", "Perfect Strangers". Poucos fãs da banda conhecem ou aprovam a primeira formação, Mk1, composta por Ian Paice, Jon Lord, Ritchie Blackmore, Nick Simper no baixo e Rod Evans nos vocais. Esta formação gravou três discos de qualidade, com destaque para os clássicos "Hush" e "Wring That Neck". Mas tinha um som mais pop, costumava gravar muitas covers e acabou perdendo o sucesso que fez no começo de carreira.
Depois deste parágrafo rápido de história sobre a banda, voltemos um pouco antes do lançamento do disco. Ritchie Blackmore já demonstrava sinais de cansaço com a banda e começava a testar a paciência dos demais integrantes. Sua insistência, por exemplo, em gravar uma cover de uma banda pouco conhecida (QUATERMASS, "Black Sheep Of The Family") não conseguiu ir muito adiante junto à banda, aumentando a animosidade entre Blackmore e os demais integrantes, o que acabou levando-o a sair e formar o RAINBOW. Os demais integrantes então começaram a procurar um novo guitarrista. Dave "Clem" Clempson, ex-HUMBLE PIE, chegou a realizar algumas audições com a banda, mas a escolha acabou ficando com o americano Tommy Bolin, que havia tocado com algumas bandas pouco conhecidas antes de se juntar ao PURPLE. Curioso dizer que o encarte desta versão remasterizada cita uma entrevista de Bolin onde ele confessa que quase não conhecia o material antigo do DEEP PURPLE: "tudo que tinha escutado era Smoke On The Water e Hush". Que coisa...
Com o substituto de Ritchie Blackmore escolhido, a banda partiu para os ensaios para a gravação do novo disco. Alugaram o Pirate Sound Studios, em Hollywood, e começaram a trabalhar em novo material. Algumas canções já estavam praticamente prontas, mas a banda recebeu trabalhar mais nestas, contando com a participação do novo integrante.Mas a banda iria gravar "Come Taste The Band" em Munique, no Musicland Studios, com o produtor de longa data Martin Birch no comando. As sessões de gravação duraram quase um mês, começando em 03 de agosto e terminando dia 01 de setembro de 1975.
Uma audição do disco demonstra claramente que os demais integrantes se sentiram mais à vontade com Bolin (Blackmore era conhecido como "ditador" da banda") e contribuíram mais para as gravações. Isso torna "Come Taste The Band" um disco mais variado, um pouco mais comercial também. Tommy Bolin mostra que tem (tinha) muito valor, e Glenn Hughes deixa o disco transbordar com suas influências soul/funk. Os demais integrantes deram também importantes contribuições, tornando este disco um excelente registro do fim de uma era - após o lançamento deste disco e uma turnê conturbada, a banda encerrou as atividades (pelo menos até 1984, quando a formação Mk2 retornou).
Esta edição comemorativa traz dois CDs e um belo encarte. O primeiro CD traz o álbum original, mas a versão single para "You Keep On Moving". Já o segundo CD traz um remix do álbum pelo produtor Kevin Shirley (já produziu DREAM THEATER, atualmente produz IRON MAIDEN direto e produziu BLACK COUNTRY COMMUNION também), além de duas canções inéditas: "Same In L.A." e uma instrumental chamada "Bolin/Paice Jam" (bela demonstração do talento de Bolin).
Minha opnião sobre cada canção deste disco:
1 - "Comin' Home" – a abertura do disco traz um poderoso hard rock, mostrando que a banda vinha com tudo, tentando mostrar serviço. Bolin procura se destacar, com Lord atacando por fora, com seus teclados, furiosamente. O vocal de Coverdale aqui está inspirado, deixando esta canção excelente. Uma curiosidade é que o baixo aqui é tocado por Tommy Bolin, mostrando que os problemas com drogas de Glenn Hughes já estavam atrapalhando seu desempenho na banda.
2 - "Lady Luck" – canção que foi trazida por Tommy Bolin, composta por Jeff Cook (amigo de Bolin), a banda resolveu mudar a letra da música, porque Bolin não lembrava da letra. Esta canção lembra muito o que Coverdale iria fazer nos primeiros discos do Whitesnake, aquele bluesy rock, com uma levada cadenciada e um refrão tentando cativar os ouvintes.
3 - "Gettin' Tighter" – aqui as influências funk/soul de Hughes começam a fluir no disco. Seu vocal característico torna a canção fantástica, e a levada da banda ajuda muito (Bolin em especial. Ele também trouxe influências diversas ao som da banda). No meio da música, a banda arrisca uma quebrada bem funky, o que deve ter torcido o nariz de muito fã xiita da época...
4 - "Dealer" – a canção começa com um riff mediano e continua com uma levada diferenciada das outras até aqui. O refrão é a parte alta da música. Aqui me parece que Tommy Bolin faz o backing vocal no meio da música. Não consegui descobrir se é fato ou não.
5 - "I Need Love" – esta canção começa com um riff diferente, meio fora do som típico da banda. Ela tem uma levada mais característica do futuro Whitesnake. Outra vez, uma quebrada no meio da música mostra as influências funk/soul que a banda incorporou fortemente neste registro. O refrão segura bem a música.
6 - "Drifter" – o riff introdutório de Bolin nos mostra mais um hard rock competente que lembra o Whitesnake (nada de negativo aqui, afinal os primeiros trabalhos do Whitesnake tem uma qualidade enorme). O trabalho do guitarrista segue consistente e com qualidade, com Coverdale segurando as pontas com louvor.
7 - "Love Child" – um grande riff de guitarra na introdução é engrandecido pelos teclados de Lord. Coverdale entra e se esforça para manter a qualidade lá no alto. Um solo meio estranho de Lord no meio da música dá uma quebrada estranha, mas o riff marcante volta para terminar bem a canção.
8 - "This Time Around" / "Owed to 'G'" – aqui temos, na verdade, duas canções (tanto que o segundo CD, remix de Kevin Shirley, separa em duas faixas), uma instrumental e outra cantada por Glenn Hughes. São minhas preferidas deste disco, começando com um dueto entre John Lord e Glenn Hughes (seu vocal aqui é maravilhoso!) e descaindo para um hard rock instrumental delicioso logo a seguir. Mais uma curiosidade: John Lord toca baixo na segunda parte.
9 - "You Keep on Moving" – um dueto entre Coverdale e Hughes encerra o disco. Talvez tentando recriar um clássico a altura de "Burn". Não conseguiram um clássico tão forte, mas a canção tem seu valor, com sua levada mais cadenciada, belos desempenhos vocais dos dois e Tommy Bolin solando bonito. Encerra muito bem o disco.
O segundo CD, remixado por Kevin Shirley, traz diferenças sutis. A mixagem tenta uma nova abordagem, talvez tentando deixar o disco ainda com mais punch. O final da primeira música não usa fade out, e "This Time Around" e "Owed To G" não são a mesma faixa, repousam em diferentes faixas. As canções extras são "Same In L.A.", um hard rock que poderia tranquilamente estar no disco (se os vocais tivessem sido terminados), dada a qualidade da música, e uma jam entre Paice e Bolin, além da versão editada de "You Keep On Moving" (esta consta no fim do primeiro CD).
Após o lançamento do álbum, o DEEP PURPLE embarcou em uma turnê mundial, passando por lugares como Austrália, Nova Zelândia, EUA e Europa. Mas a banda já estava se desintegrando totalmente, graças ao vício em cocaína de Glenn Hughes e em heroína de Tommy Bolin. A banda ainda tentou controlar o vício dos dois, mas não conseguiu. As performances da banda variavam de acordo com o estado dos dois, e eventualmente ficou insustentável manter a banda. Os membros partiram para carreiras solo; David Coverdale criou o WHITESNAKE, trouxe Ian Paice e John Lord para a banda (John Lord entrou primeiro na banda, gravou os álbuns "Trouble" e "Lovehunter"; Ian Paice entrou em seguida e gravou "Ready an' Willing", "Come And Get It" e "Saints And Sinners"); Glenn Hughes, graças a seu vício, teve uma carreira muito instável até meados dos anos 90, quando finalmente conseguiu se livrar do vício (um marco desta retomada é o fantástico disco ao vivo "Burning Japan Live"); e Tommy Bolin acabou pagando caro pelo vício de heroína: acabou falecendo de overdose no ano seguinte.
Alguns links interessantes:
- A história das formações do DEEP PURPLE
http://www.deep-purple.net/tree/tree-menu.htm
- A formação Mk4
http://www.deep-purple.net/tree/mk4.htm;
- Blog Purpendicular, brasileiro, sobre o DEEP PURPLE
http://purpendicular.blogspot.com
- Mofoblog, blog do MOFODEU, falando sobre bandas desconhecidas (entre elas o QUATERMASS)
http://mofodeu.com/mofoblog/?p=374
- Blog Ripando a História do Rock (com esta e outras matérias)
http://ripandohistoriarock.blogspot.com/
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



64 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de novembro
O presente de Paul Di'Anno que Nicko McBrain guarda até hoje com orgulho
A lenda do thrash que considera Metallica melhor do que Motörhead: "Nada tão poderoso"
A banda que Alice Cooper considera a que melhor representa o heavy metal
Pitty: cantora publica foto nua na internet e bate recorde de curtidas
Por que o hino beneficente do heavy metal não pegou, segundo Regis Tadeu
Com mais de 140 shows, festival Welcome to Rockville anuncia atrações para 2027
Dez músicos que eram bons demais para suas bandas
Os três baixistas que Robert Trujillo, do Metallica, considera seus maiores heróis
Dimmu Borgir, Satyricon e Enslaved quebram recorde de público na Noruega
James Hetfield revela banda que disse "não" a convite do Metallica para turnê
O roqueiro brasileiro que deu cano em Axl Rose; "preferi ir embora"
O clássico dos Ramones inspirado por música de Alice Cooper
O álbum que Ozzy Osbourne queria gravar antes de morrer, segundo Zakk Wylde
Bruce Dickinson acha que igreja católica irá se incomodar com seu novo videoclipe
Kiko Loureiro revela a brutal diferença que havia entre Andre Matos e Bruce Dickinson
Hit Parader: Os maiores vocais do Heavy Metal segundo a revista
O hit da Legião Urbana cuja letra fala sobre esperança de Renato em se curar da AIDS

Deep Purple cancela shows devido a emergência médica envolvendo Ian Gillan
O cover que o Black Sabbath mais tocou ao vivo durante toda a carreira
Akira Takasaki (Loudness) sobe ao palco com o Angra para tocar clássico do Deep Purple
Deep Purple lança vídeo oficial da música "Splat!"
As 5 melhores músicas que começam com bateria, segundo Gastão
Como Black Sabbath e Deep Purple entraram escondidos num dos maiores festivais da história
A humilhação diante de um CAPTCHA que virou música do Deep Purple
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes



